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Roraima entra no novo milênio com energia de Guri

O que parecia um sonho há alguns anos vai se tornar realidade para a população de Roraima a partir de abril de 2000. A energia do complexo de Macágua, na Venezuela, chegará ao Estado através do linhão de Guri e abrirá caminho para o desenvolvimento industrial da região. A linha de transmissão da energia já está concluída de Boa Vista, capital do Estado, até Pacaraima, cidade que faz fronteira com a Venezuela.

No lado venezuelano a obra esteve parada por alguns meses, devido a problemas com as comunidades indígenas e com entidades ambientalistas. Porém, depois de um encontro que teve com o governador Neudo Campos, em Caracas, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, garantiu que até abril do próximo ano a obra fica pronta.

Os testes nos equipamentos da Subestação Boa Vista, que vai receber a carga de 280 mil volts de energia do complexo de Macágua, já foram realizados. Já o teste na linha de transmissão só poderá ser feito a partir da interligação com a Venezuela.

A Subestação Boa Vista, localizada a 20 quilômetros da capital, na saída para Pacaraima, fará o rebaixamento da energia vinda da hidrelétrica venezuelana, de 280 mil para 69 mil volts. Da subestação sairão duas linhas em circuito duplo que entrarão na cidade pelo bairro de Caranã, chegando às subestações da Boa Vista Energia localizadas nos bairros Floresta e Centro, onde a empresa fará a distribuição para a cidade.

Para trazer energia até Boa Vista, dois fios com 400W (megavolt) saem do complexo de Macágua, na Venezuela, do qual faz parte a hidrelétrica de Guri. Na localidade de Las Claritas, uma estação fará o rebaixamento da rede para 230MV. Duzentos quilômetros à frente, em Santa Elena de Uairén, através de sistemas de reatores, a rede de energia fará o abastecimento daquela cidade. De lá, a cidade de Pacaraima, que fica na fronteira da Venezuela, também poderá ser abastecida.

Desenvolvimento – Roraima vai iniciar o terceiro milênio com grandes perspectivas de desenvolvimento. A instalação de indústrias é apenas uma questão de tempo. A construção de linhas de eletrificação rural também é uma realidade. O governo já está construindo mais de 800 quilômetros de linhas que vão levar a energia de Guri para as regiões de Caracaraí, Iracema, Mucajaí, Alto Alegre, Bonfim, Pacaraima, Uiramutã, Amajari e Normandia.

Neudo Campos ainda mais otimista

A construção da linha de transmissão da energia de Guri só foi possível graças ao empenho do governador Neudo Campos e dos parlamentares que o apoiaram em Brasília. Os contatos com o presidente Fernando Henrique Cardoso, dirigentes da Eletrobrás, ministros e, principalmente, o ex-presidente da Venezuela, Rafael Caldera, foram um constante nos primeiros anos do governo de Neudo.

A previsão inicial para a conclusão da obra era dezembro de 98. Porém, problemas na Venezuela atrasaram o cronograma, mas depois que Neudo Campos se encontrou com o presidente Hugo Chávez, houve a garantia de que o linhão ficará pronto em abril de 2000.

O governador ficou otimista com o compromisso assumido por Hugo Chávez e disse que a obra é uma das mais importantes para Roraima. Ele afirmou que os projetos de desenvolvimento do Estado ganham um impulso extra com a chegada da energia de Guri.

Segundo Neudo, os problemas que o governo da Venezuela estava enfrentando foram resolvidos e agora Roraima terá o seu desenvolvimento alavancado. “Para se ter uma idéia, do nosso lado a obra tem 200 quilômetros e na Venezuela são 600. Então, é possível que eles tivessem mais obstáculos. Porém, isso não é o problema. O importante é que a obra esteja pronta”, disse o governador.

Sobre a interiorização da energia, Neudo lembrou que o atraso da construção da linha, no lado venezuelano, ajudou um pouco, pois o governo estadual ganhou mais tempo. Ele lembrou que com a liberação dos recursos do empréstimo pleiteado junto à Corporação Andina de Fomento (CAF), o governo vai retomar a obra e quando a linha de Guri estiver pronta a rede de interiorização também estará.

O interesse do presidente Hugo Chávez em manter acesa a integração entre os dois países também foi lembrado por Neudo. “Nós acertamos que em outubro grupos de técnicos dos dois países vão se reunir para fazer um levantamento sobre as possibilidades de comércio bilateral. Isto vai aumentar ainda mais a possibilidade de termos o desenvolvimento de uma economia complementar entre o sul da Venezuela e Roraima”, concluiu. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 25)

 
Apolonildo Brito

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