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Cor e vida na arte de Augusto Cardoso

Expressionismo, impressionismo, surrealismo e arte renascentista são as formas mágicas utilizadas pela maestria do artista plástico Augusto Cardoso, autodidata de Roraima, que já realizou 45 exposições e produziu mais de mil obras espalhadas pelo mundo inteiro. Apesar de toda essa prodigalidade e sucesso que tem alcançado no mundo artístico, Cardoso humilde e modesto por natureza

Vinte e três anos de pintura, mais de mil quadros produzidos, obras expostas por todo o Brasil e trabalho reconhecido e à mostra na França, Canadá, Bélgica e Alemanha. Esse é um resumo sintético da produção do artista plástico roraimense Augusto Cardoso, hoje com 45 anos de idade e que ainda tem no pai o seu principal admirador e incentivador no caminho que optou em percorrer na vida.

Apesar de toda a prodigalidade e sucesso que tem alcançado no mundo artístico, Augusto Cardoso apresenta-se como um ser humilde. Sem dúvida é uma das maiores expressões da pintura roraimense, largamente conhecido no mundo, mas diz: “ainda estou tentando aprender a pintar”.

Para o artista, pintar é uma utopia. “Você morre e não aprende”, reforça, para fechar o pensamento: “Eu busco a forma perfeita para o meu trabalho e enquanto estiver nesta guerra interior meu trabalho também vai se aperfeiçoando”.

A forma de pensar a arte, de Cardoso, pode ser resumida numa observação que faz inspirada no seu autodidatismo.

Ele observa que até hoje ninguém conseguiu fazer o brilho das unhas e a perfeita tonalidade da pele retratados pelo pintor renascentista Rubens.

“Isso foi feito há 480 anos e hoje temos tanta tecnologia e gamas de cores e ninguém consegue fazer”, sentencia.

Falar em brilho, tonalidade, cores, leva o artista plástico a invocar a luz, não a luz universal produzida pelo Sol, mas uma luz característica que parece só ele detectar em Roraima, embora também oferecida pelo Astro-Rei.

Augusto Cardoso diz que a luminosidade do Sol de Roraima é parecida com a da Espanha e se não a maior, uma das suas maiores fontes de inspiração. Por isto, dispensa sair do Estado para conseguir notoriedade em outros lugares.

Numa manifestação de amor à terra natal, o artista plástico, na maior parte da sua obra, transforma em mito o bem real Monte Roraima. “Isto é falar do que nos toca aqui; é valorizar nossas coisas e colocar na pintura”, admite.

Porém valorizar a ímpar luminosidade roraimense e dela tirar inspirações não apareceram de repente nos toques artísticos de Cardoso. Isto vem da influência que tem do modernista Salvador Dali que, deslumbrado com a luz do sol espanhol, pintou muito as montanhas da Catalúnia.

“Como Dali pintava a Catalúnia, eu coloco em minhas telas a Serra Grande, Pedra Pintada e todo o contexto paisagístico de Roraima”, compara.

Mas o universo da produção do artista não se resume apenas em paisagens. Ele tem incursões na pintura de aves, peixes e de seres humanos, ressaltando, com categoria, o amazônida.

Augusto Cardoso tem até obras feitas de vela (estearina), metiê que aprendeu sob influência paterna.

Foi do pai, também, que o artista herdou a simplicidade e a humildade de ser, até a interminável busca da perfeição na arte plástica, o que ele, aliás, acha que nunca vai conseguir.

Como tributo a tudo o que tem produzido, Cardoso é detentor de vários títulos conseguidos em concursos e exposições individuais e coletivas. Hoje, conjuga a arte com a função de conselheiro de cultura do Estado de Roraima. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View -  Edição 40)

 
Apolonildo Brito

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