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Círio de Nazaré, festa de devoção dos paraenses

As principais ruas do centro de Belém do Pará ficaram com as suas dimensões totalmente tomadas por uma multidão de fiés, dia 11 passado, com a realização de mais um Círio de Nazaré, a maior festa religiosa do Brasil, que reuniu quase dois milhões de pessoas na monumental procissão. O Círio é celebrado no Pará há mais de dois séculos e teve origem na cidade de Vigia, cem anos antes de Belém.

A 206ª versão do Círio, considerada no Pará como uma verdadeira ‘‘pororoca de fé’’ à Virgem Maria, personagem bíblica que é devotada desde poucos séculos da Era Cristã, em Nazaré, local onde Ela viveu e no qual foi talhada a sua primeira imagem.

A imagem milenar da Santa, feita de madeira, identificada como original, perambulou pelo mundo, carregada por mãos humanas, até surgir em Portugal, no século XII e ser objeto de fé do fidalgo Fuas Roupinho, o qual mandou erigir uma capela em homenagem à Santa, após milagrosamente salvar-se de um acidente quando montado a cavalo perseguia um veado.

A introdução da devoção à Maria no Pará, entretanto, foi feita por padres jesuítas, em 1793, à luz de outra pequena imagem em madeira encontrada por um caboclo chamado Plácido, onde hoje está a bonita Basílica de Nazaré, em Belém. Desde aí, ano a ano cresceu a fé na Mãe de Jesus, entre os paraenses, tamanha que transpôs as fronteiras do Estado. Tornando-se hoje um acontecimento mundial, guindado pelo advento da Internet e por outros avanços tecnológicos na área da comunicação.

Foram paraenses, em grande parte, que levaram a alegria do Círio para outros rincões brasileiros, a exemplo de Rio, São Paulo e Brasília, onde também se realizam festas em homenagem à Santa Mãe, além de locais como São Luís, Fortaleza, Macapá, Manaus, Porto Velho, Rio Branco, Boa Vista e numerosas outras cidades da Amazônia.

A celebração do Círio de Belém nasceu posterior ao que acontece em Vigia, também no Pará. Sobre a devoção mariana naquela localidade, o padre João Filipe Bettendorf assim se reportava em sua ‘‘Crônica’’, ainda no século XVII: ‘‘Na Vigia, o que se tem de melhor é a imagem milagrosa de Nossa Senhora de Nazaré, que de todas as partes se freqüenta de romeiros, que vão lá fazer suas romarias e novenas’’.

Em 1182, gritou Fuas Roupinho: ‘‘Senhora, valei-me!’’, quando estava prestes a cair com cavalo num precipício, em Portugal. A súplica foi escutada e o fidalgo portugues salvo pela fé. Aí nascia a devoção ocidental à Virgem Maria de Nazaré, hoje espalhada pelo mundo inteiro, mas com maior ressonância em Belém do Pará, que festejou o Círio dia onze passado, em alusão à ‘‘milagrosa Nossa Senhora de Nazaré’’, como bem dissera Filipe Bettendorf, há três séculos, na pequena Vigia.

 

Em Vigia, a primeira versão

A cidade da Vigia leva consigo a primazia de ser o local onde primeiro se rendeu homenagem à Virgem de Nazaré, no Estado do Pará. Enquanto em Belém a festa à Mãe de Jesus começava 1793, um século antes, na Vigia a devoção já existia. A foto mostra a suntuosa Matriz da Vigia, iluminada para o festejo.

 

Almoço do Círio

A festa à Virgem de Nazaré também é celebrada com quitutes regionais, no tradicional Almoço do Círio, quando o paraense reúne a família em torno da mesa, para confraternizar e receber parentes que chegam de longe. O principal prato servido é o Pato no Tucupi. Contudo, a maniçoba, o vatapá, o caruru, casquinha de caranguejo, camarões e peixes também são muito apreciados pela família paraense, no grande Dia do Círio. Para os romeiros sem parentes na capital, os quitutes são oferecidos em restaurantes ou nas dezenas de barraquinhas do Arraial de Nazaré e Ver-O-Peso. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 19)

 
Apolonildo Brito

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