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Belém do Pará, um jardim cultural

Belém, a capital do Pará, é uma das dez cidades mais movimentadas e atraentes do país, cuja modernidade e agito dão-lhe destaque dentre as capitais brasileiras, tendo ainda bem vivos os sinais do seu passado rico e glorioso nas igrejas seculares, nas praças públicas e nos casarios da Cidade Velha que abriga um patrimônio histórico raro, eivado de prédios revestidos com azulejos europeus, relíquias e outras importantes lembranças culturais.

Portal da Amazônia, cidade se destaca pelo seu rico patrimônio cultural, Belém, a capital do Pará, é uma das dez cidades mais movimentadas e atraentes do país, cuja modernidade e agito dão-lhe destaque dentre as capitais brasileiras, tendo ainda bem vivos os sinais do seu passado rico e glorioso nas igrejas seculares, nas praças públicas e nos casarios da Cidade Velha que abriga um patrimônio histórico raro, eivado de prédios revestidos com azulejos europeus, relíquias e outras importantes lembranças. Em 2006, mais precisamente no dia 12 de janeiro, Belém completará 390 anos de existência.

Algumas ruas da capital, estreitas, dão a impressão de que na cidade o tempo parou. No entanto outras são verdadeiros túneis de frondosas e refrescantes mangueiras que dão conta da larga visão urbanística adotada no passado. É a maior metrópole da Linha do Equador, carinhosamente apelidada de “Cidade das Mangueiras”. É com essa referência que a capital paraense é exportada para o mundo inteiro pelo segmento turístico. É a porta de entrada para a região Norte e também denominada de Cidade Morena, característica herdada da miscigenação do povo português com os índios Tupinambás, nativos habitantes da região à época da fundação ocorrida em 12 de janeiro de 1616, após a expulsão dos franceses de São Luís do Maranhão, pelo capitão-mor Francisco Caldeira Castelo Branco, quando foi construído na elevação chamada pelos índios Tupinambás de Mairi, um forte de madeira, coberto de palha, denominado Forte do Presépio, onde se encontra atualmente o Forte do Castelo. O povoado ganhou importância histórica por garantir a soberania dos colonizadores lusitanos sobre o norte do Brasil e ainda por tornar-se ponto de expansão da comercialização das chamadas “drogas do sertão”, como canela, urucu e outras.

Belém teve apogeu durante o ciclo da borracha, época (virada do século XIX para XX) em que começou a assumir aspecto de grande cidade, com ruas calçadas de paralelepípedos de granito importado de Portugal, e foram construídos os grandes edifícios públicos, os serviços telegráficos através de cabos submarinos, a drenagem dos alagados do Reduto, o sistema de iluminação a gás e o majestoso Teatro da Paz, a Catedral, a Igreja de Nazaré e a Igreja do Carmo, entre outros.

O Mercado do Ver-o-Peso, hospitais, quartéis e cemitérios resultaram da pujança da economia da borracha. Tal patrimônio torna a cidade rica em história, mas é na cultura e na natureza que ela pode ser vista na sua forma mais exuberante, em cada uma de suas ilhas, verdadeiros paraísos ecológicos que circundam a capital dos paraenses, rica em cores, cheiros e sabores que exalam de sua típica culinária, dos frutos de sua natureza e das fragrâncias de suas ervas e raízes, da colonização portuguesa e das heranças índia e africana.

Essas miscigenações cultural e racial também se fazem presentes no artesanato e no folclore riquíssimos. De um lado uma cidade moderna em perfeita harmonia com a natureza, digna de uma metrópole amazônica, e do outro a arquitetura secular de origem nitidamente portuguesa com um toque do neoclássico francês.

A culinária é excepcional pela sua variedade com elementos europeus e indígenas, mais ou menos misturados. Apesar do calor da região, muitas comidas são quentes e apimentadas, com caldos de plantas regionais, como o tucupi, que é retirado da mandioca. As frutas, com sabores e cheiros inconfundíveis e desconhecidos para pessoas de regiões não-tropicais, podem ser saboreadas in natura ou como sucos e sorvetes de qualidade superior.

O Ver-O-Peso é a mais movimentada feira livre de Belém. Sua origem data da segunda metade do século XVII. O nome deriva da obrigatoriedade de na época conferir o peso das mercadorias no posto fiscal, na Casa do Haver-o-Peso. Situado à beira da Baía do Guajará, símbolo cultural e turístico da cidade, o Ver-O-Peso é um dos cartões postais mais conhecidos do Estado do Pará e até da região amazônica. É lugar onde se encontra uma amostra do universo de variedade da cultura paraense. Lá, são comercializados, diariamente, diferentes espécies de peixes e frutas, plantas ornamentais, artesanato e uma variedade de ervas medicinais usadas para o preparo de chás, banhos e defumações.

A Feira do Açaí, que faz parte do complexo do Ver-o-Peso, além da venda do açaí que vem das ilhas próximas, dispõe de bares onde os freqüentadores desfrutam da tranqüilidade de poder experimentar bebidas e comidas típicas ao sabor da brisa que sopra da Baía do Guajará.

Marco da fundação da cidade de Belém, onde os portugueses desembarcaram sob o comando de Francisco Caldeira Castelo Branco com o objetivo de conquistar terras amazônicas e defender a região da invasão de estrangeiros, o Forte do Presépio hoje sobressai altaneiro como que a comandar o passado que fortemente ainda exala na Cidade Velha.

O Teatro da Paz é a mais importante casa de espetáculos do Estado do Pará e um dos mais conceituados do Brasil. Ostenta e simboliza a riqueza dos tempos áureos da borracha. Seu projeto foi elaborado pelo engenheiro Tibúrcio Pereira Magalhães no estilo neoclássico. A construção começou em 1868 e só terminou seis anos depois, em 1874. As colunas que rodeiam a parte externa são do legítimo estilo grego. No espaço interior, piso, paredes, teto, lustres e escadarias atestam a fama de excelente casa de espetáculos. Possui sala de espetáculos com 1.100 lugares. É conhecido por ter a melhor acústica das casas do gênero e palco das mais conceituadas apresentações.

A Igreja da Sé foi projetada pelo arquiteto italiano Antonio Landi e a construção iniciada em 1748. A Catedral Metropolitana de Belém ou Igreja da Sé, em estilo barroco e neoclássico, é considerada uma das mais belas igrejas do Brasil em arquitetura e artes sacras. Abriga em seu interior imagens em afrescos, telas e painéis. É o ponto de saída do Círio de Nazaré.

O Museu Emílio Goeldi foi fundado em 1866 pelo naturalista Domingos Soares Ferreira Pena. Seu Parque Zoobotânico, aberto à visitação, fica numa das avenidas mais movimentadas de Belém, a avenida Nazaré. Contabiliza mais de duas mil espécies de plantas e árvores, animais exóticos e um aquário com espécies raras da região amazônica. Com um acervo considerável nas áreas de Arqueologia, Antropologia, Botânica e Zoologia, o Goeldi dispõe de biblioteca especializada em História Natural e mantém uma exposição de produtos marajoara e tapajônico. É a instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia e centro de referência a pesquisadores do mundo inteiro.

O Bosque Rodrigues Alves é uma reserva ecológica de 16 hectares na avenida Almirante Barroso, corredor de entrada de Belém. Criado em 25 de agosto de 1883, foi idealizado com o objetivo de preservar o ambiente natural na área urbana de Belém. As 2.500 espécies florestais do bosque não foram plantadas. A reserva, de mata nativa, foi apenas cercada para que a cidade pudesse desfrutar de um pedaço natural da floresta amazônica.

O Palácio Lauro Sodré, que foi sede do governo paraense, é obra do arquiteto Antônio Landi datada de 1771. É uma versão portuguesa dos temas neopaladianos da Itália. Após servir por muito tempo para os despachos dos governadores, hoje o Lauro Sodré é o Museu do Estado do Pará. Já o Palácio Antonio Lemos levou cerca de 15 anos para ser construído. O estilo Império Brasileiro lembra o Palácio Imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro. É atualmente a sede da Prefeitura Municipal de Belém, onde funciona também o Museu de Arte de Belém. O Parque Residência, por sua vez, moradia oficial dos governadores do Estado durante várias décadas, foi transformado num complexo cultural e de lazer, abrigando ainda a nova sede da Secretaria de Cultura (Secult).

Com frondosas árvores, a Praça Batista Campos é uma das mais tradicionais de Belém. Exibe coretos de belo estilo com motivos do século passado. Foi construída na fase áurea da borracha e inaugurada em 1904. O complexo formado pela Igreja de Santo Alexandre, Museu de Arte Sacra (MAS) e Galerias de Artes Fidanza chama-se Feliz Lusitânia, em homenagem à importância dos portugueses no desenvolvimento do então povoado do século XVII até à Belém de hoje, a Metrópole da Amazônia que ainda dispõe de outros inúmeros locais de lazer e entretenimento, destacando-se os bucólicos balneários de Mosqueiro e Ajuruteua e Salinópolis, onde o Sol e oceano Atlântico são testemunhas de tudo de bom que ali acontece. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 74)

 
Apolonildo Brito

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