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Museu Goeldi – 135 anos de pesquisas científicas

O Museu Emílio Goeldi completou 135 anos, sempre atraindo a atenção de cientistas e turistas pelo trabalho pioneiro que desenvolve na Amazônia e pelo acervo que possui – único no mundo. O Museu possui 26 mil livros, seis mil periódicos, fotografias, filmes, fitas, microfilmes, jornais e folhetos, 800 espécies botânicas, 600 animais, 81 mil peças arqueológicas, seis mil espécimes paleontológica e mineralógica, além de mais de mil amostras diversas

Três foram as fases que deram prestígio ao Museu Paraense Emílio Gueldi (MPEG): a fase Emílio Goeldi (1895-1921), com soberba produção científica, amparada pelos lucros do auge do Ciclo da Borracha na região; a fase de Carlos Estevão de Oliveira (1930-1945), apoiada pelo então intendente Joaquim Cardoso de Magalhães Barata, que possibilitou grande avanço na pesquisa aplicada sobre animais silvestres e piscicultura; e, a partir de 1955, a fase da administração federal sob a tutela do CNPq, que lhe deu um novo vigor e a estrutura que dispõe atualmente. Hoje, o MPEG inaugura uma nova e importante fase administrativa.

Associação Philomática, criada pelo naturalista Domingos Ferreira Penna, em Belém do Pará, foi o núcleo do Museu Paraense, mais tarde denominado Museu Paraense Emílio Goeldi, para homenagear o cientista que tanto fez pela ciência brasileira. O objetivo era fundar uma instituição que se responsabilizasse pela formação de acervos científicos, além de documentar e difundir conhecimentos.

O MPEG nasceu do idealismo de homens que acreditavam no futuro da Amazônia e vislumbraram a necessidade de inventariar os seus imensos recursos naturais, estudando a flora, a fauna, o homem e seu meio físico, sendo pioneiro nos estudos antropológicos na região. Coleções para pesquisas e exposições públicas foram organizadas, orientação que permanece desde 1866, acrescida da responsabilidade de formar e capacitar recursos humanos. Missão que se realiza na orientação universitária nas áreas de Ciências Humanas, da vida e da terra, nos cursos de especialização, mestrado e doutorado mantidos em convênios com outras instituições e nos inúmeros mini-cursos, oficinas e seminários promovidos pelo próprio Museu.

Documentação e informação – A Biblioteca Ferreira Penna (criada em 1994) e o Arquivo do Museu Goeldi reúnem acervo especializado em assuntos amazônicos, documentos que somam a mais de 200 mil itens, entre 26 mil livros (alguns raros, com edições do século XIX), seis mil títulos de periódicos científicos, fotografias, filmes, fitas, microfilmes, jornais e folhetos.

No campo da editoração, desde 1896 o Museu mantém a atividade, publicando o primeiro periódico científico da Amazônia, o “Boletim do Museu Paraense de História Natural e Etnografia”. Atualmente, edita publicações de caráter técnico-científico e cultural que versam, direta e indiretamente, sobre a Amazônia. São quatro boletins publicados, nas séries de Antropologia, Botânica, Ciências da Terra e Zoologia e mais a revista Ciência em Museus. O MPEG publica, ainda, cinco coleções assim organizadas: Eduardo Galvão (Antropologia), Adolpho Ducke (Botânica), Karl Katzer (Ciências da Terra), Emile Snethlage (Zoologia) e Alexandre Rodrigues Ferreira (História da Ciência).

As atividades de difusão científica do Museu Emílio Goeldi sobre a Amazônia não param aqui, para fazer do intercâmbio pesquisa-comunidade um eixo importante na contribuição do saber científico para a melhoria da qualidade de vida da população.

Realiza experiências em diversos campos, como em Museologia, Educação Ambiental e na manutenção do Parque Zoobotânico, além dos setores de editoração, jornalismo, documentação e informação científica.

Parque Zoobotânico – Criado em 1895, por Emílio Goeldi, o Parque Zoobotânico do MPEG é uma mostra viva da natureza da região para servir de instrução e entretenimento à população e aos que visitavam Belém. Em pouco tempo, Goeldi construiu o zoológico, plantou o horto botânico e montou as exposições. O Parque recebe, atualmente, a média anual de 300 mil visitantes e expõe cerca de 800 espécies de árvores de grande porte, entre elas a samaúma, acapu e cedro e 600 animais, dentre os quais espécies raras e ameaçadas de extinção como o peixe-boi,  pirarucu e onça.

Na área botânica, o Museu realiza pesquisa sobre a flora amazônica, visando obter subsídios para seu conhecimento e para preconizar a conservação de ecossistemas e auxiliar a comunidade na solução de problemas afetos à economia da região. Atua nas áreas de taxonomia e biosistemática, etnobotânica, botânica econômica, anatomia da madeira, orgãos vegetativos, biodiversidade e estrutura e dinâmica da floresta. Possui 150 mil exsicatas (plantas secas) e milhares de amostras de sementes, drutos, madeiras, pólen e cortes histológicos.

Nos laboratórios do Emílio Goeldi são estudados macacos, morcegos, roedores, aves, lagartos, cobras, anfíbios, peixes, crustáceos e diversos insetos. Possui acervo zoológico formado por coleções de vertebrados (incluindo exemplares em álcool, peles, esqueletos, ninhos, ovos e coleções menores de peças anatômicas), totalizando cerca de 150 mil espécies e coleções de invertebrados com mais de um milhão de exemplares, principalmente insetos, antrópodes e moluscos.

Ciências Humanas – Esta área é representada no Museu por estudos arqueológicos, antropológicos e lingüísticos, que visam  conhecimentos sobre populações contemporâneas e pré-históricas da Amazônia. A existência de coleções etnográficas e arqueológicas converte a instituição num centro de referência sobre a vida material de diferentes sociedades, revelando, assim, a riqueza da experiência humana na região, tanto no passado, como no presente. A coleção arqueológica reúne mas de 81 mil peças e fragmentos de cerâmica, artefatos líticos e outras evidências coletadas em vários sítios da Amazônia. O acervo etnográfico, com cerca de 14 mil peças, é heterogêneo se considerarmos a sua origem geográfica, abrangendo todas as categorias artesanais. As maiores coleções são originárias de culturas indígenas, como resultado das pesquisas de campo de antopólogos do Museu ou que pela instituição passaram.

No setor de lingüística, o Goeldi se dedica a descrever e analisar as línguas indígenas. Alfabetização e produção de material didático também são executadas como forma de reverter a extinção de algumas delas.

Ciências da Terra  As investigações científicas nessa área estão ligadas à evolução dos ecossistemas amazônicos. As linhas de pesquisas estão relacionadas à paleontologia e paleo-ecologia em regiões tropicais, sedimentologia e estratigrafia, evolução de ecossistemas costeiros amazônicos, geologia quartenária, biogeoquímica, geo-arqueologia, pedalogia e solos degrada-dos. O acervo paleontológico do Museu tem mais de seis mil espécimes e o minerológico, mais de mil amostras. (Apolonildo Britto – Rvista Amazon View – Edição 41)

 
Apolonildo Brito

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