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Macapá tem urbanização da orla fluvial concluída

Depois de ter sido saqueada, mutilada e abandonada, a Fortaleza de São José de Macapá voltou à sua forma original para que as gerações presentes e futuras valorizem sua importância histórica, como testemunha viva da conquista da Amazônia e da formação cultural do Amapá. Hoje, esse monumento destaca-se em meio à bela obra urbanística da orla fluvial da cidade, dividindo espaço com a majestosa Foz do Amazonas.

Depois de mais de uma década de construção, paisagismo e restauração, os macapaenses ganham uma bela orla fluvial, com destaque para a monumental Fortaleza de São José de Macapá totalmente restaurada. Após a entrega das obras do entorno dessa histórica fortificação, concluiu-se a urbanização e paisagismo da orla da frente da capital amapaense, cuja extensão vai do Igarapé das Mulheres à praia Araxá.

Os trabalhos ali executados atravessaram vários governos estaduais, com início ainda na administração de Annibal Barcellos, quando foram aterrados os manguezais em frente à cidade. O ex-prefeito Papaléo Paes foi o responsável pelo início da urbanização e do paisagismo propriamente ditos dessa bela orla fluvial, inclusive a construção da Praça Beira-Rio, com apoio da Suframa e recursos próprios da prefeitura. A restauração do principal monumento da cidade, a Fortaleza de São José de Macapá, coube ao empenho e ao idealismo do ex-governador João Alberto Capiberibe, que também o transformou num centro de arte e cultura amapaense.

O prefeito João Henrique teve o privilégio de concluir os trabalhos da orla macapaense, enquanto o governador Waldez Góes deu o toque mágico da finalização e da entrega do entorno da Fortaleza, o corolário do complexo urbanístico ungido pela margem esquerda do rio Amazonas, obra que ganhou o prêmio “Rodrigo de Melo” que é, fundamentalmente, o reconhecimento às ações de preservação e divulgação do patrimônio cultural brasileiro.

Monumento símbolo – Como um cintilante pingente num rico colar de gemas preciosas, a Fortaleza de Macapá destaca-se em meio à bela obra urbanística da orla da cidade, onde o paisagismo humano e divino dividem espaço com a Foz do Amazonas e arquiteturas coloniais e modernas. A Fortaleza, que foi marco militar da presença portuguesa na Amazônia, hoje assume marcos de cultura e lazer, além de ter inspirado administradores para o preparo da orla mais bonita da região, como uma sutil homenagem a esse legado histórico.

Depois de ter sido saqueada, mutilada e abandonada, a Fortaleza de São José de Macapá voltou à sua forma original para que as gerações presentes e futuras valorizem sua importância histórica, como testemunha viva da conquista da Amazônia e da formação cultural do Amapá. A iniciativa do Governo do Estado também criou, assim, um espaço destinado à cultura e ao lazer.

A primeira etapa da restauração da Fortaleza envolveu parceria com o Ministério da Cultura e executou trabalhos para resgatar as suas linhas originais. O patrimônio é, atualmente, administrado pela  Fundação Museu Fortaleza de São José de Macapá, concebida para gerenciar e planejar a sua ocupação, contribuindo para o desenvolvimento científico e cultural da sociedade amapaense; catalizar, pesquisar e difundir conhecimentos referentes à herança cultural dos diversos grupos sociais da região; incentivar o turismo cultural no Amapá; produzir eventos; gerar recursos para projetos científicos e culturais; capacitar profissionais da região e outras atividades afins.

Na Fortaleza funciona um centro de convivência e lazer, exposições históricas, científicas, artísticas e de cultura popular da região, além de museu, oficinas, palestras, conferências, seminários, espetáculos teatrais e musicais, lojas e restaurante com produtos típicos, além de realizar missas, batizados e casamentos na capela.

Essas atividades ocupam as seguintes dependências da Fortaleza: Revelim – bilheteria, quiosque e espaço de convivência; Recepção – sala de espera com computador (programa interativo sobre aspectos culturais da região e atividades da Fortaleza), telefones públicos e sofás; Bloco 1 – restaurante; Bloco 2 – exposição sobre a história da Fortaleza; Bloco 3 – capela para realização de missas, batizados e casamentos; Bloco 4 – exposição histórica do Museu Joaquim Caetano da Silva; Bloco 5 – auditório e teatro; Bloco 6 – galeria de arte; Bloco 7 – exposição arqueológica e etnológica da região; Bloco 8 – reserva técnica; Casamata 1 – departamentos técnico-científicos; Casamata 2 – oficinas educativas-culturais, lojas com produtos típicos, livraria e banheiro público; Baluartes – centro de convivência; Praça Central – palco para espetáculos musicais e eventos regionais.

História do Monumento – Desde a inauguração em  1782, este legado da conquista da Amazônia teve várias fases de abandono, que o levaram ao arruinamento e a perder algumas partes mais vulneráveis. Na criação do Território Federal do Amapá (1943), abrigou o comando da Guarda Territorial, serviu de prisão para detentos da Justiça, albergue de migrantes e virou estábulo para animais.

Após o seu tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1950, a Fortaleza foi transformada em centro sócio-cultural e de lazer, local onde se comemoravam as datas cívicas, com salvas de tiros de canhão pela alvorada, desfile escolar e militar e festas dançantes. Ali também funcionou a Imprensa Oficial, o Tiro de Guerra, a União dos Negros do Amapá e o Museu Territorial, ficando praticamente inativo durante décadas.

A Fortaleza de São José de Macapá é o testemunho mais eloqüente do processo de luzitanização da Amazônia, no reinado de D. José I, tempo em que o Marquês de Pombal era primeiro-ministro de Portugal. Sua imponente construção retrata a força do braço escravo, de negros e índios, erigida com pedras retiradas da cachoeira das Pedrinhas.

Projetada em 1740, por Manuel Luiz Alves, da Academia Militar de Lisboa, a obra faz parte de um conjunto de 12 fortificações construídas ao longo da região amazônica, mas somente iniciada a partir de 29 de junho de 1764 (data da elevação do povoado de Macapá à condição de vila), obedecendo à planta do engenheiro italiano Henrique Antônio Gallúcio, que aproveitou a idéia original, acrescendo outros elementos à obra, além da concepção em alvenaria de pedra, cimentada com banha de tartaruga.

No primeiro semestre de 1771 foram concluídos os trabalhos internos, mas a inauguração só aconteceu em 19 de março de 1782, com a obra ainda não terminada, 18 anos após o lançamento da pedra fundamental do baluarte São Pedro.

Restauração – A Fortaleza de São José de Macapá ocupa 84 mil metros quadrados, por oito de altura, possuindo forma quadrangular, com quatro baluartes pentagonais nos vértices. A ligação externa faz-se por duas pontes através do Revelim, construção responsável pela proteção da porta principal. O acesso ao interior da Fortaleza inicia-se através da Casa do Orgão, bloco originalmente designado ao Corpo da Guarda, marcado por expressiva fachada em estilo clássico. Circundada por terraplanos, apresenta uma Praça Central composta por oito blocos distribuídos em pares:  alojamento dos  oficiais, casa do médico, casa do capelão, capela, casa do comandante e armazéns de pólvora, munição e mantimentos.

A fachada da capela lembra o estilo jesuítico e a casa do comandante destaca-se pela presença de óculos sobre a porta principal. Os armazéns de munição apresentam as características do desenho Vauban para paiol, com cobertura de alvenaria mista, de grande inclinação sobre a abóboda de berço. O armazém de pólvora destingue-se dos demais pela presença de muro de proteção, sob os terraplanos sul e leste, onde encontram-se as casamatas divididas em oito celas e interligadas por corredores que criam perspectivas interessantes.

O atual projeto de restauração do monumento envolveu técnicos dos mais variados setores, principalmente pesquisadores, arqueólogos, construtores e consultores do Iphan. As diretrizes básicas da obra pautaram-se na releitura do monumento por meio de documentos e modificações feitas ao longo do tempo; da investigação e fortalecimento da estrutura primitiva, com a compatibilidade dos novos materiais empregados e da sua adaptação ao novo uso.

Prospecções feitas na área onde estariam as antigas bases das pontes e estudos realizados na década de 70, apesar da rede de esgoto ali colocada, possibilitaram a locação de novas pontes. O retorno delas restabelece o elo de ligação da Fortaleza através do Revelim, configurando-se como elemento contemporâneo e harmônico com a arquitetura antiga.

O calçamento em pedra da Praça Central encontrava-se rejuntado com cimento, sem escoamento natural. O piso foi removido integralmente, para locação de um sistema radial de drenagem, possibilitando a coleta geral da água, ajudada pela aplicação de grama entre as pedras, que proporciona a vasão inclusive das periferias da praça, onde já não havia calçamento.

Nos terraplanos leste e sul, após a identificação do sistema original e mapeamento periódico das áreas de infiltração, foi realizada uma intervenção direta nas abóbadas através do seu recobrimento com argamassa de cal e utilização de materiais compatíveis nas canaletas de drenagem.

As coberturas das casas de munição estavam rebocadas com espessa camada de cimento, que as descaracterizavam e provocavam sérias infiltrações no maciço das abóbadas. Após a remoção do reboco, as coberturas receberam argamassa de cal, apoio em alumínio e coberta de telha, de acordo com pesquisa histórica. Nos demais blocos as telhas foram retiradas, para limpeza, revisão e imunização por injeção e pincelamento da estrutura de madeira e encaliçamento com argamassa de cal. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 79)

 
Apolonildo Brito

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