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Amazônia, Andes e Oceano Pacífico em ecoturismo

Mil novecentos e dez quilômetros separam Rio Branco, capital do Acre, da cidade de Ilo, na costa sul do Pacífico peruano. Fazer este trajeto por estrada, até bem pouco tempo, era tido como sonho, uma missão impossível. Hoje, porém, não apenas é possível como uma realidade que abre espaços para o intercâmbio comercial entre o Brasil, Peru e Bolívia, em especial para os amantes do turismo ecológico, cultural e de aventura.

A viagem ao porto de Ilo, costa peruana no Oceano Pacífico, envolve a selva amazônica, cidades históricas, a cordilheira dos Andes e até o deserto de Atacama. É um belo passeio ecológico-cultural que se inicia em Rio Branco, Acre, até à cidade portuária de Ilo. Mas quem deseja mais emoções pode dar uma esticadinha a Lima, capital do Peru, voltando por Nazca e Cuzco, considerada hoje umas das capitais mundiais do turismo pela sua aproximação com Machu Picchu e outras fortalezas sagradas incas.

Passando por Brasiléia, 230 km distante de Rio Branco, chega-se a Assis Brasil, cidade na fronteira com a Bolívia e Peru, depois de rodar mais 110 km. Ali, o Brasil faz fronteira com o Peru por Iñapari, uma pequena cidade que vive de comércio e da decadente produção da borracha e de castanha, como ocorre também no lado brasileiro.

Alcançando o Peru, segue-se viagem na direção de Puerto Maldonado, cidade de porte médio, distante 230 quilômetros de Iñapari.

Puerto Maldonado surge depois da travessia de balsa do caudaloso rio Madre de Dios – o Madeira no Estado de Rondônia. Puerto Maldonado é a maior e mais antiga de todas as cidades dos Andes tropicais peruanos. Algumas de suas casas remontam aos tempos áureos da borracha. Hoje, o Distrito vive da agricultura, madeira e castanha, depois de passar duas décadas um surto de ouro que brotava de várias partes do rio Madre de Dios. O ecoturismo é a atividade que ali vem crescendo muito nos últimos anos, tal é a riqueza da flora e da fauna de sua floresta, transformada em patrimônio ecológico da humanidade e capital da biodiversidade do Peru. Turistas do mundo inteiro chegam a Puerto Maldonado ávidos para conhecer as belezas naturais dos Andes tropicais que são detentores de grande número de espécies de aves e plantas.

Todo esse paraíso florestal pode ser visto na reserva natural de Tampopata, onde os dez hotéis de selva e seis casas de hospedagem rurais propiciam aos turistas a aventura da convivência com macacos, papagaios, araras e aves raras, como o Shansho, que tem aparência pré-histórica, cara azulada, crista tipo punk e emite um som estranho quando se assusta.

Cercada de rios e lagos belíssimos, a reserva de Tambopata, onde a população é formada de pequenos agricultores e índios, pode ser alcançada de barco saindo de Puerto Maldonado. Tampopata forma com o Parque Nacional Bajuaha e Biosfera del Manu uma área contínua de três milhões de hectares de floresta andina preservada pelo governo peruano.

De Puerto Maldonado, segue-se 510 km de estrada rodeada por matas e montanhas até à lendária cidade de Cuzco. Neste trecho, antes da subida da Cordilheira dos Andes, encontra-se o pior trecho da viagem rumo ao Pacífico. São 250 km de subidas e descidas constantes em selva fechada, onde estão Inambari e Quincemil, cidades em que se pode descansar e se alimentar. Após este trecho crítico, a viagem atinge literalmente seu ponto mais alto entre Puerto até Cuzco, a subida para a Cordilheira dos Andes, uma das maiores cadeias de montanhas do mundo, muitas das quais cobertas de neve durante o ano inteiro.

Depois de circundar as primeiras montanhas dos Andes chega-se a Marcapata, pequena cidade a mais de três mil metros de altitude, onde se descortina belas paisagens e um grande vale cortado por um rio de inúmeras corredeiras.

A partir de Marcapata percebe-se que se chega ao Peru das lhamas, dos carneiros de grossas lãs e dos cavalos peludos. É quando se alcança a grande montanha de Ticllo, a 4.800 metros de altitude, considerada uma das mais altas do Peru. Ela encontra-se normalmente envolta em nuvens espessas e numa temperatura que pode chegar a -5º, com ar rarefeito. Logo vem Ocongate e Urcos, esta a 50 mil km de asfalto de Cuzco.

Em Cuzco, os turistas ou estão vindo ou estão indo visitar as fortalezas sagradas dos incas, que podem ser alcançadas de trem ou de carro, em bem preparados pacotes turísticos pelas inúmeras agências de viagem da cidade. Os pacotes incluem idas a Pisac, a Urubamba, a Ollantaytambo, a Salcantay, a 6.271 metros acima do nível do mar, ou a Machu Picchu, a mais famosa das fortalezas dos Incas.

A viagem prossegue em direção a Arequipa, saindo por uma rodovia asfaltada que vai dar em Puno, cidade peruana situada no paradisíaco lago de Titicaca, que também é contornado por quem se dirige de carro a La Paz, capital da Bolívia.

De Cuzco a Arequipa são 520 quilômetros de estrada boa e larga. É neste trecho que se encontra a maior concentração de montanhas de gelo de toda a viagem pelo Peru. A estrada entre Cuzco e Arequipa é bem policiada, dando segurança aos que se aventuram a dirigir até duas horas ao redor das montanhas de neves que separam uma dúzia de pequenas cidades, como Sicuani, Ayaviri, Jiliarca e Misti, onde o povo peruano vive da criação de animais e pequenas plantações de arroz nas encostas das montanhas menos íngremes.

Com mais de 300 mil habitantes e uma boa rede de hotéis de três a quatro estrelas, Arequipa foi fundada ainda no século XIII (bem antes da ocupação espanhola) pelos guerreiros incas de Mayta Cápac, que ficaram fascinados pela paisagem do lugar, onde se sobressaem os grandes vulcões Misti, Chachani e Pichu Pichu.

Completa-se a ligação do Acre com o Pacífico rodando os 310 quilômetros que separam Arequipa da cidade portuária de Ilo, no litoral sul do Peru, onde o porto atende de uma só vez até quatro dos navios de porte médio que navegam pela costa do Pacífico. Este trecho da rodovia é quase todo cercado por um grande deserto, que vem a ser a continuidade do deserto chileno de Atacama, considerado o mais seco do mundo. Próxima a Ilo, fica a cidade portuária de Arica, no Chile.

Se quisermos conhecer a capital peruana, basta pegarmos a bem pavimentada rodovia Panamericana e seguirmos para Lima, 1.200 quilômetros acima, no litoral norte do Peru. Bem sinalizada, esta rodovia segue, ora beirando o litoral do Pacífico, com praias e paisagens belíssimas, ora espremida pelo grande deserto de Atacama, que se origina no Chile e invade quase todo o litoral peruano. No trecho situa-se Moquegua, Matarani, Camaná e Nazca, onde o ponto alto do turismo se concentra nas linhas encravadas na terra que, vistas de cima, parecem desenhos feitos por seres extraterrestres, como acreditam os peruanos do local.

Lima é uma metrópole de dez milhões de habitantes, de muitas praças e museus históricos, de ruas estreitas e muitas outras atrações turísticas. Dali pode-se voltar ao Acre por uma rota alternativa, pela estrada que liga Nazca a Cuzco, onde a topografia continua a ser de grandes montanhas geladas, povoadas por pequenas cidades como Lucanas, por Púquio, pela gelada Iscahuaca e pela altíssima Abancay. (Texto extraído de matéria de Romerito Aquino, publicada pela Internet) (Revista Amazon View – Edição 45)

 
Apolonildo Brito

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