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Cuia pintada: arte e beleza ao tradicional

Originária dos indígenas, a cuia se incorporou aos costumes da Amazônia como utensílio essencial ao dia-a-dia do povo. Você já imaginou deliciar o nosso tradicional tacacá em outra vasilha, senão numa cuia? O amazônida diz que a cuia é que dá o paladar ao tucupi e à goma, os principais ingredientes do tacacá. O gostoso açaí também é saboreado neste utensílio que de tão enraizado na cultura cabocla, muitos o tem como objeto pessoal.

A cultura da cuia é tamanha na Região, que se trans formou em objeto de arte e de múltiplo uso. As cuias pintadas de Santarém ganharam fama e consagraram vários artesãos da região. João Fona foi um desses virtuoses na arte da cuia pintada, deixando legado e sucessores.

O artista plástico Laurimar Leal, por sua vez,  explica que os primeiros artesãos da cuia surgiram em Monte Alegre, cidade práxima a Santarém e que, por causa da  arte seus habitantes receberam o cognome Pinta Cuia. Mas foi em Santarém que ganhou notoriedade. Laurimar diz que o preparo da cuia é feito com uma tintura chamada cumatê, tipo de lama extraída do achuazeiro apodrecido n’água. Primeiro rapa-se bem a fruta da cuieira pelo lado de fora e pinta-se com a lama do cumatê, dando-lhe uma coloração marrom.

Antigamente, após esse proces-so, a cuia sofria uma defumação com o vapor da urina humana choca, que era fervida ao fogo. Isto fazia a cuia adquirir coloração negra e brilhante. Hoje, a urina choca é substituída, na maioria das vezes, pelo amoníaco. O múltiplo uso da cuia va-ria de tigelas a coiós para guardar objetos, semelhante a uma bolsa tiracolo, que pode ser bordada, pintada ou ter aspecto natural, quando recebe o nome cuia-pitanga. A cuia também serve para decoração e ainda é usada como bustiê e instrumentos carnavalescas e folclóricos. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 21)

 
Apolonildo Brito

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