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Monte Alegre abriga 11.200 anos de cultura e progresso

Entre Belém e Santarém, Monte Alegre é uma das cidade mais progressista da região do Médio-Amazonas. Fica a 630 km da primeira e a 85 km da segunda. Nessa porção do Oeste do Estado do Pará a agricultura e a pecuária são destaques econômicos, mas município buscar espaço turístico para explorar, de forma planejada, porque sedia o mais importante sitio arqueológico da Amazônia, a morada do mais antigo homem das Américas.

No passado, durante o século XVIII (período pombalino), a economia montealegrense baseava-se no plantio do cacau, na pesca e na pecuária. O período foi de bastante crescimento, permitindo que Monte Alegre se estabelecesse como um dos mais desenvolvidos municípios paraenses. Ainda no final do século XVIII, a instalação da Serraria Real impulsionou a economia local, já que toras de cedro eram beneficiadas e, na seqüência, transformadas em pranchas e comercializadas com Belém, que as exportava para Lisboa, com o objetivo de atender as grandes construções que eram realizadas em Portugal. Na segunda década do século XIX, em razão da escassez de matéria-prima e à má administração por parte do Governo do Estado, a serraria Real faliu, o que precipitou o declínio econômico da cidade.

A recuperação aconteceu depois de 1840, através da agricultura. Ao lavrar a terra, o montealegrense abriu cacauais e passou a implantar novas fazendas de criação de gado. O esforço permitiu que, em menos de 20 anos, a produção de café, algodão e cacau alimentasse o sonho de prosperidade. A exploração de seringais também influenciou o modo de vida do povo da região.

A agricultura e a pecuária continuam a movimentar o comércio do Município. Mas o turismo já entrou na pauta da administração pública municipal, que tem levado a sério o setor ao criar uma secretaria que, além do esporte e cultura, cuida do turismo. E  Monte Alegre é rico em apresentar atrativos. São várias as opções para quem procura esse destino.

A cidade é pródiga em recursos naturais, apresentando áreas de incrível beleza cênica. Florestas e savanas, rios, lagos piscosos, igarapés de água fria, belas cachoeiras e mirantes naturais, além de áreas de várzea, com suas exuberantes fauna e flora, exibindo ecossistemas bem preservados, fazem parte do leque de atrações que o município não vê a hora de apresentar para o mundo. Mas o maior trunfo de Monte Alegre, no que diz respeito ao potencial turístico, concentra-se nas fontes termais sulfurosas da região do Ererê e, principalmente, em função do complexo de serras (Ererê, Lua, Aroxi, Paytuna) que abrigam sítios arqueológicos com pinturas em arte rupestre, com registros cientificamente comprovados da mais remota ocupação humana na Amazônia e, possivelmente, nas Américas.

Incrustados no meio da Amazônia brasileira, os sítios arqueológicos de Monte Alegre já foram alvo de estudos de cientistas famosos, entre eles os pesquisadores alemães Carlos Frederico Felipe de Martius (botânico) e Hohann Baptist Von Spix (zoólogo), que empreenderam uma viagem de estudos pelo Brasil, de 1817 a 1820. Em 1871, outro alemão, C.F. Hartt, desenvolveu estudos sobre as inscrições rupestres da serra da Lua. Em 1889,  A. R. Wallace publicou trabalho contendo descrições das serras e grutas da região, fazendo referências às inscrições rupestres. Em 1898, Orvile Derby descreveu a serra do Aroxi, assinalando a exalação de gases quentes a partir de uma cavidade localizada na encosta da mesma. Outros pesquisadores estiveram em Monte Alegre ao longo do tempo.

Mais recentemente, a região vem sendo objeto de estudos científicos que constituem uma formidável contribuição científica, especialmente nos campos da espeleologia e da arqueologia amazônicas. Os trabalhos realizados pela arqueóloga norte-americana, Anna Curtenius Roosevelt, em Monte Alegre, na gruta da Pedra Pintada, representam a primeira informação cientificamente comprovada sobre a presença de Paleoíndios na região amazônica, indicando uma associação dos mesmos com a arte rupestre, mostrando as similaridades entre esses sítios Paleoíndios e outros já estudados em diferentes lugares das Américas. De acordo com a descoberta de Anna Roosevelt, em Monte Alegre estão documentadas as melhores evidências acerca dos povos mais antigos que habitaram a região, muito possivelmente no final do Pleistoceno e início do Holoceno (épocas geológicas que compõem o Período Quaternário), os Paleoíndios amazônicos.

Com um pouco de disposição, o visitante interessado no turismo científico pode encontrar sítios líticos que representam aqueles locais onde estão restos de artefatos indígenas confeccionados em rochas e/ou minerais. Procurando um pouco mais, podem se concentrar os sítios cerâmicos, com  restos de cerâmica indígena. Até sítios com petroglifos, que são os locais onde existem rochas com desenhos em baixo-relevo executados por primitivos habitantes da região, também podem ser encontrados em Monte Alegre. A cachoeira da Muira, no rio Maecuru, é um exemplo.

As fontes termais sulfurosas são o principal atrativo turístico do município. Estão localizada na planície do Ererê, a porção central do Domo de Monte Alegre, distante cerca de 13 quilômetros da sede municipal, com fácil acesso através da rodovia PA-225. Em estudos realizados recentemente, as análises revelaram a boa qualidade das águas, classificadas como cloretadas sódicas.

Síntese histórica – A antiga aldeia dos índios Gurupatuba foi elevada à categoria de vila em 1758, no dia 27 de fevereiro, recebendo o nome de Monte Alegre, em alusão a uma vila situada ao norte de Portugal. Desde aquela época, o povo local é chamado de “pinta-cuia”, graças à produção de cuias pintadas com motivos amazônicos, uma cultura iniciada pelos índios que habitavam a região. Por sua localização geográfica, Gurupatuba representava o núcleo populacional amazônico mais ocidental, sob o domínio português. Aliás, os primeiros colonizadores portugueses chegaram à região do Médio-Baixo Amazonas em 1639, integrando a expedição comandada pelo capitão Pedro Teixeira.

A área do município é de 20.232,50 km².  A população atual é de 49.602 habitantes, segundo o Censo/96, sendo que 37,75% estão concentrados no centro urbano (18.727 habitantes), enquanto que os 62,25% compõem a população rural (30.875 habitantes). (Emanuel Júlio - Revista Amazon View – Edição 34)

 
Apolonildo Brito

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