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Biodiversidade: a natureza viva do Amapá

Rico em biodiversidade, o Amapá desponta com A menor taxa de degradação ambiental entre os estados brasileiros, possui 30% de seu território protegidos por áreas de preservação e reservas indígenas, além de executar à risca um programa de desenvolvimento sustentável. Seu cenário é composto por sete grandes ecossistemas praticamente intocados pelo homem: manguezais, rios, lagos, várzeas, floresta tropical de terra firme e cerrados.

Exuberante por natureza, o Estado do Amapá desfruta de posição privilegiada no Brasil. Possui a menor taxa de alteração ambiental (1,9% do seu território) do país e adota efetivamente um programa governamental de desenvolvimento sustentável capaz de assegurar a preservação de sua biodiversidade. Por outro lado, o Estado do Amapá apresenta um conjunto significativo de áreas protegidas e reservas indígenas, abrangendo 40 mil km², correspondendo a cerca de 30% da superfície total do Estado, quatro vezes maior que a média nacional e o dobro da média da Região Norte.

A diversidade de ecossistemas em nível adequado de conservação, baixa densidade populacional, alta potencialidade de utilização de recursos naturais renováveis, recursos minerais inexplorados, biodiversidade intacta, cenários de grande beleza natural e acesso estratégico aos mercados, são as principais vantagens comparativas do Amapá frente a outras regiões da Amazônia e do país.

Seu cenário é composto por sete grandes ecossistemas praticamente intocados pelo homem, abrangendo manguezais, rios, lagos, várzeas, floresta tropical de terra firme e cerrados. É o hábitat natural dos mananciais pesqueiros, ninhais de aves exóticas e dos fenômenos formidáveis da biodiversidade, com milhões de seres animados e milhares de espécies vegetais.

Pouco povoado (500 mil habitantes), o Estado possui uma rica etnia, composta por 4.300 índios (Galibi, Karipuna, Palikur e Waiãpi), brancos, negros e mestiços que vivem harmonicamente, gozando respeito e proteção.

São esses os componentes que fazem despertar sua verdadeira vocação: o ecoturismo e a exploração racional de seus quase inesgotáveis recursos naturais.

Espécie rara e exclusiva da Amazônia, o beija-flor-brilho-de-fogo (Topaza Pella) é a prima-dona das matas de Serra do Navio, município amapaense situado a 200 km de Macapá, capital do Estado. Vive a pouca altura, disputando com outros indivíduos as flores de sua preferência. Ele também é chamado de jóia da natureza, pela beleza e graça com que executa movimentos: capaz de parar no ar, voar de marcha-ré e hibernar durante a noite, sendo um colecionador de recordes: seu minúsculo coração pesa quatro gramas e bate suas asas 2.850 vezes por minuto, sendo importante colaborador no processo de germinação de muitas espécies vegetais.

Conhecido também como Topázio Vermelho, é valente, vocalizando ativamente para expulsar os concorrentes de seu território. O macho tem duas penas na cauda muito alongadas e cruzadas, garganta dourada ou verde-metálica e barriga vermelho-metálica; a fêmea tem a coloração verde-amarronzada com garganta vermelho-metálica. A parte superior do corpo é pardo-acobreada.

Em virtude das penas da cauda, esse colibri é considerado o gigante do grupo, pois mede cerca de 20 cm. Situado no extremo-norte do país, o Estado do Amapá tem uma superfície de 140.276 km², que corresponde a 1,6% do Brasil e 3,6 da Região Norte. Faz fronteira com o Estado do Pará, Guiana Francesa e Suriname, possuindo 600 km de costa atlântica e 655 km de fronteira estrangeira.

Relativamente pequeno, se comparado com outros Estados da Amazônia, o Amapá concentra uma das maiores diversidades em ambientes naturais, já que faz parte de dois grandes domínios geográficos: o amazônico e o oceânico, o que lhe atribui características muito peculiares quanto à formação e estruturação de seus ecossistemas.

Do ponto de vista do relevo, o Estado é dividido em duas grandes regiões: uma de relevo suavemente ondulado, com alturas médias entre 100 a 200 m, mas que podem atingir extremos de 500 m, constituídas por rochas cristalinas metamórficas e cobertas de floresta densa, e outra região costeira de planície, que se estende até o Atlântico, ao leste, e até o rio Amazonas, ao sul.

A cobertura vegetal do Amapá apresenta-se em dois padrões principais: as formações florestadas, com florestas densas de terra firme, florestas de várzea e manguezais e formações campestres, com cerrados e campos de várzea inundáveis ou aluviais. A floresta de terra firme é o ecossistema de maior representatividade, ocupando mais de 70% da superfície do Estado. É o ambiente com maior biodiversidade e biomassa, abrigando essências de grande valor madeireiro, oleaginoso, resinífero, aromatizante, corante, frutífero e medicinal. Constitui um dos principais potenciais produtivos do Estado.

A floresta de várzea caracteriza toda a área de influência fluvial, representando o ambiente típico da Bacia Amazônia, inclusive em termos de ocupação econômica por populações ribeirinhas. Predominam espécies de alto valor produtivo e importância sócio-econômica como açaizeiros, andirobeiras, seringueiras, virolas, paus-mulatos e macacaubeiras, entre outras.

Os manguezais formam um ecossistema bem delimitado ao longo da região costeira, diretamente influenciada pela hidrodinâmica do rio Amazonas, apresentando alta produtividade primária e significativa riqueza e diversidade de estoques faunísticos estuarinos e oceânicos.

O cerrado ocupa a faixa do domínio geológico da Formação Barreiras e biologicamente representa um enclave do ambiente típico do Brasil Central, apresentando espécies endêmicas e grande intervenção antrópica por estarem localizados nesses ecossistemas os principais cultivos de florestais homogêneos.

O campo de várzea é um ambiente largamente distribuído no Estado, de natureza aluvional e submetido a regimes flúvio-pluviais ligados a um complexo sistema de drenagem que envolve cursos d’água, lagos temporários e permanentes.

A área alterada do Estado do Amapá, incluindo desmatamentos e outras formas de antropização, é somente 2.795 km², ou 1,9% do seu território, de acordo com dados do Zoneamento Ecológico Econômico (1998). A concentração da população no eixo da única rodovia parcialmente asfaltada, que liga o Estado de norte a sul, a    BR-156, com ramificações pouco impactantes, tem assegurado a existência de grandes áreas contínuas com cobertura vegetal não alterada por ações antrópicas. Inúmeras cachoeiras situadas nas diferentes bacias hidrográficas, também impedem a exploração do interior do Estado.

Tudo isso são trunfos que o Amapá traz para o seu desenvolvimento harmônico, inclusive por sua privilegiada localização geográfica, próxima dos países de Primeiro Mundo e integrada ao Platô das Guianas. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 37)

 
Apolonildo Brito

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