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Investimentos resgatam memória cultural de Belém

Depois de um período abandono e perda de qualidade de vida, cultural e urbana, investimentos governamentais mudam a cara da capital do Pará, dando suporte ao turismo histórico, cultural, científico e religioso de Belém, graças à equipe (Simão Jatene e Paulo Chaves) do governador Almir Gabriel, disposta a restaurar o legado histórico-cultural da cidade e introduzir melhorias que restaurem a sua condição tradicional de Metrópole da Amazônia.

Belém já gozou prestígio nacional como uma das cidades mais bonitas e de melhor qualidade de vida do Brasil. Isto, no início do século XX, quando a borracha fez a região passar por momentos de fastígio sem precedentes no país. A cidade ganhou belas praças, avenidas, mansões, jardins e arborização. O estilo art noveau prevaleceu na arquitetura e no urbanismo legados pelo período. Mas o tempo foi padrasto. Seu rico acervo histórico foi praticamente abandonado ou transformado em desgastadas repartições públicas. A cidade cresceu tão assustadoramente quanto a sua perda de qualidade de vida, cultural e urbana.

Na última década, contudo, a decadência da capital paraense chamou a atenção do recém-eleito governador Almir Gabriel, que trouxe na bagagem uma competente equipe liderada por Simão Jatene e Paulo Chaves disposta a restaurar o legado histórico-cultural de Belém, bem como introduzir melhoramentos que resgatassem a sua condição de Metrópole da Amazônia. O primeiro passo já havia acontecido em meados dos anos 80, quando Almir foi prefeito de Belém: a restauração das principais praças e do centro da cidade. O complexo do Ver-o-Peso também recebeu completa restauração.

Na primeira etapa, o Museu de Arte Sacra do Pará e Igreja de Santo Alexandre, referências na atividade museológica da região, receberam obras, motivando a criação do Sistema Integrado de Museus (SIM), que gerencia a atividade no Estado – ao qual pertencem, ainda, o Museu do Estado do Pará, Museu do Círio, Museu da Imagem e do Som, memoriais da Estação das Docas (Fortaleza de São Pedro Nolasco e Arqueologia, Memória e Restauro) e galerias.

Partindo do projeto Feliz Lusitânia, o governador começou a atuar pelo centro histórico de Belém, um dos mais preciosos acervos da colonização portuguesa na Amazônia, local onde se originou o povoamento da Região e partiu as expedições para conquistá-la. O projeto rendeu ao governo Almir Gabriel um prêmio nacional do Ministério da Cultura.

A antiga residência oficial dos governadores foi transformada no Parque Residência, um complexo com teatro, restaurante, bares e lazer. A Estação das Docas foi totalmente restaurada e adaptada, tornando-se um dos mais importantes complexos turísticos e de lazer da metrópole paraense. Tudo com vistas ao turismo, cuja infra-estrutura recebeu grandes investimentos, em especial na área metropolitana, que também ganhou um dos aeroportos mais importantes do país, um Planetário, a ampliação do estádio Mangueirão e a macrodrenagem  de seus bairros periféricos, além de outras importantes obras na capital paraense.

Estação das Docas – O Complexo Estação das Docas é visto como a maior obra realizada para mudar a cara de Belém, desde a construção do próprio porto da capital, há mais de cem anos.  Com uma área de 32 mil m² e 500 metros de orla fluvial de Belém, o Complexo Estação das Docas é um investimento de R$ 19 milhões do Governo do Pará, para gerar 1.600 empregos diretos e indiretos, tornando-se uma referência em cultura, lazer e turismo no município de Belém.

Para concluí-la, quatro galpões de ferro inglês do antigo porto da capital foram restaurados em um trabalho minucioso que preserva o acervo e o transforma num dos locais públicos mais bonitos e confortáveis da capital. O complexo tem atrativos inéditos, como uma cervejaria onde a bebida é feita na hora, palcos suspensos, ruínas do forte de São Pedro Nolasco, descobertas durante as escavações da obra,  além da exposição permanente  Memória do Porto, bares, lanchonetes, quiosques, barracas de artesanato, serviços diversos e porto fluvial turístico.

O Boulevard de Feiras e Exposições é um espaço para feiras, convenções, seminários, congressos e outros eventos ligados ao turismo de negócios, com o apoio do teatro-auditório Maria Sylvia Nunes com capacidade para quatrocentos lugares.

Planetário – O universo pode agora ser apreciado e estudado em Belém, graças aos investimentos do Governo do Estado, que construiu um moderno Planetário equipado pela Carl Zwiss Jena GmbH alemã. É o único no Norte e o 23º implantado no país, possuindo cúpula de projeções, hall de exposições, laboratórios de som e imagem, salas de pesquisas, biblioteca e brinquedoteca, além de outras dependências.

Teatro da Paz – Para a reinauguração, o Teatro da Paz, fundado em 1878, passou por restauração completa em todo o prédio, que vai desde o sistema de ar condicio-nado à substituição de toda a cobertura, instalação de um moderno sistema de combate ao fogo, substituição da parte elétrica, restauração de todo o mobiliário, troca de pisos, sistema de automação em todas as varas de luz e modernização do palco, além de reativação do antigo fosso aquático, que vai cumprir a função acústica original e a de cisterna com capacidade para 46 mil litros de água.

As pinturas externa e interna, incluindo as decorativas do artista italiano Domenico de Angelis, já foram recuperadas. A restauração custou em torno de R$ 7,5 milhões, divididos entre o Governo do Estado, Ministério da Cultura e o Ministério das Comunicações, o qual repassou R$ 450 mil para serem usados no evento de reinauguração do teatro, cuja programação iniciou com a apresentação da ópera Macbeth, de Verdi, que fica em cartaz até 20 de maio.

Parque Residência – A antiga residência dos governadores forma, hoje, um complexo turístico-cultural de múltiplo uso, com teatro, restaurante, sorveteria, lojas de produtos regionais e orquidário. O palacete central, construído em estilo eclético, preserva os lustres de cristal, mobiliário, estatuária e outras decorações originais do prédio, inclusive o famoso busto “Clair de lune”, do artista francês Hudon (século XVII). Possui jardins e praças, como a do Trem, que guarda o antigo vagão que o governador Magalhães Barata usava em suas viagens ao interior, além do teatro Gasômetro.

Aeroporto de Belém – O novo aeropor-to da cidade é um dos mais modernos do Brasil e do mundo. Suas obras custaram 78 milhões de reais, sendo R$ 28,599 milhões do Governo do Pará e o restante da Infraero.

Com o novo espaço, o aeroporto passa a ter uma área total de 33 mil m², o que praticamente triplica a capacidade operacional de 900 mil passa-geiros ao ano, para dois milhões e oitocentos mil. Conta com sistemas de monitoramento que funcionam ininterruptamente e possibilitam a verificação antecipada de possíveis problemas; possui modernos equipamentos de raio-x, pórticos, detectores de metais, carros contra  incêndio, ônibus para transporte de passageiros, ambulâncias e serviço médico para carros de emergência. O segundo terminal inaugurado possui 13 mil m² e abriga as áreas de desembarque nacional e internacional, com esteiras rolantes; mais três pontes de embarque; 20 lojas e o terraço panorâmico com lanchonetes, restaurantes e café. O lugar é climatizado, sendo, portanto, possível, visualizar o pouso e a decolagem dos aviões sem o incômodo da poluição sonora.

Macrodrenagem – O projeto de macrodre-nagem foi iniciado oficialmente em 1990, mas somente em 1997 ganhou as ruas da cidade. O Governo do Pará e o Banco Interamericano de Desenvolvimento são os principais financiadores do projeto, que envolve um investimento de US$ 250 milhões. É o maior projeto de saneamento da América Latina e atinge 45% do território continental de Belém, beneficiando diretamente 16 bairros.

Com a macrodrenagem, as baixadas de Belém – que ficavam permanentemente dentro d’água – são cenário do passado. Enfim, a execução do projeto trouxe qualidade de vida e já dragou e revestiu de concreto mais de 20 km de canais, construiu 85 km de ruas e abriu novas vias asfaltadas, criando alternativas para o trânsito da capital.

Projeto Feliz Lusitânia – O projeto faz parte do Complexo Urbanístico do Centro Histórico de Belém, que compreende o Forte do Presépio (atual Forte do Castelo de São Jorge), o Colégio Jesuíta de Santo Alexandre (Palácio Episcopal, hoje Museu de Arte Sacra), o Palacete das Onze Janelas (antigo Hospital Militar e depósito da 8ª Região Militar) e seus anexos, além de jardins e o entorno imediato dessas áreas, que remontam aos séculos XVII e início do XVIII.

Museu de Arte Sacra – Em setembro de 1998, Belém ganhou este importante espaço cultural, o primeiro no gênero em toda a região amazônica, que funciona no conjunto formado pela Igreja de Santo Alexandre e o Palácio Episcopal, no bairro Cidade Velha, núcleo que deu origem à cidade.

Com rico acervo de mais de 300 peças de arte sacra, considerado dos mais importantes do país, o museu possui espaços específicos para exposição permanente, a Galeria Fidanza, o Café do Museu e a Boutique Empório das Artes, onde se encontram à venda diversos produtos culturais da região. O antigo Palácio Episcopal abriga o Museu de Arte Sacra.

Presídio de São José – Considerado patrimônio da cidade, o antigo presídio São José, construído no século XVII, passa por restauração para abrir um espaço de lazer, produção e trabalho, onde funcionará o Pólo Joalheiro e a Casa do Artesão. (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 45)

 
Apolonildo Brito

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