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Jornalismo | Reportagens

Amazônia vista por quem conhece bem a Região

Geólogo de larga experiência na Amazônia, profundo conhecedor da região, o deputado federal pelo Amapá em duas legislaturas, Antônio da Justa Feijão, é um amazônida de coração e luta. Ele tem se destacado pelo preparo com que defende as causas regionais, em especial do Amapá, Estado que representa no Congresso Nacional em debates, seminários e missões especiais dentro e fora do Brasil.

Antônio Feijão é membro da Comissão de Minas e Energia para participar do Encontro Anual Investing in the Americas, U.S.A. (1996, 1997 e 1999); representante da Câmara dos Deputados no Encontro Parlamentar Yacyreta y Salto Grande: Energia y Desarrollo Socio Econômico, Buenos Aires, Argentina (1996); Seminário sobre Turismo e Proteção Ambiental como integrante do Grupo Brasileiro da Associação Interparlamentar, Alemanha (1996); Viagem de estudo e informação à Alemanha, a convite da ABDAN – Associação Brasileira para o Desenvolvimento das Atividades Técnicas e Industriais na Área Nuclear (1997); Observador parlamentar na delegação brasileira na Assembléia Geral da ONU, EUA (1998); Conferência Interparlamentar de Minério e Energia para a América, Lima, Peru, 2000; representante da Comissão de Minas e Energia, na Alemanha (2000); FIPA Fórum Interparlamentar das Américas, Ottawa, Canadá, 2001; e, viagem aos Estados Unidos, como convidado do Institute for Representative Government, onde proferiu palestra com o tema Amazônia: Políticas Públicas, Ocupação Econômica e seus Impactos Sócio-ambi-entais, EUA, 2001.

Fundador da FINAMA - Fundação Instituto Amazônico de Migrações e Meio Ambiente, 1993. Especialista em mineração, garimpagem e meio ambiente, com atuação destacada em temas relevantes nas áreas de Energia Elétrica, Petróleo e Combustíveis, Meio Ambiente e, especialmente, em Amazônia. Professor de Geologia e Mineração, delegado do Ministério das Comunicações, em Macapá. Escritor, autor de Garimpeiros activities in South America. Tudo isto é apenas parte do que representa o deputado Antonio Feijão, considerado por muitos como uma enciclopédia viva da região amazônica, que concede entrevista exclusiva à revista Amazon View:

 

Amazon ViewDeputado, como o senhor vê o atual contexto da Amazônia?

Feijão – É o último cenário econômico que ainda não foi dissecado. O Brasil, portanto, tem que ter consciência social capaz de dotá-la econo-micamente com responsabilidade ambiental. Os grandes ciclos econômicos que se sucederam na Região foram responsáveis pelo caos social, pelo empobrecimento e pelo favelamento de suas cidades. Só a Zona Franca de Manaus representa um avanço social, com grande equilíbrio ambiental, mas a Amazônia tem as perfurações dentro de sua floresta com grandes rodovias que precisam da definição de uma regra econômica para sua ocupação espacial. O conceito de que o Brasil tem, hoje, 56% de seu território com uma grande riqueza florestal de aproximadamente um trilhão de dólares e mineral com cerca de US$ 1,2 trilhão, precisa gerar uma equação de ocupação capaz de dar um equilíbrio social a esta regra que cada vez concentra mais as pessoas nas cidades amazônicas.

Amazon ViewA construção das rodovias da região que estimularam a ocupação desordenada de seus sertões e a destruição das florestas tiveram estudos de impacto ambiental?      

Feijão – Não. A única rodovia na região  estudada foi a BR-156, a Macapá-Oiapoque.  Esta rodovia, nos anos de 1998 e 1999, foi alvo de estudo de um grupo multidisciplinar que levantou todos os impactos sócio-ambientais em seu percurso, principalmente a sua utilização racional pela economia. Um fato raro em se tratando de região amazônica, tanto a sua primeira rodovia que foi a Belém-Brasília, quanto às demais que se sucederam, jamais tiveram algum estudo ambiental, e o que é mais importante: hoje essas rodovias começam a perder o seu segundo grande ciclo, que é o da pavimentação. É preciso que o governo prepare todo o seu zoneamento sócio-ambiental, para que elas não venham a sofrer o que sofreu a Belém-Brasília, ou seja, a devastação total das florestas antigas. É sempre bom manter o nicho da floresta tradicional, através de reservas, parques nacionais e até mesmo de parques florestais.

 

Amazon ViewA destruição de floresta não trouxe compensação econômica nem social satisfatória para a Amazônia?

Feijão – O Canadá maneja 100 milhões de hectares de florestas e produz por ano em torno de 80 bilhões de dólares com a indústria madeireira e seus derivados. A economia brasileira devastou praticamente a Amazônia em 30 milhões de hectares. Se você pegar esse espaço que foi totalmente cortado e se manejá-lo, hoje, talvez a Amazônia tivesse, só da indústria da madeira, um lucro de 30 bilhões de dólares. Aqui, a ocupação da floresta sempre foi feita em detrimento do empobrecimento econômico da região. A Sudam, por exemplo, foi criada para o desenvolvimento da Amazônia, mas só houve favorecimento do capital e nunca a valorização da base social regional. Este foi o grande erro da política de incentivo do governo. No momento em que você reverter os programas de incentivo em grandes projetos, cuja base e cunha principais sejam o social, a Amazônia vai se encontrar com o verdadeiro desenvolvimento sustentável.

 

Amazon ViewComo está se processando a ocupação do Amapá?

Feijão – O Amapá e o Acre têm histórias bem distintas aos demais Estados da Região Norte. O que marcou a ocupação do Estado do Amazonas foram os ciclos da borracha, um no fim do século XIX até a segunda década do século XX e outro durante os anos 43 a 45, na Segunda Guerra Mundial. Após esses ciclos, o Amazonas encontra já nos anos 72, na efetiva realização da Zona Franca de Manaus, um ciclo de riqueza que gera um PIB na ordem de R$ 9 bilhões ao ano. O Estado do Pará é único no Brasil que tem uma indústria vocacionada aos recursos naturais, gerando, portanto, uma economia sustentada, seja de minérios, seja de pecuária, seja da fruticultura e, principalmente, do manejo de pescado. Nos trechos da Cuiabá-Porto Velho (BR-364) existe a ocupação pecuária que foi marcada inicialmente por um ciclo madeireiro, que deu lugar a grandes pastos que culminaram com a criação de Vilhena, onde houve um processo de colonização de Columbiara e que envolveu cinco milhões de hectares de terra roxa. Aliás, Rondônia possui hoje um dos melhores e mais econômicos rebanhos bovinos do Brasil e vive novo ciclo econômico, destacando-se pela pecuária e pela agricultura ali praticada há oito anos. Mas o Estado é na verdade uma estação de passagem da agricultura do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, apontando mudanças no seu processo produtivo. Já a ocupação do Amapá remonta à era pombalina, que tinha o extrativismo como base. Mendonça Furtado, que era irmão de Marquês de Pombal,  veio para fortalecer esta região com a construção da Fortaleza de São José de Macapá e com o estabelecimento de uma colônia, que se manteve com uma população estável de 2.300 habitantes durante séculos, o que demonstra que alí nunca houve um ciclo econômico até o fim do século XIX, quando aconteceu a corrida do ouro do Lourenço, que marca a primeira ocupação econômica do Amapá. Depois disso, só em 1953, quando a ICOMI implanta uma indústria mineral de base larga, com uma ferrovia, uma hidrelétrica e a construção da Perimetral Norte, que deram impulso ao Amapá, ajudado por uma folha de pagamento federal por ser um Território. Contudo, o Amapá ainda não possui uma economia que possa representar atualmente um novo ciclo capaz de mudar a sua história sócio-econômica.

Amazon ViewExiste atualmente no Amapá alguma proposta econômica que possa desenvolver o Estado?    

Feijão – Sem dúvida nenhuma. O primeiro ciclo a ser explorado nesse novo milênio será o da indústria madeireira. O Amapá tem uma diversidade de madeira branca que pode ser bem recebida nos mercados dos Estados Unidos, México, China e no Norte da África, países que consomem bastante esse tipo de madeira, e por ter um porto na entrada do Hemisfério Norte, o mais setentrional do Brasil. Possui rodovias que cortam grandes áreas florestais da União, sabendo-se que 80% do território amapaense pertencem ao governo federal, que prometem um grande ciclo florestal, iniciando, ainda, ao longo dos próximos dez anos, o ciclo turístico que valorizará os grandes potenciais que possui, como a pesca esportiva em seus lagos e rios, a pororoca no rio Araguari, a beleza da ferrovia que vai à Serra do Navio e, principalmente, a cachoeira de Santo Antônio, que deverá ser contemplada com a construção de um grande hotel, onde será construído um grande parque temático que atrairá pessoas do Brasil e exterior.

 

Amazon ViewA cachoeira de Santo Antônio poderá ser vista como a Foz do Iguaçu do Norte?

Feijão – Eu acredito que não, porque Foz do Iguaçu tem uma diferença de nível muito alta, sem a dimensão do parque temático de Santo Antônio, que poderá ser 20 vezes mais bonito e mais diversificado do que o de Beach Park em Fortaleza. Na realidade, você terá na cachoeira de Santo Antônio um mega parque aquático que, pelo seu gigantismo e relações topográficas, que poderão oferecer um verdadeiro universo de entretenimento combinando com as belezas naturais da região, com a possibilidade de se inserir brinquedos e esportes aquáticos para o lazer do turista.

 

Amazon ViewA questão mineral preocupa ou pode ser uma saída para a  Amazônia? Como o senhor descreve as riquezas minerais da Região?

Feijão – A Amazônia tem hoje, no mundo, a maior reserva mineral potencialmente mapeada. É preciso, agora, fazer o levantamento geológico dessa reserva, ou seja: do valor real dessas grandes províncias. O grande problema da Amazônia é que há um monitoramento mundial através das grandes multinacionais que detém cotas de empresas minerais e que também detém cotas de grandes fábricas de geração de equipamentos. Quando a Amazônia entra em produção inviabiliza as ações desses grandes fundos e bancos. Um exemplo: a corrida do estanho no mundo era sustentada pelos bancos ingleses e suas jazidas instaladas principalmente na Malásia. O dia em que entraram em produção os garimpos da Amazônia, o preço da cassiterita caiu de dez para menos de cinco dólares, quebrando não apenas os mineradores ingleses como também os grandes bancos que mantinham cartéis para segurar o preço alto do titânio no mundo todo. O ferro do Carajás é um outro exemplo da força mineral da Amazônia. Quando iniciou a construção de Tucuruí e da estrada de ferro para dar suporte e exportar o ferro de Carajás, o minério tinha um valor que variava entre 25 e 30 dólares a tonelada; hoje, o minério está abaixo de 11 dólares, o que significa dizer que é tanto dinheiro e tanto teor de minério que as grandes minas do mundo, que trabalharam com baixo teor, tiveram que fechar. Por isto, os países que têm o controle de tudo, sobre esses grandes fundos de pensão e sobre esses bancos, estão sempre criando barreiras para o Brasil, quer ambientais ou de contingenciamento de nível internacional, visando que a Amazônia não continue descobrindo grandes províncias minerais, nem construindo grandes hidrelétricas. A bauxita é outro minério que sofre o efeito da produção amazônica: fragmentou um pouco o alumínio do Chile e bastante as indústrias de alumínio dos Estados Unidos. Hoje a Amazônia não faz só a produção primária do minério, como produz o seu agregamento usando a alumina em pequenas vigas, que já saem prontas. A Amazônia tem, portanto, energia, minério e capacidade de transformação. Se construirmos a hidrelétrica de Belo Monte (Pará), vamos baratear ainda mais o custo do alumínio no mundo e valorizar as jazidas na Região, por isto as reações orquestradas, contrárias à construção de novas hidrelétricas na Amazônia.

 

Amazon ViewFalando sobre a hidrelétrica de Belo Monte, as dificuldades para construí-la tem a ver com esses cartéis que manipulam as ONGs, para criar obstáculos?

Feijão – Qual é a imagem que a gente tem de Belo Monte? A imagem que temos é de uma índia Caiapó encostando um facão no rosto do Dr. Antônio Muniz, da Eletronorte. Aquela imagem do facão foi a mãe do apagão, porque fez com que o índio não permitisse que nunca mais se construísse uma hidrelétrica na Amazônia. O facão foi a data-limite da construção de hidrelétricas na região. Todas as hidrelétricas que foram construídas no Brasil, depois do facão, foram fora da Amazônia. Hoje, a construção de Belo Monte, além de se ter ecologicamente uma hidrelétrica de custo muito baixo, gerará também um sacrifício social e ambiental muito baixo, se comparada com Tucuruí e Balbina, por exemplo. Belo Monte está numa área em que as grandes empresas internacionais bloquearam porque com ela a Amazônia vai exportar energia, barateará o preço do alumínio e de outros produtos: são 11 mil kilowatts a mais, para ser distribuídos no Brasil e países limítrofes.

 

Amazon ViewQuem é contra a construção de hidrelétricas na Região?

Feijão – Não só das grandes hidrelétricas na Amazônia, mas principalmente das hidrovias. O que significam as hidrovias? Por que os índios são induzidos pelas grandes empresas internacionais para não deixar progredir as hidrovias? Porque com uma rede de hidrovias na Amazônia baixa o custo do transporte e também da soja e de outros grãos produzidos. O grande competidor do Brasil na produção de soja são os Estados Unidos – a Califórnia sozinha produz 80 milhões de toneladas de soja, quase o equivalente à toda a produção de grãos do Brasil, que é cem milhões de toneladas. Mas nossa produção agrícola vem crescendo em torno de cinco a seis porcento ao ano, o que significa que em dez anos chegaremos ao atual patamar dos Estados Unidos que têm uma agricultura extensiva de baixo custo. Os americanos têm projeção mundial de que o Brasil é eminente-mente de vocação agrícola exportadora, razão pela qual criam contingenciamentos.

Amazon ViewTodas essas limitações que o governo americano faz às importações de produtos brasileiros têm a ver com a nossa potencialidade de produção?

Feijão – O Brasil tem uma característica na sua história industrial: a indústria brasileira tem a capacidade de se aperfeiçoar tecnológica e socialmente em cima de seu produto. Você pega, por exemplo, a Zona Franca de Manaus: os grandes produtores de relógios baratos eram os japoneses, os coreanos e os chineses. O parque relojoeiro de Manaus hoje compete com todas essas indústrias a ponto de ser um dos que mais exporta o produto. O Brasil entrou atualmente na era da indústria farmacêutica, agregando qualidade, pesquisa de ponta e baixo custo à sua produção, que tem a capacidade de dominar tecnologicamente e com baixo custo para qualquer camada social. E isto causa medo, porque no Brasil não tem terremoto nem furacão nem maremoto. Possui regiões com capacidade sazonais para produção agrícola distintas, que pode produzir três safras de soja por ano, flores o ano todo, uma fruticultura ininterrupta. A região Sul faz uma safra, a Centro-Oeste faz outra, a Nordeste outra e a Amazônia ainda outra no mesmo ano. O Brasil é um país que tem esta qualidade.

 

Amazon ViewO turismo está migrando na direção da Amazônia. Quando chegar, será que não perderemos seus benefícios, como já aconteceu com a castanha, a borracha, enfim, com os produtos que tínhamos liderança mundial? Vamos também passar no turismo?

Feijão – O turismo na Amazônia será como o turismo nos Alpes: você precisa usar o suíço para conviver com o esporte de altiplanos gelados. O mesmo acontece se você vai á Bariloche, na Argentina, para ver um esporte gelado num país subtropical. Então, na Amazônia, a floresta será a sedução do turista, a marca do nosso turismo. O que compete a nós é solidificar esse turismo com outros agregados: um deles eu apresentei proposta, há quatro anos, que cria as áreas livres de lazer e jogos. Em outras palavras, permite que cada Estado do Brasil tenha dois cassinos, escolhendo duas grandes áreas para tal. Imagine, por exemplo, uma cidade como São Gabriel da Cachoeira, ou como Tabatinga, que são áreas estratégicas, se elas tivessem um grande cassino? Não Manaus, porque Manaus já tem a pujança da Zona Franca. Mas imagine outra cidade paradisíaca no coração da Amazônia. No momento em que você colocar um cassino  e uma grande pista de pouso naquela cidade, você vai agregar valores a esta região. Imagine que você pegue Serra do Navio, no Amapá, e coloque lá um grande cassino. O segundo ponto é o que se chama hoje de turismo biológico, quando você pega a riqueza da floresta e permite que o turista faça parte desta pesquisa durante o seu passeio. Que ele possa conhecer pássaros; que ele possa, por exemplo, reconhecer uma cobra, sabendo que espécie é aquela; que possa reconhecer o macaco. Temos que profissionalizar mais a interação entre o turista e a região.

 

Amazon ViewE o que está faltando?

Feijão – A Amazônia precisa ser bilíngüe como o Amapá, que é quase bilíngüe por influência da Guiana Francesa. O povo precisa ser um cidadão que fale um pouco de inglês e tenha realmente estudo para receber turista. A grande indústria para esse milênio na Amazônia é, sem dúvida, o turismo. Alguns Estados do Norte têm mais de 90% de biótipos preservados. Isto é um patrimônio turístico, mas é preciso que o Sebrae, o Senai, enfim, todas as instituições, preparem a juventude com aulas de inglês, francês, no caso do Amapá, treinando-a para o futuro do turismo, pois este é como a rajada de vento, quando vem atinge toda a região. Assim no Nordeste, que nos últimos 15 anos deixou de ser a região da seca para ser a do turista.

 

Amazon ViewO que o senhor  pode fazer pelo Amapá, no Senado Federal, já que é pré-candidato à Câmara Alta?

Feijão – Primeiro, resgatar uma grande dívida que o Brasil tem com o Amapá, que é o único Estado do país que não possui infra-estrutura social nem base econômica patrocinada pela União. Se você for a Roraima, vai encontrar 500 km de rodovias asfaltadas. O Amapá, que tem cem mil habitantes a mais, possui somente 170 km de asfalto. É o único Estado do Brasil que só tem cinco pontes de cimento nas rodovias, enquanto existe no país 141 mil km de pontes.

Queremos promover uma reforma federativa capaz de dotar o Estado de seu território e recursos naturais. Hoje, a União é a grande centralizadora das riquezas, detentora dos recursos naturais, florestais, hídricos, energéticos, da pesca e das terras da Amazônia. Dos 560 milhões de hectares que estão na floresta Amazônica, 340 milhões ainda são terras devolutas da União e não existe em nenhuma região do Brasil uma relação de tutela tão forte da Federação quanto no Amapá, a quem cabe somente o ônus da pobreza, da vara da família e do crime. Os Estados são, na verdade, apenas inquilinos da federação, que controlam o seu território mineral e seu espaço florestal, inclusive seus recursos hídricos e fronteiras litorâneas. Um exemplo maior é a Sudam, que sempre foi uma concentradora de riquezas e difusora de cobranças. Se você for à cada área em que a Sudam, respeitadas as exceções, investiu dinheiro dos incentivos, vai ver que ele foi mal aplicado, fazendo o povo sofrer duas vezes: primeiro porque deixou de receber os benefícios dos impostos, depois porque concentrou em poucas mãos a aplicação destes impostos. É preciso se criar nova regra, alterando alguns artigos da Constituição, principalmente os que federalizam os direitos dos Estados para ter sua auto-determinação econômica, especialmente sobre os recursos naturais renováveis ou não. O Brasil tem que se confederalizar mais e flexibilizar mais a centralização do poder da União.

 

Amazon ViewQual a proposta em que o senhor se fundamenta para ser senador pelo Amapá?

Feijão – Trazer indústrias de base para o Estado. Hoje, a cada dia chega mais indústria a Manaus, seja indústria periférica ou de base. A periférica, por exemplo, produz artefatos de borracha para motos da Honda, produz o celim da Caloi: são fábricas de acessórios produzindo para indústrias de base, no caso da Honda e Caloi. Não podemos permitir que o Amapá, que já teve 11 grandes indústrias, tenha apenas a Coca-Cola, uma exportadora de cavaco e a mina de caulim. Foram fechadas as indústrias de camarão e compensados, a ICOMI, três minas de ouro e a indústria de dendê. Temos, portanto, que reintroduzir o Amapá não apenas num parque agro-industrial, trazendo indústria de grãos, principalmente soja, para produzir ração e fazer uma avicultura poderosa, como criando indústrias de base social: fábricas de tecidos e confecções, calçados, agregados alimentícios e uma indústria de madeira para material leve: esquadrias, maçanetas, cabos de vassouras, todos estes produtos que são exportados. (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 45)

 
Apolonildo Brito

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