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Pesca esportiva pode mudar perfil do turismo

A Amazônia pode se tornar o maior pólo de pesca esportiva mundial, mudar o perfil do turismo nela praticado e faturar bilhões de dólares anualmente, se contar com as instituições ligadas ao setor e haver investimentos na região. A opinião é do jornalista Fernando Lopes de Oliveira, expert em pesca esportiva e profundo conhecedor da bacia amazônica.

Fernando é articulista da revista Pescador (São Paulo), editor do caderno Diário do Pescador do jornal Diário do Pará e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pesca Esportiva, além de consultor de varias entidades congêneres. Para ele, a pesca esportiva é um grande produto, fato que pode ser comprovado na economia norte-americana, que tem 1% do PIB resultante desta atividade, equivalendo a 60 bilhões de dólares anuais. Afirma que a Amazônia poderia disputar uma larga fatia deste mercado e ainda dos demais países do mundo, inclusive do próprio Brasil, pois reúne as condições naturais favoráveis ao desenvolvimento do esporte, com a extraordinária oferta de 1.600 espécies de peixes e uma rede de milhares de rios e lagos piscosos.

O especialista observa que o sonho americano, no universo de 36 milhões de pescadores ianques, é pescar na Amazônia. No Japão o numero chega a 30 milhões contra o mesmo tanto de brasileiros que praticam a pesca esportiva. Só no Município de São Paulo existem dois mil pesque-pagues para absorver cinco milhões do mercado. O pescador paulista gasta 16 a 18 dias por ano em viagens de pescarias, a US$ 1.600 por pessoa; o japonês consome 2.400 dólares por ano e o americano, por sua vez, gasta mais de US$ 1.400 anualmente, por pescador.

Fernando ressalta, entretanto, que apesar desse imensurável mercado consumidor; a pesca esportiva na região ainda está muito incipiente, tendo apenas dois locais devidamente organizados no sentido empresarial: pousada da Gean-Ecotur no Estado de Roraima e a pousada Tamagu, no rio São Benedito, região do Cachimbo (Oeste do Pará). O restante, segundo o jornalista, é de “pescarias de eventos” que acontecem durante torneios e festivais promovidos por Prefeituras, mas de grande validade para mostrar o potencial de pesca de cada município;

O jornalista descarta os possíveis impactos ambientais e sociais se a Amazônia se tornar um polo mundial de pesca esportiva. Ele declara, categórico, que a ecologia regional não sofrerá grandes danos se houverem medidas preventivas, já que o esporte está hoje voltado ao pesque-e-solte. “O fato do pescador fisgar o peixe, tirá-lo da água, fotografá-lo e soltá-lo não vai causar desequilíbrio aos ecossistemas. Porque somos tão ricos em espécies e lugares diferenciados para todos os tipos de pesca. A grande responsabilidade pelos danos ambientais cabe aos governos, aos que exploram esses segmentos e as comunidades envolvidas e não ao turista.

A falta de mecanismos institucionais de proteção, fiscalização e incentivo para que o esporte possa a ser explorado de maneira racional, também tem responsabilidade sobre os efeitos negativos ao meio ambiente, que deve ser coordenadopara criar novas fontes de renda, empregos e receitas para os Estados, pois não existe indústria melhor, com tantos resultados positivos quanto a atividade turística, irmã siamesa  da pesca esportiva”, afirma Fernando.

Sobre o assunto, o jornalista enfatiza que o Pantanal mato-grossense está enfrentando sérios problemas por falta de leis ambientais internacionais eficientes, apesar de ter recebido de São Paulo 13.400 pescadores embarcados somente pela TAM. Sua pesca esportiva está comprometida por causa da legislação paraguaia, que tudo permite a alguns metros da área pantaneira. O governador de Mato Grosso, algum tempo atrás queria fechar a pesca no Pantanal por dois anos, um recurso para preservar e recuperar a segunda maior fonte de Estado, que é o turismo, mas foi obrigado a fazer concessões para conviver com a situação.

“O Pantanal é rico em pescado e ambientes naturais, mas paga um alto preço ecológico pela sua vizinhança com o Paraguai. Já a Amazônia, como um todo, tem muitos pontos favoráveis em relação ao território pantaneiro, pois possui uma maior fauna aquática em cerca de quatro mil rios piscosos que ainda se praticamente livres de predadores. Outro ponto favorável é ter o primeiro modelo de pesca esportiva em Roraima – Boa Vista, na pousada Gean-Ecotur, com sentido empresarial e preservacionista, possuindo 46 áreas de manejo em afluentes do rio Branco. É um exemplo de modelo mundial, porque acima de tudo está o equilíbrio da área manejada. A Gean-Ecotur tem infraestrutura completa para o conforto e segurança do turista: pousadas, hotel flutuante, lanchas, aviões e locações para pesca esportiva. Por outro lado, no Estado do Pará, outra organização voltada para a pesca esportiva se destaca: a pousada Tamaçu (rio São Benedito) de Carlos Arroio e Jean Wilt, respectivamente as duas maiores expressões empresariais do setor. A pousada tem maior acesso por Alta Floresta (MT) e está com lotação reservada até 2003. Em termos de legislação, o Pará vai ser o Estado mais avançado, porque prepara leis próprias e únicas de proteção aos seus ecossistemas”, argumenta Fernando.

Ele comenta, ainda, que a par das vantagens de Roraima e Pará, a

Amazônia ainda não definiu um modelo para a pesca esportiva, razão pela qual alguns Estados terem certa dificuldade. Cita o exemplo do Estado do Amazonas, no qual se pescava a apenas cinco horas de Manaus e que hoje demanda 72 horas de navegação rio a dentro, num pacote de sete dias de pescaria vendido pelas agências de turismo.

Em relação aos pontos reais e potenciais de pesca esportiva na região, diz-se que tirando o rio Amazonas, todo e qualquer de seus afluentes e paranás menores são propícios ao esporte, tendo como exponencial o Estado do Pará, com rios que apresentam até 19 espécies de peixes por quilometro quadrado. O Amazonas, por sua vez, já não tem tantas espécies, mas possui o tucunaré de maior peso, o segundo peixe esportivo disputado no mundo. O primeiro é a pirapema.

Fernando critica o fato do Iago de Tucurui ter tido prejuízo incalculável com a construção da usina hidrelétrica sem o devido preparo de eclusas para o fluxo de várias espécies de peixes. A represa só conseguiu procriar duas ou três espécies, mas destaca a grande quantidade de tucunarés ali existente. Os rios Trombetas (Oriximina), Iriri, Xingu e Curua (Altamira) são outros excelentes Iocais para se desenvolver projetos de pesca esportiva. O Amapá tem o peixe mais esportivo do mundo, a pirapema, tipicamente de água salgada, além de outros que abundam nos rios Cunani, Calgoene e Araguari. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 30)

 
Apolonildo Brito

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