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Sairé, a festa folclórica de alter do chão

O Boto Tucuxi, bicampeão do Festival Folclórico de Alter do Chão, foi desbancado este ano por seu rival Boto Cor-de-Rosa, num embate acirradíssimo na arena Çairódromo da vila balneária que sedia o evento. O espetáculo folclórico avançou em beleza e adquiriu identidade própria no contexto da cultura regional, desvinculando-se do tribal parintinense e tornando-se uma opereta cabocla.

O Boto Cor-de-Rosa vence merecidamente o Festival Folclórico do Çairé 2001, quebrando a hegemonia do bicampeão Tucuxi. A contagem final deu ao Cor-de-Rosa 13 pontos a mais sobre o oponente. A festa deste ano foi bonita, como tem acontecido há cinco anos, depois que trocou de data e local de realização, mas com público e espetáculo na Lagoa Verde do Çairódromo (anfiteatro) inferiores aos do ano passado. Contudo, o evento teve atributos positivos, como a sensível melhoria da qualidade ambiental na Ilha Verde e o nível da organização como um todo. Os shows que complementaram a festa foram outros fatos positivos, pois voltaram-se para as bandas e artistas da Região Amazônica, para não destoar o empenho de promover a cultura regional.  A transferência do show da Ilha Verde, ícone de Alter do Chão, para a praia do Cajual, no rio Tapajós, livrou o cartão postal de Santarém da superlotação que poluía a famosa praia e as límpidas águas do Lago Verde.

Com as novas medidas, o prefeito Lira Maia valoriza a visita de milhares de turistas durante o Çairé, facilita a maior participação popular no show de domingo, o último do período e, ao mesmo tempo, torna o festival folclórico apresentado pelos Botos Tucuxi e Cor-de-Rosa como a principal atração da festa de Alter do Chão.

O que mais surpreende nos espetáculos oferecidos pelos Botos Tucuxi e Cor-de-Rosa é a capacidade que as organizações folclóricas têm para superar a falta de recursos e o retarde no planejamento dos organizadores oficiais do evento, que não contam com o patrocínio efetivo do Governo do Pará. Enquanto os Bois de Parintins recebem cerca de R$ 6 milhões (3 milhões do Governo do Amazonas) planejados um ano antes, para encantar o mundo inteiro, o Botos de Alter do Chão mínguam menos de 200 mil reais para preparar o belo folclore que apresentam no Çairé. O pior é que os recursos só começam a chegar um mês antes da festa, o que prejudica o melhor desempenho das agremiações de Alter do Chão. Basta dizer que em julho os Botos ameaçavam não se apresentar este ano, porque a Prefeitura de Santarém nem sequer havia programado o evento ou fechado os patrocínios, que só chegaram às vésperas da festa. Os discos com as toadas do Botos só chegaram na semana do Çairé, por exemplo.

Mesmo assim, isso é fantástico. O espetáculo folclórico do Çairódromo avançou em beleza e adquiriu identidade própria no contexto da cultura regional, desvinculando-se do tribal e tornando-se uma opereta cabocla. Imagine se o Çairé 2002 for planejado agora em 2001 com patrocinadores certos, inclusive o Governo do Estado.

 

Tradição do ritual religioso

Paralelamente ao floclore dos Botos apresentado à noite no Çairódromo, o ritual religioso do Çairé, originário da festividade, acontece há mais de 300 anos com a procissão dos mastros, ladainhas e outros ingredientes aculturados dos índios Borari, em homenagem a Santíssima Trindade. O ícone do evento é um semicírculo revestido de fitas com três cruzes internas representando Deus Pai, Filho e  Espírito Santo, sinal de boas-vindas aos colonizadores portugueses. Antes, o Çairé era festejado no fim de junho como atração única e principal de Alter do Chão. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View -  Edição 40)

 
Apolonildo Brito

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