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Ariranha, espécie ameaçada na Região

A Ariranha é um dos maiores carnívoros da América do Sul. Chega a medir dois metros e pesa de 22 a 34 quilos, quando adulta. Por causa da destruição do seu habitat e da cobiça pela sua bela pele macia e sedosa, o anfíbio é alvo de caça predatória e está ameaçado de extinção em ambiente amazônico.

A Ariranha é um dos maiores carnívoros da América do Sul, um dos parentes próximos da lontra, porém bem maior e mais escura, com uma distinta mancha branco-amarelada no queixo, garganta e peito de forma variável, com a ponta do focinho coberta de pêlos. A cor geral, nas partes superiores, é marrom-pardacenta e, inferiormente, mais clara. Quando molhada, a coloração fica mais escura. Ela chega a medir até quase dois metros de cumprimento (incluindo a cauda) e pesa de 22 a 34 quilos, quando adulta.

Como a lontra, possui hábito diurno, gregário, vive ao longo das margens dos rios, onde constrói abrigos terrestres para proteger-se. É territorial e delimita sua área esfregando-se na vegetação circundante e com a urina. Ótima nadadora, usa a sua cauda achatada e muito musculosa,na base,como leme durante os deslocamentos na água. Mergulha bem e se alimenta sobretudo de peixes que captura no mergulho, saindo fora da água para comer. Não despreza, contudo, os crustáceos, moluscos e cobras, jacarés e pássaros aquáticos e ovos e filhotes destes. Captura a presa com a boca e a mantém segura com as mãos para ser consumida, muitas vezes, enquanto o animal nada de costas.

Face a seu tamanho, principalmente à forte dentadura, não recua nem mesmo diante de animais maiores que ela, inclusive seres humanos que por acaso invadem o seu território. Sua pelagem é curta e de coloração castanho-escura. Os pés são largos com membranas unindo os dedos.

Para os biólogos existem 13 espécies de lontras em todo o mundo, das quais apenas duas ocorrem no Brasil, a lontra (lontra longicaudis) e a Ariranha (pteronura brasiliensis), que pertence à família das mustelidae, cujo habitat encontra-se em regiões úmidas, rios, lagos, pântanos e, particularmente, nas águas negras da bacia amazônica. Vive próxima a cursos com cobertura vegetal nas margens, onde faz tocas para abrigar-se ou para procriação, sob as raízes das árvores ribeirinhas. Atualmente a Ariranha é encontrada nos rios da região amazônica (Brasil, Venezuela, Suriname, Guiana), no Paraguai e Uruguai. Existem também exemplares no Peru, Equador e Colômbia. Mas sua ampla ocorrência é mesmo na Amazônia, onde outrora era bastante comum, antes do abate para comercialização de sua bela pele, o que reduziu a população até quase à extinção. Hoje em dia, a Ariranha sobrevive graças a medidas de proteção da espécie no Brasil, Venezuela, Colômbia, Equador e Peru, principalmente em áreas protegidas, embora o isolamento dessas áreas de proteção dificultem a ação contra os predadores. Por outro lado, a Ariranha disputa os peixes com os seres humanos, o que a faz vítima de pescadores inescrupulosos que ainda abatem estes animais maravilhosos.

Além de notável por seus hábitos sociais, é raramente solitária, a Ariranha vive em grupos de quatro a nove indivíduos formados pelo par reprodutivo monógamo, com uma ou duas proles. Podem existir associações temporárias, onde grupos se fundem agregando até 20 indivíduos. O animal é brincalhão, barulhento e fácil de observar por causa dos gritos agudos e sopros que emitem enquanto fica dentro d’água e se comunica por diferentes vocalizações, nove dessas determinadas e estudadas.

Os grupos possuem territórios de aproximadamente 12 km², onde a gestação ocorre em torno de 70 dias, com dois a cinco filhotes por ninhada. Os filhotes nascem de olhos fechados e pesam aproximadamente 200 gramas. Apesar disso, a Ariranha está ameaçada de extinção, conforme o Ibama e a IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza), que a classifica como espécie vulnerável, em função da caça da espécie e da destruição do seu habitat, associados à poluição da água por agrotóxicos, produtos químicos, dejetos industriais e mercúrio despejados nos rios pelas lavouras, indústrias e cidades. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 73)

 
Apolonildo Brito

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