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Festival de Parintins, a fantasia amazônica

Quem quiser conhecer a maior festa cultural da Amazônia, não deve perder este ano o Festival Folclórico de Parintins (AM), realizado entre as dias 28. 29 e 30 de junho. Não existem palavras nem imagens que possam descrever o grandioso show que reúne cerca de dez mil figurantes, belas fantasias, majestosas alegarias e mais de 35 mil pessoas que assistirão frenéticas à disputa de beleza, cores, toadas e criatividade no Bumbódromo de Parintins.

 

 

O espetáculo amazônico de milhões de dólares, inspirado no folclore trazidos pelos negros bantos, assimilado pelos índios, brancos e religiosos, promete ser o melhor de todos os tempos. As origens do Boi de Parintins são imprecisas, mas há quem garanta que ele nasceu no final do século XIX, trazido pelos "Soldados da Borracha" vindos do Nordeste, para fugir da grande seca que lá ocorreu, ainda como um folguedo junino, na forma do tradicional bumba-meu-boi maranhense.

Mais tarde, em 1913, Lindolfo Monteverde fundou o Boi Garantido à véspera do dia de Santo Antônio, como “boi de promessa",  surgindo anos depois o Boi Caprichoso (1927 a 1929), estabelecendo a rivalidade que hoje dá magnitude ao Festival Folclórico de Parintins. Para colocar fim aos conflitos de rua entre os dois grupos, membros da Juventude Católica criaram os festivais no final da década de 60, que ganharam dimensão com a construção do Bumbódromo nos anos 80.

O Boi de Parintins chamado boi-bumbá, diferencia do folclore maranhense na coreografia, ritual, auto, toadas e personagens. Parintins celebra o seu folclore em data e lugar determinados e sua galera é parte integrante do espetáculo, enquanto o bumba-meu-boi é itinerante, apresentando-se nas casas e arraiais vários meses do ano, mas ambos têm valar cultural imensurável.

Se o bumba-meu-boi se tornou a manifestação folclórica mais difundida no Brasil, o boi-bumbá se transformou na maior festa popular do país, depois do Carnaval, é claro.  Parintins deu-lhe grandiosidade e beleza, sintetizando a grandeza da temática amazônica.

Pode-se dizer que o bumbá é a simbiose do bumba-meu-boi, criada pela genialidade dos artistas parintinenses, incorporando valores culturais da região, sem desrespeitar a tradição do folclore original. Este fato dinâmico pode ser constatado a cada ano no Bumbódromo, construído nessa cidade amazonense que recebe milhares de visitantes todos os finais de junho. Até mesmo o majestoso Carnaval do Rio de Janeiro se curvou à pujança cênica do Boi de Parintins e o levou várias vezes como enredo na Marquês de Sapucaí.

 

Otimismo e mudanças

Os integrantes dos Bois Caprichoso e Garantido estão apostando que neste ano o Festival Folclórico de Parintins será o melhor de todos os tempos, pelo menos em termos de apresentação no Bumbódromo. Todos estão se preparando para os próximos dias 28, 29 e 30 de junho, mas há anúncios de mudanças estruturais nos bumbas deste ano em diante. A forma como o Boi tem sido conduzido fora da arena, têm desagradado os folcloristas de Parintins. Eles acham que o bumba esta se descaracterizando e perdendo a identidade cultural com o folclore ali recriado.

Werner Botelho, Graça Faria, André Nascimento e Ricardo Paguete, artistas do Garantido, são de opinião que a coreografa e o ritmo do bumbá mudaram com a difusão do Boi, se complicaram e tenderam para o lado do tchan baiano, que não apenas o descaracterizou como adquiriu particularidade de outros lugares, com reflexos profundos no conceito do folclore. O ritmo acelerou para se tornar mais dançante e a coreografa dificultou ao ponto de desagradar aqueles que assistem ao Festival, porque a realidade na arena é bem diferente do bumbá apresentado fora de Parintins. Até mesmo nos shows realizados em outras cidades, a coreografa ficou difícil para ser acompanhada pelo público. "Não adianta assistir a um show de Boi e ver somente os bailarinos dançarem no palco”, enfatizam.

A Comissão de Arte do Garantido decidiu, então, resgatar o folclore como ele foi concebido em Parintins, determinando as bases oficiais do Boi deste ano, que repousa nos passos básicos e nos movimentos de braços que definem a coreografia do boi-bumbá e que também refletem no item galera. As trés modalidades de coreografias (arena, curral e galera) serão resgatadas gradualmente a partir deste ano, para que o público se readapte ao boi-bumbá tradicional. O mesmo vai acontecer de forma a torná-lo mais cadenciado. A bateria, a guitarra, os metais e instrumento de sopro, que não eram usados originariamente, serão disciplinados para não roubar a cena do instrumento básico do folclore, que é o tambor (percussão).

É dessa forma que a Comissão de Arte do Garantido pretende oferecer ao visitante do Festival deste ano e a gerações futuras um Boi-bumbá bonito, autentico e único, digno da grandeza concebida pelos artistas parintinenses. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 42)

 

 
Apolonildo Brito

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