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Oriximiná festeja Santo Antônio com Círio fluvial

Oriximiná celebrou mais uma vez o tradicional Círio fluvial noturno de Santo Antônio, abrindo assim a festividade do padroeiro do Município. É o mais bonito evento religioso do Oeste do Pará, quando a cidade de Oriximiná se veste de luz e reúne a população local, visitantes e dezenas de embarcações em comunhão de fé, testemunhando o amor fraterno entre as famílias dessa região paraense

A devoção ao Santo reflete a religiosidade do povo há mais de cem anos, mas foi em 6 de agosto de 1946, que aconteceu o primeiro Círio fluvial, saindo a imagem do padroeiro da Escola Santa Luzia, no lago do Iripixi, com destino à Igreja da Matriz, cujo andor foi colocado sobre um tablado e conduzido por oito robustos remadores até à cidade. Várias outras canoas, enfeitadas com bandeirolas e iluminadas por candeeiros e lanternas de carbu­reto, seguiram o cortejo em procissão. Daí para frente, o Círio fluvial noturno de Oriximiná virou tradição, introduzindo barcos a motor ao cortejo, quando estes se popularizaram na região, passando a conduzir o andor e a substituir os devotos remadores.

Contam os mais velhos, que a tradição das chamadas “barquinhas”, pequenas lanternas flutuantes colocadas sobre as águas e que oferecem um belo espetáculo de luz, espelhando brilho na escuridão do rio como das estrelas no céu, nasceu de incidente inusitado – um dos barcos a motor que acompanhavam a procissão estava enfeitado com balões iluminados com velas, quando de repente um deles desprendeu e caiu n’água. O fundo de papelão grosso impediu o balão de afundar e o manteve aceso, distanciando-se e fazendo um caminho de luz sobre as águas do rio, inspirando a tradição dos “barquinhos”, hoje multiplicados e que adornam o espetáculo luminoso da procissão fluvial formada pelas embarcações.

Com a chegada das balsas, o andor do santo padroeiro passou a ser conduzido por elas, recebendo ornamentação própria para o cortejo. O andor deu lugar à Berlinda, a qual está atada uma corda que os fiéis puxam pelas ruas da cidade até chegar à Igreja da Matriz. Os barcos que participam do Círio de Oriximiná também se esmeram na ornamentação com alegorias, bandeiras e luzes coloridas, ganhando um visual todo especial a cada ano que passa, principalmente quando singra as águas do rio Trombetas. A queima de fogos de artifício faz um espetáculo à parte no momento religioso.

Recentemente, o Círio fluvial ganhou destaque com o apoio dado pela Prefeitura de Oriximiná  e pelo maior engajamento dos fiéis e embarcações na procissão, reconhecida como expressão de fé e atração turística.

Projeto Integrado – Oriximiná recebeu na manhã do dia do Círio (6), a bordo do Catamarã Pará, a comitiva do IV Encontro do Projeto Integrado – IFNOPAP, composta por pesquisadores, professores e cientistas que discutem a cultura e biodiversidade entre o rio e a floresta, realizando palestras, seminários e oficinas, percorrendo várias regiões do Estado, dentre elas o rio Guamá, rio Trombetas e a Ilha de Marajó.

A programação de Oriximiná constou de palestras de João de Jesus Paes Loureiro, Horácio Schneider e  Maria Célia Coelho, todos da UFPA, além de apresentações de cordões dos pássaros Jaçanã e Garça Branca, Dança do Pau de Fita, teatro, cantores e grupos musicais, além da participação do Grupo Folclórico Mestre Lucindo. (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 32)

 
Apolonildo Brito

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