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Matérias Temáticas | Ecologia

Reserva Biológica do Uatumã (Rebio-Uatumã)

Garantindo a preservação de mais de 562 mil hectares, a Reserva Biológica do Uatumã é mais um importante refúgio da biodiversidade da Amazônia. Localizada nos municípios de Presidente Figueiredo, São Sebastião do Uatumã e Urucará, a Rebio-Uatumã é considerada área prioritária à manutenção da diversidade biológica regional e faz parte do Corredor Ecológico da Amazônia Central, maior conjunto de áreas naturais protegidas do planeta.

Com objetivos de preservar os atributos naturais dos rios Uatumã e Jatapú, a Unidade de Conservação (Rebio-Uatumã) foi criada em 1990, como uma contrapartida à natureza quando o governo construiu a usina hidrelétrica de Balbina, em 1986, com o enchimento do imenso reservatório. Por ser uma reserva biológica, somente pode ser visitada por pesquisadores e receber ações de educação ambiental. O acesso é feito pela BR-174 (Manaus/Boa Vista), partindo de Manaus no sentido à capital de Roraima, quando se chega no km 104 toma-se uma estrada à direta, que dá acesso a usina de Balbina, percorrendo mais 80 km até chegar no destino. Existem acessos alternativos por via fluvial. A cidade mais próxima à unidade é Vila de Balbina, que fica a uma distância de 184 km da capital.

Os cuidados da Rebio-Uatumã são do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que a partir de 1994, junto com a Eletronorte, iniciou projetos para compensar os danos causados com a inundação, quando foi elaborado o Plano de Manejo da Unidade, que é o orientador das ações na unidade. O convênio que administra os recursos, no valor de R$ 1,4 milhão, destinados a manutenção e pesquisas na Rebio, determina que a Eletronorte (hoje privatizada pela Manaus Energia) é o gerador de recursos, o Programa Waimiri-Atroari é quem administra o dinheiro e o Ibama executa as ações segundo o projeto e as necessidades que surgem.

Arquipélago – O conjunto de pequenas ilhas na área da Rebio-Uatumã, é um dos mais peculiares arquipélagos amazônicos, com mais de 3,3 mil delas oriundas da inundação do lago da hidrelétrica de Balbina. A invasão dessas ilhas é um perigo constante e a fiscalização está atenta para que este tipo de ocupação não se consolide na reserva.

A importância de se preservar a diversidade biológica do ecossistema de floresta tropical densa do rio Uatuma/Jatapú é evidente pois a unidade tem características peculiares com os ecossistemas lacustre e insular formados com o barramento do rio e que protege espécies endêmicas, raras, vulneráveis ou ameaçadas de extinção.

A região está caracterizada pelo sistema de floresta tropical densa, constituída pela uniformidade do dossel, sendo, portanto, o número de espécies emergentes um sub-bosque denso. Apresenta, ainda, formações de floresta aberta com palmeiras e cipós, destacando-se a presença do patuauá (oenocarpus bataua) e do inajá (maximiliana regia).

 Fauna rara – A fauna terrestre e alada da região apresenta, principalmente, espécies típicas da região zoogeográfica das Guianas, onde ocorrem exclusivamente diversos gêneros e espécies, como o sauim-mão-dourada (Saguiinus midas midas) e o parauacu (Pithecia pithecia). Segundo levantamento local, ocorrem cerca de 14 espécies de animais ameaçados de extinção, como o famoso galo da serra, considerado o pássaro mais belo do Brasil e símbolo do município de Presidente Figueiredo.

A fauna aquática, apesar da reserva só proteger uma margem do rio Uatumã, é de extrema riqueza com as espécies de pescado nobres conhecidos na região como o pirarucú, tambaqui, tucunaré, etc... Porém, estudos recentes mostram que a ictiofauna do rio é muito rica e a reserva é um importante refúgio de espécies para que se mantenha a rica diversidade de fauna aquática.

Pesquisas – Uma reserva biológica tem que cumprir com as finalidades para que foi criada, que são a pesquisa e a educação ambiental. Segundo o administrador da Rebio, pelo Ibama, está em andamento há mais de seis meses uma pesquisa sobre as ariranhas, que está sendo conduzida pelo professor doutor Fernando Rosas, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Neste ano ainda vai ser implementada uma nova pesquisa sobre os quelônios (tracajás, tartarugas e iaçás) da reserva. O outro grande objetivo da Rebio é ser uma grande sala de aula para a sociedade e para as comunidades que tem acesso à reserva e ao lago, e esta é uma das metas para este ano prevista no convênio tripartite (Ibama, Manaus Energia, Programa Waimiri-Atroari) que administra a reserva.

A pesca profissional junto com a esportiva tem sido o principal foco de preocupação dos órgãos que administram a reserva, e portanto, foi realizada uma pesquisa junto a Universidade do Amazonas (UA), com a finalidade de avaliar a atividade pesqueira desenvolvida no reservatório da Usina Hidrelétrica de Balbina, que deu origem ao projeto “Avaliação Preliminar da Atividade Pesqueira no Lago de Balbina e sua Interferência na Reserva Biológica do Uatumã”. Durante quatro meses, técnicos da UA realizaram pescarias experimentais, entrevistaram pescadores artesanais e esportivos. Uma das questões levantadas pelos pescadores locais era o fato de acharem que a produtividade de peixes é maior na área dentro da reserva (margem esquerda) do que fora da reserva (margem direita), o que os levava a reivindicar a liberação para pesca num grande trecho o lado da Rebio.

Refúgio de peixes – De acordo com os estudos comandados pelo professor Dr. Carlos Edwar, coordenador do projeto, as caracteristicas ambientais na reserva detectadas são de menor profundidade, abundância de perifíton, proximidade  a antigos igarapés do Uatumã e grande quantidade de espécies que servem como presas, que são provavelmente, os agentes determinantes da produtividade das pescarias, logo fundamentais para a manutenção da fauna aquática de toda  a região.

O resultado da pesquisa teoriza ainda que a reserva apresenta grande importância para a manutenção do reservatório,  pois exerce uma função ecológica similar a dos refúgios, o que indica a existência de um processo de recolonização da fauna  dentro da área protegida. Esta função é de extrema necessidade para  preservação do lago, uma vez que a atividade de pesca esportiva tem sido cada vez maior com o fluxo turístico grande que Balbina vem alcançando na última década.

O projeto, além de levantar os problemas existentes no lago,  mostrou também soluções. Várias recomendações foram feitas para que o lago mantenha sua produtividade pesqueira, dentre elas as principais são: implantação de um  sistema participativo de manejo; implantação de um sistema de monitoramento/estatística pesqueira; e a manutenção da Reserva Biológica. (Cristovão Nonato - Revista Amazon View – Edição 46)

 
Apolonildo Brito

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