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EMA 2001 Amazônia – Aventura no Oeste do Pará

Natação, canoagem, trekking, mountain bike, rafting e técnicas verticais, entre elas o rapel e escalada foram algumas das emoções nos 550 km do circuito da Ema Amazônia 2001, no Oeste do Pará, disputando prêmios, ajuda de custo e vaga para o Discovery Channel World Championship Adventure Race 2002. Das 47 equipes participantes, 30 conseguiram completar o percurso, 16 na categoria Expedição e 14 na categoria Aventura.

O Oeste do Pará, no coração da Amazônia, sediou, entre 25 de novembro e 1º de dezembro de 2001, o maior evento esportivo já acontecido na região e um dos maiores da América Latina, o EMA 2001 Amazônia, promovido pela Expedição Mata Atlântica (EMA) e Sociedade Brasileira de Corridas de Aventura (SBCA), em parceria com o Governo do Estado do Pará,  disputando o prêmio de R$ 100.000,00 e uma vaga para o Discovery Channel World Championship Adventure Race 2002 e R$ 12.500,00 de ajuda de custo. O apoio da Prodepa, Globalstar, Força Aérea Brasileira (FAB), Marinha do Brasil, Canoar e Síntese foi imprescindível para o sucesso do evento.

A prova estreou o calendário do AR World Series (Circuito Mundial), mobilizando um staff de 600 pessoas (92% delas da região), com um circuito total de 550 quilômetros, com as modalidades trekking (caminhada), mountain bike (ciclismo), natação, canoagem, rafting e técnicas verticais, entre elas o rapel, ascensão e escalada, reunindo 47 equipes de 17 países, sendo 15 estrangeiras e 35 brasileiras, representadas pela Argentina, Canadá, Chipre, Colômbia, Estados Unidos, Finlândia, Espanha, França, Inglaterra, México, Nova Zelândia, Portugal, Uruguai, Guatemala, Suíça e Alemanha, além do Distrito Federal e nove Estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Ceará, Pará e Amazonas.

Depois de sete dias de emoção, aventura e muita adrenalina pelos mais belos cenários da floresta amazônica, o EMA 2001 Amazônia chegou ao fim em 1º de dezembro de 2001 e, de acordo com Alexandre Freitas, organizador da prova, o evento alcançou seus objetivos, mostrando a Amazônia para o mundo e integrando atletas, jornalistas e organizadores com a comunidade local, além de mobilizar uma estrutura compatível a uma ação militar.

As equipes saíram de barco de Santarém, na madrugada de domingo, dia 25, atravessando as águas dos rios Tapajós e Amazonas, em direção à largada na foz do rio Curuá-una, afluente do Amazonas e santuário de botos cor-de-rosa. Foram cinco horas de travessia até o grid-de-largada, onde as equipes enfrentaram 300m a nado até outra margem do Curuá-una, local da saída da etapa de canoagem. Todas as canoas, tipo catraia (embarcação típica local), foram identificadas com os números das equipes em suas velas. Após 12 km de travessia do rio Amazonas, saíram para um trekking de 32 km em área de várzea que, em período de chuvas, fica alagada.

Ao final desse trekking partiram para suas mountain bikes e percorreram 80 km de estradas de terra até à primeira Área de Transição, onde encontraram, pela primeira vez, suas caixas rígidas para se abastecer de comida e equipamentos, que chegaram de balsa para o QG, bem como as bikes transportadas para Monte Alegre.

A expectativa era grande entre as equipes até o briefing, quando receberam os mapas e as primeiras instruções para iniciar o seu planejamento estratégico. No término destas etapas, a equipe canadense Subaru Outback estava na liderança, seguindo para a etapa de mountain bikes de 95km que, devido ao calor intenso ocorrido desde o início da prova, poeira das estradas e falta de água, apresenta uma mudança constante das primeiras posições e muitas equipes tiveram problemas com seus integrantes. A equipe Nokia finalizou esta etapa em primeiro lugar.
A partir da etapa de mountain bike começou uma disputa pela primeira colocação entre as equipes: a brasileira, Discovery Lontra Radical e a equipe finlandesa, Nokia. Ao terminarem a etapa de mountain bikes, saíram para “o mais duro e desafiador trekking realizado em corridas de aventura”, segundo o finlandês, Iiro Kakko, equipe APN. Este trekking (PC06 a PC13) de 85km foi efetuado em 53:55 horas pela equipe Discovery Lontra Radical e 54 horas pela equipe Nokia. Durante esta etapa de trekking as equipes realizaram também a etapa de técnicas verticais: rappel (PC09) de 80 metros na cachoeira do rio Ambrósio e ascensão de 60m com aparelhos no Morro do Chapéu (PC11). Nesta etapa de trekking foram realizados três resgates com o auxílio da FAB.

No PC13, pista do Jacaré até o PC17, PA254, as equipes saíram em caiaques infláveis no rio Maicuru, inexplorado e perigoso, obrigando as equipes a utilizarem toda sua técnica e intuição para transpor as grandes cachoeiras existentes e as corredeiras naturais. A disputa entre as duas equipes Discovery Lontra Radical e Nokia continuou. Ao final da etapa de caiaques infláveis as equipes saíram por 115km de mountain bikes com um clima um pouco mais ameno, pois ocorreram as primeiras chuvas dos últimos 60 dias. O trekking em mata fechada foi um dos pontos de maior dificuldade da corrida, além de rappel, ascensão vertical e rafting nas cachoeiras e corredeiras do rio Maicuru.

A última etapa da EMA 2001 Amazônia foi em canoas locais com vela enfrentando o rio Amazonas com ondas de até três metros, cruzaram o encontro das águas do rio Tapajós e Amazonas para finalizarem na única área do mundo com praias extensas de areias brancas e água doce do rio Tapajós, na comunidade de Alter do Chão. Nesta etapa foram realizados oito resgates pela Marinha do Brasil e uma catraia local naufragou.

Segundo Alexandre Freitas “a prova foi dura, intensa e perigosa, privilegiando a equipe que tivesse estratégia e resistência física para suportar as duras condições do verão da Amazônia. Não foram as equipes que escolheram finalizá-la, mas sim a floresta que elegeu quem teria condições de terminar a EMA 2001 Amazônia.

Das 47 equipes participantes, 30 conseguiram completar o percurso, 16 na categoria Expedição e 14 na categoria Aventura. A campeã da categoria Expedição foi a equipe Nokia Adventure (Finlândia), que terminou todo o percurso em um total de 109:33 horas, segundo o capitão da equipe Petri Forsman: “Tivemos que manter um ritmo intenso e forte, pelo alto nível das equipes presentes, em um calor que não estamos acostumados”. Em segundo lugar, ficou a equipe Discovery Travel Adventure & Discovery Health Lontra Radical Caloi (Brasil) e em terceiro a equipe APN (Finlândia/UK). Na categoria Aventura, a equipe brasileira Oskalunga foi a melhor. As equipes Orthomedcenter e International Adventures receberam o prêmio de equipes solidárias.

Os cinco primeiros colocados da categoria Expedição foram premiados num total de R$ 100.000,00 e a inscrição gratuita para o Discovery Channel World Championship Adventure Race. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 44)

 
Apolonildo Brito

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