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Matérias Temáticas | Turismo

Aventura e turismo na fronteira Brasil-Guiana

Uma aventura cheia de deslumbramento com a paisagem da região fronteiriça do Brasil com a República da Guiana, começa nos lavrados (savanas) roraimenses, formada por capim nativo, buritizais e igarapés cristalinos, até o guianense Rio das Pedras, o Itacutu. A expedição passa pela vila de Lethen, habitada por descendentes de africanos, indianos e indígenas, e visa mapear a região para a pesca esportiva, turismo de aventura e ecoturismo.

A operação é para quem gosta de muita adrenalina e aventura. O local é nas corredeiras do rio Itacutu a leste de Roraima, no município de Bonfim, fronteira do Brasil com a Guiana Inglesa.

A sede do município de Bonfim fica a 120 quilômetros de Boa Vista, capital de Roraima, com  acesso pela BR-401, via asfaltada até a fronteira. A paisagem da região é de lavrado (savanas), formada predominantemente por capim nativo intercalado por igarapés margeados por buritizais e caimbés, planta de folhas com textura de lixa altamente resistente ao período de estiagem e a queimadas.

Do outro lado do rio Itacutu, atravessando por balsa ou voadeiras, está a vila de Lethen, na Guiana Inglesa, onde há pequenos comércios e velhos casarões em ruínas no estilo inglês. A  população é formada por descendentes de africanos, indianos e índios Wapxana, Macuxi e  Patamona.

A expedição teve a finalidade de reconhecer e documentar as potencialidades para exploração turística nos setores de pesca esportiva, turismo aventura e ecoturismo na região da fronteira entre os dois países, mais especificamente no rio das pedras, o Itacutu.

A infra-estrutura empregada foi composta por dois barcos de alumínio tipo voadeira, propulsionados, um por motor de 25 Hp e, outro, por 40 Hp e mais infra-estrutura de acampamento para alguns dias.

Na sede de Bonfim, local da saída, o Itacutu possui cerca de 50 a 75 metros de largura e muita correnteza, o que exige perícia do condutor do barco. Depois de colocar todos os equipamentos nas voadeiras, finalmente partimos às duas horas da tarde.

 O primeiro trecho é relativamente fácil de navegar porque a maioria das pedras é exposta acima da superfície da água. Navegamos até ao fim da tarde até ao porto da fazenda Caipena, distante dez minutos de caminhada da margem do rio, onde vive a família do índio que se apresentou como Coronel e nos convidou para o pernoite e um jantar à luz de lamparinas.

Na manhã seguinte, no retorno ao rio, encontramos uma cobra jararaca no momento do ataque a um sapo. Nesse dia navegamos até quatro horas da tarde, quando decidimos parar para montar acampamento sobre uma pedra no meio do rio Itacutu e pescar alguns peixes para alimentação. O ótimo lugar para pescar nos garantiu ainda o almoço do outro dia, mas o acampamento sobre a pedra não era seguro em virtude da rápida mudança do nível da água, o que nos fez madrugar para desmontar acampamento e seguir adiante.

Nesse dia enfrentamos as principais corredeiras identificadas como do Macaco, Aruanpau, Guariba, Tucunaré, Maloca do Sapo e Dois Irmãos. Nossa primeira parada foi no porto da fazenda Bom Jardim, onde preparamos o almoço e colocamos os equipamentos para secar ao sol. Às duas da tarde partimos novamente. Nesse trecho passamos pelas localidades de Tenquê, Maloca da Serra Pelada, na Guiana Inglesa, e fazenda Vredum. Neste trecho o rio Itacutu sofre uma redução na largura e aumento de corredeiras e pedrais, o que dificulta ainda mais a navegação e aumentam os riscos de alagamento e quebra dos motores. Navegamos até ao fim da tarde para acampar e preparar o jantar. No trecho fizemos contatos com muitos moradores da região, índios Wapxanas, que pescavam na margem do rio em canoas de precário equilíbrio, feitas de toras de madeira.

Na manhã seguinte desmontamos acampamento e partimos. Inúmeras corredeiras em intervalo cada vez

menor foram superadas até à chegada da corredeira na fazenda Macupu que faz divisa com a reserva dos índios Wapxana do Jacamim. Lá decidimos parar e mandar uma equipe por terra para avaliar as condições de subida e estabelecer contatos com moradores, visando obter informações sobre a localização e  navegabilidade rio acima.

 A expedição constatou a dificuldade de continuar devido ao baixo nível da água e contatou um índio Wapxana que negociou uma galinha em troca de cinco litros de gasolina. Somada a um iguana capturado por um dos nossos guias, o índio Brandão Félix, a galinha acabou sendo a refeição do dia. Segundo o índio, os camaleões são bastante apreciados na Guiana Inglesa, guisados com temperos usados para cozer galinha e cozidos com manga verde e batata. Naquele país os iguanas são conhecidos como “green-ticken”, ou seja, galinha verde.

De posse das informações e mais a avaliação da quantidade de combustível, foi decidido pelo retorno à sede do município de Bonfim no dia seguinte pela manhã.

No dia 11 de julho foi iniciado o retorno. Navegamos o dia todo com paradas nas corredeiras para descer os barcos com cordas e mais uma parada para almoço. No fim da tarde acampamos novamente para jantar e pernoite. No trecho encontramos uma patrulha armada do Exército Brasileiro que subia o rio Itacutu. Na abordagem trocamos informações sobre as condições de navegabilidade do rio e dicas sobre como vencer as corredeiras rio acima.

 Partimos novamente e navegamos o dia todo, quase sem paradas e chegamos à sede do município cerca de três horas da tarde.

No total foram catalogadas 19 corredeiras ideais para a prática de esportes radicais como o rafting e a subida com barcos a motor. O local também é perfeito para pesca esportiva e caminhadas em trilhas, de onde é possível visualizar um trecho do Planalto das Guianas, que divide o Brasil e a Guiana Inglesa. (Publicado na Revista Amazon View – Edição 39)

 
Apolonildo Brito

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