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Murapinima é campeã do 16º Festribal

O Festibal (Festival Folclórico de Juruti), edição 2001 deu grande salto de qualidade e grandeza, repetindo o sucesso do ano anterior, graças à inauguração da primeira etapa da construção do novo Tribódromo, obra que custará perto de um milhão de reais para abrigar cerca de 17 mil pessoas nas arquibancadas e milhares de brincantes na quadra central do anfiteatro em forma de canoa.

Espetáculos de beleza e cultura marcaram o XVI Festival Folclórico de Juruti, 7ª versão da era das Tribos, realizada com a disputa entre os grupos folclóricos dos índios Mundurukus e Muirapinima. A tribo Muirapinima venceu a competição deste ano, mas ambas fizeram a festa da galera com os itens Apresentador, Porta-estandarte, Guardiã tribal, Tuxaua originalidade, Índia Guerreira, Pajé, Canto Indígena, Evolução, Ritual, Alegorias, Tribo originalidade, Tribo coreografada, Originalidade em conjunto, Harmonia e Galera. A Muirapinima apresentou 13 tribos, belas alegorias e mais de setecentas pessoas, dentre integrantes e pessoal de apoio, enquanto a Mundurukus levou à quadra cerca de oitocentos brincantes, quinhentos destes nas tribos. Um belíssimo espetáculo de ambas. O Festival das Tribos deste ano deu grande salto de qualidade e grandeza, repetindo o sucesso de 2000, graças à inauguração da primeira etapa da construção do novo Tribódromo (denominado Deputado José Priante por Lei Municipal), obra que custará perto de um milhão de reais para abrigar cerca de 17 mil pessoas nas arquibancadas e milhares de brincantes na quadra central do anfiteatro em forma de canoa.

Quem assiste hoje ao Festival de Juruti, cuja beleza surpreende até mesmo os mais aficcionados pelo Boi de Parintins e o coloca a nível das maiores festas folclóricas da Amazônia, não pode imaginar que nasceu de uma singela e despretensiosa brincadeira numa quadra escolar, que ganhou grandeza nos últimos anos, principalmente na gestão do prefeito Isaías Batista que contou com o deputado José Priante para obter recursos, construir o Tribódromo e investir na grande festa do Município. Priante também vem ajudando o prefeito com verbas para obras de infra-estrutura e embelezamento da cidade, que está mais bonita e limpa do que nunca.

Durante o festival promovido pela Prefeitura local, Juruti se mobiliza toda, é só alegria multicolorida e arrebatada para o grande show cultural marcado para a noite. O clima festivo começa desde cedo, tomando conta das casas e ruas da cidade, pontilhada de bandeiras das duas rivais e embalada pelos cantos tribais. Carros, motos, bicicletas e até mesmo pedestres desfilam o dia todo ostentando as cores do pendão de suas tribos. A população se veste de vermelho ou azul para aquecer o período. Nas portas das casas, nos bares e onde quer que se ande, aparelhos de som de todos os tamanhos entoam as toadas da Mundurukus e da Muirapinima. Tudo isso forma um espetáculo à parte, só encontrado em Parintins, durante a festa dos bumbás.

Aliás, o folclore das três cidades do Médio Amazonas (Juruti, Parintins e Santarém) não competem entre si  nem se repete, ao contrário, completa e resgata a pródiga cultura da mesma microrregião, com abordagem, forma e conteúdo diferenciados. Qualquer semelhança é mera coincidência da cultura regional, cuja influência entre si é inexorável. Parintins conjuga o tradicional folguedo junino dentro de um contexto próprio, dando feição amazônica ao bumba-meu-boi maranhense; enquanto em Juruti o espetáculo é tipicamente tribal, na forma, no conteúdo e no canto. Santarém escolheu os botos para resgatar as suas raízes culturais, em torno dos quais retoma as lendas e mitos há muito adormecidos e eclipsados pela influência alienígena dos modernos meios de comunicação. Os três festivais, juntos, formam a tríade folclórica regional, sem a qual fica mais difícil acessar o imaginário caboclo.

História do Festival – O que hoje se tornou uma grande festa folclórica em Juruti, Estado do Pará, nasceu timidamente há cerca de 20 anos, como espécie de quermesse na quadra da Escola Municipal Raimundo de Souza Coelho, para arrecadar fundos e recuperar a instituição de ensino. O sucesso das apresentações dos cordões de pássaros, bumba-meu-boi e quadrilhas da cidade e do interior cresceu a cada ano e fez com que o evento fosse realizado num espaço maior (atual Estádio Américo Lima) para abrigar o grande público envolvido. A brincadeira ganhou mais infra-estrutura e desenvolveu novas danças e grupos. Foi quando surgiu a Dança do Cangaço, embrião da atual tribo Mundurukus.

No ano seguinte, apareceu uma quadrilha moderna com o nome “Vai ou Racha”, que venceu a competição, estabelecendo a partir de então a rivalidade entre os dois maiores grupos. Para dar troco ao adversário e vencer a próxima quadra, o grupo cangaceiro criou a Dança Mundurukus, com coreografia tribal, então sem competidores. Logo surgiu outra dança indígena, a Dança do Fogo, formada por alunos da Escola Estadual Américo Ferreira Lima, que deu origem, mais tarde, à tribo Muirapinima, acirrando ainda mais a rivalidade dos grupos existentes desde os tempos do Cangaço e Vai ou Racha.

Em 1995, o então secretário municipal de Educação, coordenador do Festival Folclórico de Juruti, propôs reunir os que brincavam na Dança do Fogo para formar uma grande tribo e disputar o evento com a Mundurukus, tarefa assumida pelas professoras Auricélia e Sebastiana, que criaram a tribo contrária denominada Muirapinima.

Segundo Eliezer Filho, folclorista da tribo, o nome vem por causa de uma árvore abundante na região chamada muirapinima, cuja denominação homônima não consta entre os indígenas catalogados pela Funai. Mas para os habitantes da comunidade Juruti Velho, uma tribo com esse nome habitou a área e seus descendentes ainda vivem nas matas do Município, na divisa do Pará e Amazonas, região dos rios Mamoro e Iguanapé, próximos à reserva Dinamarai.

Na versão de Edvan Dias Batista, folclorista da Mundurukus, as tribos ganharam dimensão em 1993, quando um grupo de jovens estudantes em Belém decidiu se unir, nas férias de julho, criando uma tribo indígena com o nome de Mundurukus, em homenagem aos índios que deram origem a Juruti. Mas ressalva que o Festival das Tribos só aconteceu nos últimos sete anos, depois que a Muirapinima foi para a quadra disputar com a Mundurukus.  (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 39)

 
Apolonildo Brito

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