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Jornalismo | Reportagens

Theatro da Paz reabre com festival de ópera

O Theatro da Paz, um dos principais teatros-monumentos do Brasil, tombado pelo IPHAN, DPHAC e DEPH, depois de ser totalmente restaurado, reinaugurou com toda a pompa que o monumental patrimônio histórico-cultural paraense exige, apresentado programa especial de reinauguração para operários, governador Almir Gabriel e autoridades, além de festival de ópera, concertos sinfônicos e recitais de piano, com artistas de renome internacional.

Na reinauguração oficial, o Theatro da Paz apresentou para os 250 operários que trabalharam na obra e para governador Almir Gabriel e autoridades, a ópera “Macbeth” de Guiseppe Verdi, sob a regência de Patrick Shelley e direção de Mark Clark. Além da ópera de Verdi, o programa de reabertura do Theatro da Paz envolveu um Festival de Ópera, apresentando “A Noiva do Condutor”, “A Viúva Alegre”, concertos sinfônicos e recitais de piano com Arthur Moreira Lima, Marcelo Bratke e Gabriella Affonso, além de palestras.

Esta importante obra do Governo Almir Gabriel, através da  Secretaria Executiva de Cultura, veio  restaurar o secular Theatro da Paz, que já foi palco de grandes artistas internacionais nos “tempos áureos da borracha” e orgulho dos paraenses. A obra ficou orçada em R$ 7,5 milhões, sendo maior parte dessa verba proveniente de recursos estaduais com o apoio da Companhia Vale do Rio Doce.

Todas as instalações elétricas e hidráulicas, que se encontravam em estado precário e ameaçavam o teatro de infiltrações e incêndio, foram reformadas. Criaram-se sistemas anti-incêndio e de segurança 24 horas e instalou-se novo sistema de refrigeração. Os portões de ferro na entrada também foram restaura0dos, assim como as portas principais. O forro, com pinturas decorativas, do hall de entrada, comprometido pela ação dos cupins, foi refeito em madeira de lei e as pinturas originais reproduzidas. A escadaria principal teve os degraus reestabelecidos à originalidade e foram restaurados o lustre de cristal, as pinturas e os elementos decorativos. Os pisos em ladrilho hidráulico foram recompostos com a fabricação de peças semelhantes às originais. As escadarias em lioz foram reconstituídas. Os porões foram totalmente redesenhados para ampliar suas funções. No lugar onde funcionava a primeira galeria Theodoro Braga foi instalada a administração.

Foram construídos copa, sanitários, vestiários para os funcionários e almoxarifado. O prédio recebeu também sala de controle dos equipamentos de segurança, serviço de telefonia, sala das máquinas de refrigeração, novo isolamento acústico e casa de força com novos equipamentos.

O trabalho de prospecção nas paredes do Salão Nobre Foyer trouxe à tona a pintura decorativa original do artista Domenico D´Angelis: linhas e florais de grande delicadeza, escondidos sob várias camadas de pintura. No teto também houve pesquisa em busca de vestígios da antiga pintura do italiano, mas foi considerado perda total da obra. Com esse resultado, restaurou-se ainda a pintura de Armando Balloni. O piso em parquê (taco de acapu e pau-amarelo formando desenhos), lustres, molduras de espelhos e portas foram reconstituídos e algumas portas foram trocadas; os bustos em mármore dos maestros Carlos Gomes e Henrique Gurjão, higienizados.

No terraço, o mármore branco já desgastado do piso foi substituído por mármore aurora pérola. Também houve recuperação da balaustrada em lioz e das colunas. As duas estatuetas da balaustrada tiveram sua função de luminária recuperada, passando por completa limpeza; os bustos da fachada e o brasão d´armas do Estado. A prospecção levou à descoberta, no pátio em direção à Av. Assis de Vasconcelos, de antigas pinturas em escaiola (efeito de marmorização), encobertas por camadas de tinta. As pinturas foram reproduzidas até a altura dos frisos. No camarote do Governador, o trabalho prospectivo ajudou a descoberta de piso e forro originais do camarote. Por debaixo de um carpete vermelho havia um belíssimo piso em parquê, composto em madeiras nobres da região. O forro exibia uma pintura grosseira que encobria o brasão original de Domenico D`Angelis. A documentação histórica do teatro, antes dispersa, ficará concentrada na sala de arquivo, acrescentada no atual projeto.

Os camarins receberam o tratamento padronizado dos demais pavimentos. Atualmente, o historiador Alan Coelho finaliza as pesquisas para o álbum comemorativo que a Secretaria de Cultura lançará em breve, contando toda a deslumbrante história da casa de espetáculos, que encherá de orgulho o coração dos paraenses. (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 46)

 
Apolonildo Brito

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