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Morada do primeiro homem nas Américas

O primeiro homem a habitar o continente americano viveu há pelo menos 11.200 anos, num conjunto de cavernas do município paraense de Monte Alegre, microrregião do Médio Amazonas, a 650 quilômetros da capital do Pará. Essa recente descoberta é da arqueóloga norte-americana Anna Roosevelt, que esteve na região no início da década de 90.

A descoberta é da equipe de arqueologistas do Field Museum de Chicago, chefiada pela notável arqueóloga Anna Roosevelt – bisneta do presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt e sobrinha-neta de outro presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt – que trouxe a lume o fato que revoluciona a Pré-História da presença humana nos continentes americanos. Até o dia 19 de abril de 1995, quando a descoberta foi publicada na revista Times Science, pesquisas arqueológicas davam o sítio de Clovis, no Novo México (EUA), como a primeira morada do homem nas Américas.

A teoria até então predominante era que grupos primitivos provenientes da Sibéria teriam entrado na América do Norte através do estreito de Bering. E depois de a habitarem por milênios, ingressaram na América do Sul pelo Istmo do Panamá.

Descoberta – Entre 1991 e 1992, a equipe escavou a Caverna da Pedra Pintada e 14 sítios arqueológicos de Monte Alegre. A área dista 45 quilômetros da sede do município e é composta de cavernas formadas nas serras Ererê Paytuna.

Nas escavações foram resgatadas 14 flechas e pontas-de-lança em pedra lascada, buriladas pelas tribos que habitavam o local. Levadas à Suíça para teste em carbono 14 (que avalia a idade do material), ficou comprovado que o achado pertenceu a grupos humanos que ali viveram há cerca de 11.200 anos, o mais antigo registro arqueológico até então descoberto nas Américas.

Segundo estudos de Anna Roosevelt, no decorrer de quatro séculos, entre 11.200 e 9.800 anos, os habitantes das serras do Ererê Paytuna viviam da caça e da pesca, além da coleta de frutas e raízes. Outro dado importante é que eles eram hábeis pintores. Deixaram nas paredes das cavernas marcas de inteligência pré-histórica superior, manancial de aspectos da vida cotidiana que levavam. Tudo em tamanho suficiente para ser visto de longe.

Na Serra da Lua, por exemplo, há uma representação do Sol e da Lua. O desenho está a cem metros de altura: o Sol aparece de cabeça para baixo e a Lua, em pé. Até agora não foi descoberto o motivo dessas colocações, mas presume-se que os artistas pré-históricos desejavam mostrar o antagonismo entre os dois astros celestes.

Anna Roosevelt também descobriu que os primeiros brasileiros apreciavam comer tartarugas e pirarucu, pois entre o farto material encontrado pela equipe do Field Museum, se amontoam fragmentos de espinhas de peixes, cacos (que comprovam serem hábeis cerâmicos), além de sementes carbonizadas de achuá, jutaí, pitomba, muruci, piranga e tarumã, com várias idades cronológicas. Ossos de ratos, sapos, morcegos, pássaros, antas e porcos-do-mato foram também encontrados no sítio arqueológico. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 17)

 
Apolonildo Brito

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