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Legado urbanístico e cultural de Belém

Para manter-se como Metrópole da Amazônia, a capital paraense busca resgatar os elementos que lhe deram esta primazia: História, arte, arquitetura e urbanismo legados pelo passado. O governador Almir Gabriel, desde prefeito que foi de Belém (1993), assumiu essa iniciativa de restaurar os principais logradouros públicos e monumentos históricos de Belém, socializando ainda o uso do monumental acervo construído ao longo dos séculos.

O legado arquitetônico dos portugueses e as obras de Antônio Landi, José Vitória d’Andréa e Antônio Lemos jamais serão esquecidos enquanto perdurar o patrimônio histórico que perpetua seus nomes e embeleza a capital paraense. Recentemente, Nélio Lobato, Almir Gabriel, Coutinho Jorge, Hélio Gueiros e Edmilson Rodrigues se preocuparam em dar continuidade ao trabalho, resgatando o legado herdado e gerando um novo layout urbano de Belém. Mas deve-se a Almir Gabriel, desde que assumiu a Prefeitura de Belém (1993), a iniciativa de restaurar os principais logradouros públicos e monumentos históricos, além de socializar o uso do monumental acervo construído ao longo dos séculos.

Veneza da Amazônia – O engenheiro alemão Gaspar Gronfelts, que esteve no Pará nos fins dos anos 1700, também poderia constar na galeria dos grandes benfeitores de Belém, se não fosse a visão estreita dos portugueses da época que não aceitaram o projeto de transformar a cidade numa espécie de Veneza brasileira. O plano de Gaspar era aproveitar as três entradas de água de Belém. A primeira era o Igarapé das Almas (Doca de Souza Franco), que chegava até à Estrada do Paul D’Água (Av. Governador José Malcher). A segunda, o Igarapé do Piri (Av. Almirante Tamandaré), passando pela Cidade Velha até desembocar na doca do Ver-o-Peso e a terceira era um braço do rio Pará que entrava na atual Dr. Assis.

O engenheiro planejava a construção de lagamares com cais de pedra, a partir dos quais 150 metros receberiam gramados, bancos, quiosques e árvores, obras de Edmilson Rodrigues, atual prefeito de Belém, cita-se a formando belo bosque com românticas alamedas.

Projeto Orla – Sem falar na contribuição arquitetônica do italiano Antônio Landi, que construiu igrejas e palácios em Belém, o tenente-engenheiro José da Vitória Soares d’Andréa teve mais sorte que o engenheiro alemão – suas idéias foram aceitas pelo pai governador, mudando a face de Belém com trabalhos de aterro na orla fluvial da cidade.

Onde hoje estão construídos os Armazéns das Docas, o Boulevard Castilhos França, as Praças do Pescador, Waldemar Henrique e Magalhães, inclusive o Mercado de Peixe (Ver-o-Peso), parte do Porto de Santo Antônio e da orla da Cidade Velha até o Porto do Sal era inundado pelo do rio Pará e recebeu aterro, num trabalho que envolveu milhares de metros cúbicos de terra e pedra, além de muito sangue e suor escravo. Mas Belém ficou mais bonita e preparada para o futuro. Imagine a cidade sem essas obras!

Paris na América – Outro surto de progresso aconteceu nos fins de 1900 e início do século XX com Antônio Lemos. Belém já ganhara o Largo da Pólvora (Praça da República), o imponente Teatro da Paz, a praça de Salvaterra (Batista Campos), o Cemitério da Soledade e iluminação pública, além de palacetes e outras obras. Só faltava o toque de mestre de Lemos para transformá-la na Paris da América sonhada pelos paraenses.

Com Lemos surgiu o Mercado de Ferro do Ver-o-Peso, a Usina de Lixo, a extensão da Estrada de Ferro de Bragança para a vila de Icoaraci, Escola de Aprendizes de Marinheiro, e a arborização que transformou Belém na “Cidade das Mangueiras”. O importante, contudo, não foram apenas as construções de Lemos, mas o melhoramento dado às principais ruas e logradouros, em especial às praças da República e Batista Campos, num trabalho só comparável com o que foi realizado a partir de 1983, por Almir Gabriel.  

Resgate arquitetônico – A presença do médico Almir Gabriel no cenário político do Pará, que começou ainda no mandato do governo de Jader Barbalho, deu a Belém uma nova dimensão urbanística e cultural, resgatando o complexo do Ver-o-Peso (Mercado, Solar da Beira e Praça do Pescador), além das praças Batista Campos e República, que foram restauradas e receberam melhorias, dentre elas pavimentação em pedras portuguesas, inovação introduzida por sua administração. A velha estrutura de ferro do Ver-o-Peso foi toda cuidadosamente recuperada, assim como a Praça do Pescador e o prédio da Recebedoria Estadual, transformado no belo Solar da Beira, para funcionar restaurante e lojas de artesanato.

Desde o primeiro momento, Almir achou no jovem arquiteto e urbanista Paulo Chaves a resposta para a restauração do patrimônio histórico-cultural, com a característica de socializar o uso desses bens. Depois de dois anos e sete meses como coordenador de urbanismo do prefeito Almir Gabriel (1983-1985), Paulo Chaves deu continuidade ao trabalho exercendo a mesma função na administração Coutinho Jorge – foram mais três anos de embelezamento da cidade.

Durante esse período houve a restauração de chalés de ferro, herança dos tempos áureos da borracha. Os belos coretos da belle époque voltaram a ter seus dias de glórias nas praças ou ornando outros logradouros públicos.

Bens culturais e artísticos perdidos ou roubados foram reproduzidos após cuidadosa pesquisa, como no caso dos cisnes da praça Batista Campos, que receberam formas e tamanhos originais inspirados em antigas fotografias e pinturas que lhes guardavam a memória. A Feira do Açaí, próximo ao Forte Castelo, foi construída como espaço cultural, lugar para memoráveis noitadas, onde artistas e boêmios curtiam o cenário fluvial.

A Ladeira do Castelo, a primeira rua de Belém, ressurgiu na gestão de Almir Gabriel. O centro comercial também ganhou forma e estilo totalmente urbanizado, inclusive com calçamento em paralelepípedos e trilhos dos saudosos bondinhos. A Praça das Mercês voltou a brilhar, bonita como fora no passado. As feiras livres receberam novo layout e higienização. O importante, entretanto, é que as obras foram construídas por empresas paraenses, em especial a Barroso Ribeiro e Montemil.

Doca de Souza Franco – Outro prefeito que muito fez pela cidade foi Hélio Gueiros. Ele mudou o layout da Doca de Souza Franco e a transformou num dos points preferidos da juventude. Também cuidou das praças, urbanizou bairros e pavimentou diversas ruas, dentre elas a Pedro Miranda, 1º de Dezembro e tantas outras que receberam asfalto, meio-fio e iluminação pública, melhorando substancialmente o visual da cidade durante a sua gestão.

Praça Waldemar Henrique – Dentre as econstrução da antiga Praça Kennedy, hoje denominada Waldemar Henrique, em homenagem ao grande maestro e compositor paraense. A praça ganhou belo visual com concha acústica, playground e área de comercialização de produtos típicos. Isto mostra a preocupação com espaços para eventos populares.

Com o mesmo objetivo, Edmilson construiu na orla a Praça Ver-o-Rio, na antiga Doca da Panair, de onde se descortina bela panorâmica da Baia de Guajará e pode-se deglutir comidas típicas, bebiritar e apreciar artistas locais na praça de alimentação ao lado de pitorescas barracas, formando uma janela para o rio.

A praça Princesa Izabel, construída onde era a boêmia Condor, na orla do rio Guamá, deu mais beleza ao logradouro, que também ganhou píer para pequenas embarcações. Maior destaque merece a Aldeia Cabana construída por Edmilson no bairro da Pedreira. É um anfiteatro de múltiplo uso com arquibancadas, camarotes e passarela para grandes eventos como desfiles carnavalescos, shows artístico-culturais e outras manifestações populares. O Parafolia deste ano, maior micareta do Norte do País, deu um salto de qualidade na Aldeia Cabana, com mais conforto e segurança.

A restauração do Palacete Bolonha, a urbanização e pavimentação de ruas, iluminação pública e saneamento básico têm sido marcas da atual administração que, em conjunto com as obras executadas pelo governador Almir Gabriel,  dão hoje a Belém a condição de manter o título de Metrópole da Amazônia.

Projeto Feliz Lusitânia – Paulo Chaves voltou à cena com Almir Gabriel à frente do Governo do Estado, dedicando-se à Secretaria de Cultura do Pará e cuidando prioritariamente da memória artística e cultural do Pará. A importância histórica de Belém, como principal cidade da Amazônia e ponto de partida para a conquista portuguesa da Região, exigiu do governo a continuidade do trabalho de resgate da memória da capital, desta feita com ênfase para o patrimônio urbano, cultural e religioso que marcaram época nos diversos períodos paraenses.

O projeto Feliz Lusitânia é um exemplo deste esforço, pois visa a recuperação do centro histórico da cidade. O primeiro passo foi restaurar a igreja de Santo Alexandre e criar o Museu de Arte Sacra do Pará, resgatando o acervo barroco legado pelos missionários jesuítas, inclusive o prédio da velha igreja que precisava de urgentes reformas. A conclusão do Projeto se dará em 2002, com restauração do Forte do Castelo e das instalações da Quinta Companhia de Guarda, que hoje compõem o complexo arquitetônico do Projeto Feliz Lusitânia. A Igreja de Santo Alexandre, o Museu de Arte Sacra, o Forte Castelo, a 5ª Cia de Guarda, a Ladeira do Forte, Praça Dom Macedo Costa e a Catedral da Sé fazem parte da memória mais remota de Belém, espaços que o governo pretende abrir para a cultura e o lazer, onde a História, o folclore e a arte poderão ser apreciados por todos.

Parque Residência – Foi com essa visão que o governo Almir Gabriel, através da Secretaria de Cultura, transformou a antiga residência dos governadores num dos lugares mais aprazíveis de Belém, multifacetada em praça de lazer, teatro, centro cultural e de degustação de pratos típicos: O Parque Residência.

O complexo é composto pelo antigo patrimônio e de peças arquitetônicas que estavam dispersas e com a existência ameaçada, como o último dos galpões da velha Companhia de Gás do Pará (atual Teatro Estação Gasômetro), que tiveram reparos e adaptações, abrigando anfiteatro, praça de alimentação e espaços para o lazer do visitante, assim como o restaurante, o coreto e o orquidário, todos em meio a belo e bem cuidado jardim florido. Podemos também apreciar o vagão do ex-governador Magalhães Barata, saboreando bom sorvete de frutas regional e vislumbrar o passado a bordo do carro da ex-Estrada de Ferro de Bragança, que transportava o legendário e controvertido governante paraense.

Estação das Docas – Belém também ganhou, na atual administração Almir Gabriel, o maior complexo de lazer e turismo da Região, dando mais beleza e requinte ao Portal da Amazônia:  a Estação das Docas, complexo em frente à baia de Guajará (rio Pará), descortinando até mesmo de seu interior frestas panorâmicas da bela paisagem amazônica.

O arrojado projeto foi concebido pela Secretaria de Estado da Cultura, levou dois anos para recuperar e adaptar os quatro galpões da antiga área portuária da capital, pré-fabricados na Inglaterra no início do século XX. A Estação das Docas segue o exemplo de grandes centros como New York, São Francisco da Califórnia e Buenos Aires, onde portos foram transformados em pólos turísticos.

Com 33.000 m² de área construída e possuindo espaço para circulação de oito mil pessoas, a obra abriga, hoje, 17 lojas, cinco restaurantes, café, bar, sorveteria, buffet de comida a quilo, lanchonete, açaí e uma verdadeira fábrica de cerveja.  (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 34)

 
Apolonildo Brito

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