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Calindoscópio amazônico na lente de João Ramid

Se alguém abraça uma profissão literalmente por amor, este alguém é João Ramid, renomado fotógrafo paraense, detentor de vários prêmios e fotos em capas de revistas nacionais e internacionais, dentre elas Amazon View, Veja, Exame, Time, Newsweek, Dee Spiegel e outras. Seus trabalhos de fotojornalismo já ganharam o mundo editorial e foram destaque em exposições e portfólios de famosas galerias e agências fotográficas.

João Ramid não é apenas um fotógrafo completo (fotopaisagista por excelência), capaz de fazer bem todas as modalidades do ramo – fotojornalismo, publicidade, estúdio e paisagem. É ágil, corajoso e aventureiro. Para obter uma boa foto, é capaz de enfrentar perigos e doenças, sobrevoar a floresta em pequenos aviões monomotores, embrenhar-se na mata por dias seguidos, subir em árvores, escalar montanhas, navegar em minúsculas canoas, andar no lombo de cavalo e vencer qualquer obstáculo, inclusive saltar de pára-quedas.

Apaixonado pela Amazônia, a qual considera fonte inspiradora de qualquer profissional das lentes, acha que os pontos mais bonitos da região estão no Oeste do Pará, destacando os rios, lagos, praias, bancos de areia, sítios arqueológicos e a riqueza animal da micro-região. A área de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira da Venezuela e Colômbia, também merece destaque pela sua paisagem, além do norte do Estado de Roraima: Monte Roraima, Parima, Caburaí, Tapequém, Serra da Neblina e região dos lavrados. O Vale do Guaporé é outro ponto especial da Amazônia, que se conjuga com as belezas do Pantanal, diz. Garante que Alter-do-Chão (Santarém) e os índios Waiãpi (Amapá) são os cartões postais da região, mas ressalva que toda a Amazônia é bonita e digna de ser fotografada, como as ilhas do Marajó e Mexiana, a região do Salgado e o sul do Pará, além do arquipélago de Anavilhanas e as cachoeiras de Presidente Figueiredo, no Estado do Amazonas.

O início de sua carreira se deu naqueles acasos do destino, em Porto Alegre, quando assistia a uma filmagem com a namorada, que participava do filme. A convite do produtor da película, integrou a equipe com a qual aprendeu a filmar, fotografar e lidar com equipamentos. Logo tornou-se repórter- fotográfico do jornal portalegrense Zero Hora, além de fotografar para revistas e outros órgãos da imprensa gaúcha.

No Rio de Janeiro fotografou para cartões postais, editoriais de moda, capas de discos e CDs. Mas voltou para Belém, um sonho há muito acalentado, através da TV Bandeirante, como repórter-cinematográfico. Na capital paraense também participou da equipe de filmagem do cineasta paraense Milton Mendonça, com o qual aprendeu a fazer imagem na Amazônia, ambiente que exige muito mais do artista do que em qualquer outro lugar do mundo, onde para se produzir uma imagem é preciso participar de todo o processo de produção.

Mais tarde, convidado pela revista Veja, que estava montando a sua sucursal na Amazônia, foi contratado como fotojornalista, experiência que durou cinco anos e rendeu frutos ao seu aperfeiçoamento profissional e para conhecer grande parte do norte continental. Ramid afirma que a Veja foi outra grande escola, propiciando-lhe cursos e oportunidades de aparecer no cenário mundial, o que aproveitou para fotografar paisagens, pessoas e elementos culturais da região. “Isso me abriu uma nova perspectiva profissional”, ressalta o fotógrafo.

Transferido para a sucursal da Veja, em Brasília, Ramid viveu sete anos fazendo matérias nacionais e internacionais, quando se conscientizou da importância da matéria fotográfica no contexto político, econômico e cultural do mundo. Para ele, a Editora Abril é um grande laboratório profissional, onde o fotógrafo tem que ser completo, aplicando tudo que sabe da arte fotográfica, desde a fotografia miniaturizada até à macrofotografia.

Conta que os maiores riscos que passou, profissionalmente, foi no auge do garimpo de Serra Pelada; no mapeamento marítimo das costas brasileiras, em que teve de passar semanas em alto mar, em embarcações pequenas, cercadas de tubarões e ondas gigantescas; na cobertura jornalística do césio 137 (radiativo), em Goiânia; na guerrilha na fronteira brasileira (que lhe garantiu uma capa na revista Veja e na lª página no Jornal do Brasil) e na guerra contra o narcotráfico, na Colômbia. O maior deles, porém, foi quando cobria, pelo Jornal do Brasil, o ataque a aviões brasileiros pelo Exército venezuelano e que se viu a bordo de um deles, além de ter sido preso, cinco vezes, por traficantes e policiais, durante a sua estada de 25 dias na cobertura jornalística do affaire colombiano, sofrendo risco de ser executado pelos bandidos e mocinhos. Pode?!!!

João Ramid não esconde, entretanto, sua paixão pela fotografia, emoção que compensa todos os riscos de vida e dificuldades financeiras da profissão, segundo ele. Hoje, depois de sua longa trajetória de fotojornalismo, dedica-se à Agência Amazônia de Comunicação, empresa que montou em parceria com a jornalista Lane Bastos, cobrindo toda a Amazônia e parte do Nordeste brasileiro, desde que retornou, pela segunda vez, para Belém, em 1991, prestando serviços de texto e foto para as principais revistas e jornais brasileiros, como Amazon View, Exame, Globo Rural, Isto É, Caminhos da Terra, Gazeta Mercantil, O Globo e, inclusive, para a imprensa internacional. Oferece, ainda, serviço de fotografia publicitária às principais agências de propaganda de Belém, além de produzir books e fotos de comida, políticos, empresários e moda. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 27)

 
Apolonildo Brito

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