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Santarém: um paraiso para o esporte naútuco

O irresistível convite que o belo rio Tapajós faz aos desportistas náuticos santarenos é o principal responsável crescimento da atividade no município, um dos ligares na Amazônia onde os eventos aquáticos acontecem com muita frequência. Iatismo, canoagem, jet-sky, barco à vela, sky-aquático e natação são modalidades que tomam conta da paisagem fluvial “mocoronga”, pontilhando de cores festivais, no azul-cristalino das águas que banham Santarém

A chamada “Perola do Tapajós, como é conhecido Santarém, municipio da região Oeste do Pará, não apenas abriga um civilização ribeirinha inspirada pelo formoso encontro das águas barrentas do magestoso rio Amazonas com as do límpido azul-esmeralda rio Tapajós, como herdou dos antepassados o uso secular da canoa e do banho de praia, culturas há muito ali paraticadas. Em Santarém, aliás, até serenata já se fez com o sersteiro e violeiros abordo de canoas, singrando o rio em frente à orla da cidade.

Mas o boom da modalidade nautica aconteceu mesmo com a introdução dos barcos Laser, com o desenvolvimento do Iate Clibe de Santarém e com o estímulo dos desportistas do naipe de Lars Grael, Rilf Tambke e Caron Lesley, além dos mocorongos Carlos Mechede, Hilario Coimbra, Abelardo Gentil, Carlos Mendonça e tantos outros que ajudaram a escrever a hoistória do iatismo regional.

Segundo Carlos Mechede, empresário e emérito velejador mocorongo, a vela se desenvolveu em Santarém a partir da década de 40, quando existia uma famosa regata anual de canoa nativa, realizada nos dias sete de setembro, modalidade hoje reeditada pelo Campeonato de Canoa à Vela, promovido pela Prefeitura Municipal. Mas foi a chegada do primeiro barco classe Laser em Santarém, através do popular Zeca BBC, responsável pelo deslanche do esporte, quando os amantes do boatting aderiram à nova onda, adquirindo os seis primeiros barcos Laser, que eram usados apenas para passeio.

A história das competições veio muito depois, com Caron Lesly (vulgo Mickey), ex-gerente da Souza Cruz e pessoa ligada ao iatismo, em Niterói, que decidiu passar um fim de semana em Santarém, para realizar a primeira regata da classe. O evento contou com cinco competidores e consagrou Mickey vencedor disparado, resultado que feriu os brios dos velhos velejadores “mocorongos”, que passaram a treinar com afinco. Uma nova competição foi realizada, com vitória menos vergonhosa e maior número de embarcações.

A partir daí e com o desenvolvimento do Iate Clube de Santarém, o iatismo virou atração santarena, chegando a superar Belém em número de barcos Laser. Pelo menos dois novos barcos eram adquiridos a cada regata realizada, quando a entrega de prêmios virava festa nas domingueiras, atraindo grande público.

“Tivemos a sorte grande de ter, na época, a simpatia do ex-governador Aloísio Chaves, cujo filho Aluísio Jr. (Lula) também veleja. Houve então intenso intercâmbio entre Belém e Santarém, que se revezavam na realização dos campeonatos paraenses – um lá e outro aqui. Cheguei, por exemplo, a servir de jurado em Salinas e a fazer parte de comissão de regata em Belém, tal o intercâmbio que passou a existir. O próprio governador Aluísio Chaves fazia questão de dar o tiro de largada das competições aqui realizadas”, ressaltou Carlos Mechede. Ele acha que Santarém é privilegiadíssima para a prática do esporte à vela, pois possui uma das melhores raias do Brasil, localizada numa das regiões mais bonitas da Amazônia.

O desportista afirma que Santarém já sediou dois campeonatos Norte/Nordeste e oito certames estaduais da classe Laser, dos 12 concorridos no Pará, participando ainda de duas regatas em Belém e outra em Mosqueiro. Mas foi uma época de euforia que logo passou, dando lugar a um longo hiato por problemas internos, reconhece Mechede, fato que atribui ao desestímulo causado pela desigualdade das competições, que reunia numa mesma raia, iatistas experientes e principiantes, além de categorias de barcos diferentes. Essa disputa que estimulou o esporte no início, veio depois a desmotivá-la, porque só venciam os mais antigos. A diferença de desempenho das categorias de barcos também contribuiu para o estado de apatia que tomou conta dos iatistas locais.

A formação das Frotilhas Tapajós e da Selva, contudo, deu novo alento aos desportistas de Santarém, fato que evoluiu com a vinda do empresário e desportista Rolf Tambke (1993), para o Município, cuja experiência e entusiasmo ajudou a integrar os iatistas locais e deslanchar uma nova fase do esporte.

Rolf  trazia na bagagem não apenas a experiência de mais de 30 anos de vela, em várias classes, como a amizade de grandes iatistas do país, dentre eles o medalha olímpica Lars Grael. Participou de várias regatas, sendo campeão carioca (várias vezes) e sul-americano de iatismo, além de ter competido no Canadá, França, Itália e Alemanha. Ele ainda foi classificado para as olimpíadas que deu medalha de ouro a Lars Grael, para o qual abriu mão da vaga, em virtude de achar o campeão mais preparado e do mesmo estar fazendo pós-graduação na Europa, durante as eliminatórias.

Ao mesmo tempo em que as competições foram reiniciadas, um “Livro de Ouro” assinado por Hilário Coimbra, Carlos Eduardo Mendonça, Jorge Hamad, Ivair Chaves, Rolf Tambke, Carlos Mechede e outras pessoas da sociedade local arrecadou fundos para criar a Escola de Vela do Iate Clube de Santarém e adquirir três barcos, classe Dingue, que muito tem contribuído para formação de novos iatistas. Por outro lado, recentemente, com a ajuda de Rolf e Lars Grael (medalha olímpica), o Município goza dos benefícios do Projeto Navegar, recebendo barcos tipo Dingue, a remo e caiaque, além do apoio logístico da Secretaria de Esportes do Estado do Pará e do Iate Clube de Santarém.

Mechede vislumbra que num futuro próximo o esporte náutico se transformará em atração turística para Santarém, sediando até competições interna-cionais. Para tanto, é preciso agora abater as dificuldades de transporte, alojamento e recursos. (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 33)

 
Apolonildo Brito

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