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Jornalismo | Reportagens

Almir Gabriel fala de sua gestão e do futuro

Há sete anos titular do Governo do Pará, o médico-cirurgião Almir Gabriel tem se destacado pelas transformações estruturais que vem dando ao Estado, priorizando à verticalização de sua economia e o resgate do acervo histórico-cultural da área metropolitana de Belém, além de melhorias na infraestrutura urbana da capital. O governador responde a várias questões em entrevista que segue, extraída da revista pelo Comunicação Social do Governo do Pará

Almir iniciou a sua carreira pública como secretário de Estado, sendo posteriormente nomeado prefeito de Belém, quando restaurou o Ver-o-Peso e as principais praças da cidade. Foi eleito senador, ocupou um Ministério da República e finalmente chegou ao Governo do Pará em 1995, sendo reeleito nas últimas eleições estaduais. Os setores de educação, saúde e transportes também têm prioridades no governo de Almir Gabriel que responde a vários questionamentos na entrevista que se segue, extraída da Revista Novo Pará, editada pela Coordenadoria de Comunicação Social do Governo do Estado.

 Como o Sr. enxerga as perspectivas, o futuro que está se desenhando para o Estado do Pará?

Almir – Com uma enorme confiança. Por quê? Comparo o espaço de 1.250.000km² que o Estado do Pará tem e verifico isto dentro da geografia – a proximidade com a Europa, com os Estados Unidos, com outros grandes centros, inclusive com o Sul e Sudeste. Constato, também, os bens naturais disponíveis, então não aceito que haja neste Estado alguma coisa que quebre a sua auto-estima nem que o projeto do Estado seja um projeto tímido ou medíocre. Tem que ser um projeto como eu sintetizo: dentro de 25 a 40 anos, o Pará poderá ser a soma do que hoje são Minas Gerais e Paraná.

O Sr. não acha que foi feita muita coisa na área econômica, mas que o Estado ainda carece de grandes avanços na área social? O Sr. não acha que poderia ter sido feito mais nesses anos?

Almir – Nem um pouco. Houve criteriosa distribuição de recursos para cada uma das áreas sociais, sem paixão por nenhuma delas. O que é que a gente viu? O desenvolvimento integrado, articulado, do Estado. Se reunirmos o que foi aplicado na área da educação e da saúde, per capita, vamos ver que, antes, o Governo aplicava duzentos e poucos reais, em valores constantes, e hoje nós estamos próximos de setecentos reais – só nessas áreas.

Mas ainda tem que melhorar?

Almir – Claro, claro. Eu diria o seguinte: qualquer que seja a pessoa que ache que chegou no limite do bom, é uma pessoa sem sonhos, sem perspectivas. Quer dizer, nós sempre podemos avançar e precisamos avançar. Isso é indispensável.

Onde é que o Sr. detecta os principais avanços do seu Governo: na área social? Na área econômica? Na infra-estrutura?

Almir – Por incrível que pareça, na reordenação do Estado. Porque, sem isso, nenhuma das coisas, nem na área social, nem na área econômica, andariam. Não há possibilidade de o Estado como um todo avançar enquanto a máquina política não estiver funcionando de forma adequada. Por isso, não considero o principal avanço, mas considero que é a raiz, o ponto a partir do qual se alavancou as outras áreas. A outra coisa é a relação entre os Poderes – o Executivo com o Legislativo e o Judiciário – sem dúvida  alguma elemento fundamental para que a gente pudesse ter esse projeto coletivo para ser levado adiante.

E na área de direitos humanos, o Sr. não acha que poderia ter avançado mais nessa questão?

Almir – Eu diria que a própria sociedade precisa se articular melhor, se organizar melhor, buscar caminhos. A gente sente que, hoje, existe um trabalho relativamente importante na questão das ONGs, mas elas ainda estão caminhando para desempenhar o seu papel histórico. Ninguém colocou mais na Constituinte do que eu a participação popular nas ações governamentais. Agora, é necessário que haja um aprendizado, tanto do Governo, como da sociedade, para esse exercício cooperativo.

O Sr. acha que muitas dessas ONGs são ideologicamente ou até financeiramente comprometidas com projetos que não o do desenvolvimento paraense?

Almir – Com certeza. Um dia desses eu estava conversando, aqui, com um companheiro de gestão, sobre essa questão. É grande a quantidade de ações contra a Alça Viária, contra a Hidrovia do Marajó, contra o Porto de Santarém, obras que todas as pessoas de bom senso sabem que são indispensáveis para o desenvolvimento, e eu dizia quanto é cansativo ter de, a toda hora, a todo instante, mobilizar energia para fazer a defesa de coisas óbvias.

Vários Estados possuem leis de incentivo e travam uma guerra fiscal para atrair novos empreendimentos. O Sr. não acha que o Pará poderia ser mais agressivo?

Almir – Nós estamos na medida certa. A legislação de incentivos é boa porque o Estado não perde receita – ele deixa de ganhar aquilo que não estava ganhando – e gera emprego. E o que mais desperta a possibilidade de investimento é menos o incentivo e mais a infra-estrutura e condições de segurança e paz social. Incentivo é uma medida adjetiva; não é medida essencial.

O Sr. não acha que o resultado das últimas eleições municipais pôs em risco esse projeto, na medida em que todos os grandes colégios eleitorais acabaram nas mãos da oposição?

Almir – Eu acho que não. A leitura que tenho é exatamente o contrário. Veja bem: ganhamos em 1994 e em 1996, fizemos umas 40 prefeituras. Ganhamos em 1998 e em 2000, fizemos 95 prefeituras e já, já vamos chegar a 105. Mais: do total de 2,4 milhões votos, a União Pelo Pará ficou com 1,5 milhão e 900 mil foram dados às oposições. Então, é uma maioria absolutamente significativa. Não podemos desejar, nem querer, que haja um só domínio – isso não constrói a democracia. Em segundo lugar, os que tiveram 900 mil votos, na verdade estão divididos. Então, não vou dizer que a próxima eleição está ganha – quem afirmar uma coisa dessas nunca militou em política. Mas que temos todas as condições de levarmos esse projeto adiante, com o respaldo popular, temos.

O Sr. não acha que nos momentos eleitorais faz falta o “almirismo”, a identificação deste projeto com uma liderança?

Almir – Nem um pouco. Na construção da democracia não podemos ter uma pessoa simbolizando tudo. O que eu quero é que haja o paraensismo. É por isso que eu luto.

Dentro dessa perspectiva, qual o perfil ideal do seu sucessor?

Almir – Uma pessoa honesta, competente, com capacidade de trabalho e de articulação política. E que tenha essa visão de médio e longo prazos para o desenvolvimento do estado. Isto é fundamental.

O Sr. teme que a disputa este ano, com tantos partidos dentro da União Pelo Pará, possa levar ao esfalecimento da frente?

Almir – Eu acho que uma coisa natural, na democracia, é que existam diferenças entre os diversos partidos e que, dentro dos partidos, as diferenças possam ser guardadas. O que não pode haver é contraposição nos partidos que compõem a União Pelo Pará. Na minha cabeça, toda vez que todo mundo pensa igual, paralisa, morre, desaparece. Então, a existência de diferença, que não leve à contraposição, é útil, é desejável; deve ser estimulada, para que a gente seja capaz de descobrir o melhor caminho.

Depois que o Sr. deixar o Governo, que projetos que vai querer tocar?

Almir – O primeiro, e mais importante, é plantar flores (risos).

Mas o Sr. pretende se candidatar ao Senado ou vai deixar a vida pública?

Almir – Olha, se eu começar a te dizer essas coisas, eu digo para os adversários como é que eu vou me comportar. E uma das coisas mais sérias em estratégia política é você não dar pista para o adversário saber qual é o caminho que você vai seguir.

Mas se pudesse escolher, continuaria na política ou iria fazer outra coisa?

Almir – Eu faço o que a História me possa colocar como o mais apropriado para a época. Não tem, assim, nenhuma razão para excluir caminhos. Eu tenho saúde e disposição, capacidade de trabalho, paciência. Quer dizer, eu reúno uma série de qualidades que eu acho que são muito importantes. Tenho clareza de para onde eu quero ir, o que devo fazer.

Olhando para tudo o que foi feito, como o Sr. acha que vai ser lembrado?

Almir – Como um homem sério, competente, honesto, trabalhador e que tem uma visão de presente e de futuro muito clara, para agir nessa transformação.

Voltando ao futuro do Pará, como o Sr. acha que ele estaria hoje se não tivesse havido a intervenção dos últimos anos?

Almir – Ingovernado e ingovernável. Se fosse mantido o caminho histórico que ele vinha seguindo, seria um desastre total, o caos.

O que é que a gente pode esperar a médio prazo para o Pará?

Almir – Que o povo mantenha a sua disposição de “regostar” o Estado e, por isso, coloque no próximo governo uma pessoa que reúna as qualidades que eu falei – competência, honestidade, seriedade, capacidade de trabalho e visão – e que com isso a gente continue crescendo, se desenvolvendo, e retomando para o Estado do Pará a condição de liderança do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil – ele tem toda a condição de fazer isso. Natação, canoagem, trekking, mountain bike, rafting e técnicas verticais, entre elas o rapel e escalada foram algumas das emoções nos 550 km do circuito da Ema Amazônia 2001, no Oeste do Pará. (Novo Pará – Revista Amazon View – Edição 43)

 
Apolonildo Brito

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