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Zona Franca pode ampliar produção e exportação

“Nesse cenário estamos projetando chegar em 2020 com um volume de exportação de US$ 20 bilhões para o mercado internacional”, aposta Ozias Monteiro Rodrigues, superintendente da Zona Franca de Manaus (ZFM). Ele afirma que o Pólo Industrial de Manaus pode ampliar seus setores produtivos, dobrar a produção e o faturamento, com respectivo aumento nas exportações brasileiras. Ozires concede entrevista a Amazon View, explicando estratégias da ZFM.

O superintendente da Zona Franca de Manaus (ZFM), Ozias Monteiro Rodrigues, 69, é amazonense de Codajás. Formado em Economia pela Universidade do Amazonas, tem uma carreira ligada organicamente às regiões Norte e Nordeste. É considerado um técnico de alto nível, participando de vários governos, e administrador competente da economia de Estados e bancárias. Suas credenciais levaram-no a assumir o atual posto, num momento em que a ZFM encontra-se pronta para o seu maior desafio, tornando-se um grande pólo exportador e ampliando o seu perfil produtivo com a criação do pólo de bioindústria, que abocanhará importante fatia do mercado mundial no setor.

Ozias Monteiro confia plenamente no convencimento dos parlamentares do Congresso Nacional para a ampliação da data de vigência dos incentivos para a Zona Franca e afirma que a atual capacidade instalada do Pólo Industrial de Manaus (PIM) pode dobrar em curto período, além do faturamento e respectivo aumento nas exportações, contribuindo com mais divisas para o país. Ele não tem dúvidas de que o reconhecimento das virtudes e performance da ZFM é crescente no Brasil e será motivo de muito orgulho para todos, em breve, quando ampliar seus setores produtivos e se tornar um importante pólo industrial mundial. O superintendente concedeu entrevista a Amazon View, comforme transcrita abaixo:

Amazon ViewDecorridos 35 anos de criação da Zona Franca de Manaus, como o Sr. avalia a performance da Suframa, neste tempo?

Ozias Rodrigues – A Suframa realmente atingiu os objetivos definidos para sua atuação na região, desenvolvendo o Pólo Industrial de Manaus e mostrando que este está equiparado aos pólos eletroeletrônicos da Ásia. Nestes anos todos houve uma acumulação tecnológica muito grande, daí que hoje o PIM vende para os mercados interno e externo, dada a qualidade dos produtos e preços, o que nos permite ganhar mais mercado externo, como aliás estamos fazendo. Isto é a coisa mais importante que aconteceu nos últimos anos e continua sendo o nosso norte, ampliar as exportações. Nós estamos preparando o pólo industrial e fazendo seminários, vislumbrando o ano de 2020, certamente com agregação de novas políticas voltadas para o mercado externo. O Pólo Industrial de Manaus deverá ser um fator muito importante e orgulho para todo o Brasil, como pólo exportador.

Amazon ViewEconomicamente, o PIM viveu altos e baixos. Quais os momentos cruciais e o seu apogeu nestas três décadas?

Ozias Rodrigues – O PIM, na verdade, só teve um momento de difículdade, em 1990, quando o Brasil abriu suas fronteiras para as exportações. Aí a indústria sentiu um baque muito forte, porque não teve tempo de se preparar, tendo que readequar todo o seu sistema produtivo, já que teria, também, que concorrer com empresas e produtos ilegais. Foi um trabalho importante de reestruturação que durou até 1995 e a partir daí, passamos a produzir em condições de concorrer com as empresas globalizadas. De fato, o baque durou até 1994, quando a Zona Franca passou a se reerguer, chegando ao auge em 1996. Depois, em 97 e 98 caiu um pouco, até 99, em decorrência da economia brasileira. Em 2000, já melhorou bastante e 2001 foi um ano que terminou sendo bom. Agora, a tendência é crescer, já que a capacidade instalada permite que dobremos o faturamento da ZFM.

Amazon ViewQuantas empresas existem hoje e quais as mais importantes do PIM?

Ozias Rodrigues – Temos mais de 400 indústrias, hoje, funcionando. As maiores são Moto-Honda, no setor de duas rodas; LG e Philips, em eletroeletrônicos, e a Sansung, com produção completa de cinescópios. Temos ainda a Philco e a Nókia, esta na telefonia celular, muito importantes porque respondem ao mercado internacional e sempre num crescendo.                 

Amazon ViewO ministro Artur Virgílio Neto acha que a ZFM não deve ser só da região e sim de todo o Brasil. Não é utopia dele, já que setores do Sudeste e Sul do país discriminam a Zona Franca?

Ozias Rodrigues – Na hora em que a ZFM se tornar um importante pólo exportador do país, realmente vai ser muito importante para o Brasil. É aí que reside o norte que traçamos. A Zona Franca daqui a alguns anos será grande pólo abastecedor das Américas...

Amazon ViewMas, hoje, ela já é importante para o Brasil...

Ozias Rodrigues – Claro, muito importante porque é um projeto nacional de desenvolvimento, que é o único em funcionamento que surte efeito positivo para a economia da Amazônia Ocidental.

Amazon View Que percentual dos insumos importados é utilizado pelo PIM?

Ozias Rodrigues – O maior volume de insumos é importado, inclusive do Sul do país. Mas trabalhamos para acabar com isto, substituindo as importações pela produção local dos componentes.

Amazon ViewQual a estratégia a ser adotada no Congresso Nacional para prorrogar o prazo de vigência dos incentivos da ZFM, além de 2013?

Ozias Rodrigues – Basicamente, mostrar os resultados positivos que hoje temos, deixando claro que é um projeto de muito interesse para o Brasil e que caminha para aumentar as exportações. Principalmente porque é um projeto voltado para o desenvolvimento regional. Das agências de desenvolvimento que estiveram por aqui, a Suframa é a única que investe em infra-estrutura de apoio para alavancar o desenvolvimento regional. Isto podemos constatar em todos os Estados de abrangência da ZFM.

Amazon ViewAlém do setor industrial, como o Sr. vê a outra interface do modelo Zona Franca, que prevê o desenvolvimento do setor primário?

Ozias Rodrigues – Hoje estamos trabalhando exatamente nisso. Nossa ação em toda a Amazônia Ocidental, é toda no setor primário, no setor rural. Já estamos tendo bons resultados. Por exemplo, só no Estado de Rondônia tem cinco matadouros e frigoríficos que, inclusive, abastecem boa parte da carne consumida hoje, aqui em Manaus. Só de laticínios existem 56 indústrias, na produção de café já é o terceiro do país e um dos grandes produtores de soja nacional, de forma que o setor agropecuário está em pleno desenvolvimento. Em Roraima, estamos com alguns projetos junto ao Governo do Estado, destacando-se o de silos, que traz muitos empresários do Sul para produzir grãos em Roraima. É o projeto Grão-Norte, cuja produção este ano será significativa e que daqui pra frente vai aumentar muito mais. A participação da Suframa no interior tem sido muito importante e ainda será mais intensa.

Amazon ViewQuais as políticas públicas que o governo desenvolve para o setor da bioindústria, através da Suframa?

Ozias Rodrigues – Esse é o grande projeto que estamos implantando aqui, no Pólo Industrial de Manaus, que é o Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Este centro vai ser composto de 26 laboratórios, absorvendo uma rede de laboratórios de todo o Brasil e também do exterior, com o objetivo de aproveitar a biodiversidade da região. Para aproveitarmos esse potencial temos que desenvolver a tecnologia e toda a base técnica de laboratórios e de recursos humanos. Nesta área já temos convênio com a Universidade do Amazonas (UA), criando um curso de doutorado em biotecnologia que começa em março e um de mestrado com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), além de vários outros na área de apoio técnico para o funcionamento do Centro de Biotecnologia.

Amazon ViewPara quando o Sr. visualiza a implantação, de fato, dos negócios do CBA?

Ozias Rodrigues – A gente não pode imaginar que um projeto desse dê resultado de um ano para outro, já que é um projeto de longo prazo. Porque desde a pesquisa até chegar ao produto final, leva tempo. Agora, algumas coisas começam a funcionar logo, como as partes de patenteamento e certificação, além de serviços. Se considerarmos que algumas pesquisas já estão adiantadas, como as do Instituto de Pesquisas da Amazônia (INPA) e Embrapa, podem ser transformadas imediatamente em produtos, principalmente nas três áreas que estamos programando:  fármacos, cosméticos e alimentação na produção de concentrados, que já possuem projetos aprovados.

Amazon ViewQual o cenário que o Sr. imagina que a bioindústria vai proporcionar para o modelo ZFM?

Ozias Rodrigues – No meu entendimento, a biotecnologia será o grande projeto nos próximos dez anos. Vamos ter grandes condições de montar um Pólo de Bioindústria, com efeito forte no interior, já que toda a colheita de material, de espécies vegetais, vai ser feita lá, com orientação técnica junto ao índio e ao caboclo da região.

Amazon ViewComo o Sr. acha que a recente descoberta do esquema de contrabando de produtos “maquiados”, na alfândega de Manaus, pode afetar a imagem do PIM, nacional e internacionalmente?

Ozias Rodrigues – Em primeiro lugar, não existe maquiagem de produtos no PIM. O que ainda existe é o contrabando. E quanto a afetar a imagem, isto não acontece porque estou só esperando sair o resultado das investigações da Receita Federal e da PF, para cassar os incentivos das empresas envolvidas no esquema. Isto vai acabar. Temos nossos mecanismos de controle na produção. Agora, quando o assunto é contrabando, já vira assunto de Receita e Polícia Federal.

Amazon ViewQual a realidade da excelência produtiva existente no PIM, apesar das  forças contrárias de outras regiões?

Ozias Rodrigues – Respondemos a isso com resultados e projetos estratégicos de auto-suficiência, como é o caso da produção de componentes para a indústria. Com isto, aumentamos a competitividade do PIM. Ainda temos componentes muito caros, os quais produzidos aqui, serão mais baratos e, conseqüentemente, a competitividade aumentará. Para isto vamos criar ambiente para desenvolver tecnologias com investimentos em recursos humanos, o que, aliás, já está acontecendo com o instituto aqui do Distrito Industrial chamado Genius, o qual começou a desenvolver tecnologia, o que representa um programa intenso na formação de doutores, principalmente nas áreas de Informática e Design. Além disto, estudamos a criação de um Centro Tecnológico com a previsão de que daqui a cinco anos já estaremos produzindo algum componente importante, como semi-condutores, por exemplo.

Amazon ViewAs ligações políticas do momento, tendo um ministro de Estado forte e a proximidade do presidente FHC com o Estado, conta muito na luta pela prorrogação do modelo?

Ozias Rodrigues – Conta, principalmente se tiver uma perspectiva de futuro, mostrando que, aqui, vai ser um pólo importante para o país. As forças políticas passarão a ter um respaldo maior se lutar pela prorrogação. O outro componente que soma para a aprovação é o do desenvolvimento regional que a Suframa vem fazendo hoje. Você pode ir a qualquer Estado da Região, que são visíveis as obras financiadas pela Superintendência. E os parlamentares da Amazônia lutam para que cada vez mais a Suframa se desenvolva e transfira mais recursos. Estive no Acre, Rondônia e Amapá, onde vi boa visibilidade dos investimento feitos com aumento de emprego e renda, fruto disto.

Amazon ViewO grande trunfo para a ZFM influenciar o país é a questão da exportação. O que a Suframa planeja neste setor?

Ozias Rodrigues – Nossa meta a curto prazo é chegar em 2003 com US$ 2 bilhões de exportação. Mais adiante, projetamos US$ 20 bilhões para 2020. Estamos trabalhando firmes para alcançarmos esses patamares. Vamos fazer em setembro, a I Feira Internacional da Amazônia para trazer, pelo menos, duzentos novos investidores estrangeiros, além de nacionais para investirem em produtos regionais, o carro-chefe do Pólo Industrial, e em turismo. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 44)

 
Apolonildo Brito

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