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Belém celebra 363 anos de lutas e conquistas

Completando 353 anos de fundada, Belém não só enfrentou adversidades naturais, políticas e econômicas, como promoveu a conquista da Amazônia. Suas ruas e bairros lembram feitos históricos e povos primitivos da região. O Umarizal homenageia os heróis da Cabanagem, enquanto a Pedreira e o Marco lembram a Guerra do Paraguai e o Jurunas e Batista Campos perpetuam o nome das tribos indígenas ajudaram a conquistar a região.

Há 386 anos, exatamente em 12 de janeiro de 1616, Belém nascia predestinada a estender o domínio português por toda a região e a ser a metrópole da Amazônia, história marcada pela pujança, amor e espírito destemido de seu povo, que sempre soube enfrentar as adversidades da natureza, as dificuldades políticas e econômicas e ainda as exigências muitas vezes descabidas da Coroa Portuguesa, na época colonial, e depois, no Império, inclusive as determinações do governo central republicano.

Poucos anos depois de sua fundação, em 1616, quiseram mudar a cidade primeiramente para a Baía do Sol, na ilha de Mosqueiro e, após, para Joanes, na ilha de Marajó. Tanto a primeira quanto a segunda investida dos governantes da época esbarraram no amor do povo ao aglomerado urbano. A população belenense fincou pé, resistiu e a mudança acabou não ocorrendo.

Assim, a capital paraense permanece até hoje de frente para a Baía de Guajará, acidente geográfico que viu a Feliz Lusitânia nascer nos albores do século XVII e que também viu o Forte do Castelo ser construído sob o nome Forte Presépio, o primeiro e um dos seus principais marcos históricos. No decorrer dos séculos, a Baía de Guajará continua testemunha de um povo hospitaleiro e viril quando se trata de defender os seus interesses.

Em torno do Forte Presépio se formou, com o passar do tempo, a área urbana que recebeu o nome de Cidade Velha. Depois o bairro da Campina, que por muitos anos dividiu com a Cidade Velha as únicas partes habitadas de Belém, separadas pelo igarapé Piri. A primeira rua abrangia da fortificação até onde hoje é a Igreja do Carmo. Chamava-se Rua do Norte e atualmente é a Siqueira Mendes. Depois, seqüencialmente, foram abertas as ruas do Espírito Santo, hoje Dr. Assis; dos Cavaleiros (Dr. Malcher); São João (João Diogo); da Residência (Félix Rocque); Atalaia (Joaquim Távora); Barroca (Gurupá), Longa (Ângelo Custódio), Água das Flores (Pedro Albuquerque), Alfama (Rodrigues dos Santos) e Aljube (Cametá). Merece destaque especial a rua João Alfredo, tradicional rua do comércio que no início da cidade foi denominada Rua dos Mercadores e depois Rua da Cadeia. A artéria foi o principal eixo de expansão de Belém, ligando o bairro da Cidade Velha ao bairro da Campina.

Além dessa distinção do tamanho da cidade ir pouco a pouco sendo ditado pela abertura de suas vias, uma atrás da outra, a História de Belém também tem a característica sui generis de contar o desenvolvimento da expansão urbana, através dos nomes das suas ruas, numa forma de sistematização por bairros. O Umarizal, por exemplo, é marcado por ruas cujos nomes homenageam os que resistiram à Independência do Brasil.

Marco e Pedreira são bairros que têm as suas ruas fazendo alusão aos feitos do Brasil na Guerra do Paraguai. E no Jurunas e Batista Campos há a perpetuação das tribos indígenas que habitavam o cantão paraense na época em que Francisco Caldeira Castelo Branco desembarcou para fundar a que chamou de Feliz Lusitânia – Apinagés, Tamoios, Tupiniquins, Tupinambás, Pariquis e Caripunas, entre outras.

Tal característica ainda tem o destaque ímpar de cada rua possuir a sua própria história vinculada à história da cidade e do País, aos ideais e aos homens que os construíram ao longo dos anos, tudo registrado pelo legado arquitetônico deixado por pessoas e artistas que sonharam com uma cidade grandiosa e importante no coração da Amazônia. (Douglas Lima – Publicado na Revista Amazon View – Edição 43)

 
Apolonildo Brito

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