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Adenauer Góes (Paratur) fala do turismo no Pará

Presidente da Companhia Paraense de Turismo (Paratur), Adenauer Góes é médico e já exerceu os cargos de vereador de Belém e deputado estadual do Pará, antes de ser nomeado para comandar o turismo no Estado. Uma de suas metas a frente da estatal é fortalecer o marketing do destino Pará e implementar ações de promoção do Estado no mercado internacional, dando destaque para os E.U.A. e França, considerando o interesse dos turistas desses países.

Amazon View – Como o senhor vê para o turismo a conclusão da quarta etapa do projeto Feliz Lusitânia?

Adenauer – Vejo que a obra contempla a recuperação do primeiro núcleo urbano de Belém e mostra a disposição do governo do Pará de investir em obras infra-estruturais que tenham tudo a ver com o produto turístico. Sinaliza, também, de forma muito clara, para a sociedade, e, particularmente, para o empresariado, que o turismo está sendo efetivamente tratado como coisa séria no Estado, com a visão de desenvolvimento. O Forte do Castelo representa para nós um simbolismo muito grande, isto porque, na realidade, foi ali que tudo começou em 1616, quando Francisco Caldeira Castelo Branco fundou a cidade de Belém e iniciou a conquista portuguesa da Amazônia. Diria que isto é muito importante para agregarmos o valor necessário que este forte tem para a Região e para o Brasil, porque marcou a chegada de Castelo Branco e, depois, a saída de Pedro Teixeira, semelhante aos bandeirantes em São Paulo, para o interior da Amazônia, singrando o rio Amazonas, no sentido contrário do fluxo das águas e anexando toda a região a Portugal. A recuperação do Forte do Castelo é o resgate da cultura, da história e do patrimônio amazônico e do Pará, em especial de Belém.

 

Amazon ViewComo o senhor vê o projeto sob o ponto de vista arquitetônico?

Adenauer – Fantástico. Ele junta a Igreja de Santo Alexandre ao Museu de Arte Sacra, ao casario da rua Padre Champagnat que agrega alguns outros itens importantes, como o Museu do Círio. Agrega também a Casa das 11 Janelas colocada novamente à disposição da população e do fluxo de turistas que nos visitam. O Núcleo Cultural Feliz Lusitânia forma na realidade todo um contexto ligado à esta parte histórico-cultural de rara beleza.

 

Amazon ViewO ex-governador Almir Gabriel, em suas duas gestões à frente do Estado, conseguiu não só restaurar a memória de Belém, mas deu nova dimensão à esta memória, com espaços de lazer e cultura propícios ao turismo. Na sua opinião, quais as obras mais importantes que fazem parte deste investimento?

Adenauer – Destacamos primeiro aqueles que estão diretamente e indiretamente ligados ao turismo: o novo Aeroporto de Belém, em função da localização geográfica em relação aos grandes mercados emissores de turistas para nossa região, que se localizam em distâncias consideráveis, tanto do ponto de vista nacional como internacional. O aeroporto merece este destaque porque se trata de um portão de entrada aéreo da Amazônia, através do qual a grande maioria de turistas poderá ter acesso. O segundo destaque faria para um projeto que se tornou piloto e exemplo para todo o Brasil, que foi a reurbanização e novo destino dado à parte da área portuária de Belém, com o viés turístico e de lazer e que se chama hoje Estação das Docas, que funciona também como um portão de entrada flúviomarítimo da cidade. Já o terceiro, é o projeto Feliz Lusitânia, um complexo histórico-cultural e patrimonial de múltiplo valor. O Parque da Residência é um item muito interessante, muito importante também para os que nos visitam, porque reflete uma época histórica mais recente, com requinte cultural e de lazer. Vale também ressaltar aquelas obras e serviços que não visam apenas aqueles que nos visitam, mas todo o povo paraense, agregando valores e qualidade de vida para a população. O projeto de saneamento da Bacia do Una é um exemplo. O projeto foi o maior saneamento urbano da América Latina, com investimento em torno de US$ 250 milhões. A energização do Estado, a maior do Brasil, é outro destaque e contempla energia farta nos 146 municípios paraenses. Para que você possa se desenvolver e crescer, inclusive no turismo, a energia é fundamental. Eu agregaria também o Pólo Joalheiro como um dos destaques, pois atrai turistas para o Pará, porque a questão da grife de joalheria que o Estado lançou se incorpora ao artesanato e agrega valores aos minérios aqui produzidos.

 

Amazon ViewHá projeto em andamento que envolve o turismo?

Adenauer – Na inauguração da quarta etapa do Projeto Feliz Lusitânia, na presença do então governador Almir Gabriel, que inaugurava a obra, Simão Jatene, já eleito novo gestor do Pará, se comprometeu em restaurar a Catedral da Sé, como parte do projeto Feliz Lusitânia, além do Mangal das Garças, no Arsenal. Há, ainda, recursos do Bidmonumenta (Banco Interamericano de Desenvolvimento e Monumenta) para recuperação de patrimônio histórico urbano do Pará, a ser implementado em Belém, incluindo a recuperação do patrimônio histórico da Cidade Velha.

 

Amazon ViewÉ verdade que Belém receberá semanalmente turistas holandeses?

Adenauer – O Pará trabalha o turismo como atividade produtiva, como negócio, e cabe ao governo do Estado planejar esta atividade, para dar um rumo ao empresariado e se associar a ele, quer o empresariado local, bem como o nacional ou internacional. O turismo, como atividade produtiva, é baseado fundamentalmente na prestação de serviços da chamada nova economia de mercado. E o Pará está, sem dúvida, preparado nos pontos de vista político e econômico, para dar passos cada vez mais à frente naquilo que chamamos atividade produtiva e, particularmente, atividade turística. Neste sentido, o Plano de Desenvolvimento Turístico formatado para o Estado e entregue à sociedade e ao empresariado pelo então governador Almir Gabriel, em setembro de 2001, define quais os rumos que devem ser seguidos. Um desses rumos são os corredores entre a Região Norte, através do Pará, e Nordeste, através do Ceará, como também no rumo da Guiana Francesa, servindo de ponte e estratégia de comunicação com a Europa e o próprio mercado americano. Estes dois corredores são trabalhados com os frutos já começando a chegar: agora em fevereiro, um moderno 767, com  272 lugares, em vôo charter, estará fazendo a ligação semanal entre Belém e Fortaleza e vice-versa, vindo da Holanda, como produto de venda casada, demonstrando a consolidação das propostas apresentadas em setembro de 2001.

 

Amazon ViewA média de permanência do turista no destino é, no mundo inteiro, entre 10 e 15 dias, enquanto na Amazônia raramente passa de quatro ou cinco dias. O que está sendo feito para modificar esta realidade e fazer ponte dos destinos de Belém com as regiões Oeste e Sul do Pará, inclusive com Marajó e Costa Atlântica, para aumentar  a permanência do turista em nossa região?

Adenauer – Quanto mais tempo o turista permanecer na região ou numa cidade específica, mais gera benefício para aquele destino, mais contribui para o produto interno bruto, daquela região, Estado ou cidade. Trabalhamos para aumentar a nossa capacidade de permanência do turista no Pará, implementando roteiros e ofertas de produtos do ponto de vista complementar. Hoje, indiscutivelmente, o Estado detém uma situação significativa, diferente do que tinha há quatro anos, em relação ao turismo como atividade produtiva. O governo investiu em vários pontos de infra-estrutura, que ajudam na formatação do produto turístico, como o Plano de Desenvolvimento Turístico que definiu os pólos turísticos do Pará, compostos por 17 municípios prioritários. Trabalhando sempre com visão mercadológica dos segmentos que precisam ser trabalhados, ou seja, produtos de ecoturismo propriamente dito, o turismo de aventura e esportes radicais, o turismo rural e o turismo de sol e praia, que também têm ofertas no Estado, além do turismo de eventos, que tem em Belém um grande destino, principalmente pelo Círio de Nazaré. O governador Jatene se comprometeu em iniciar, em 2003, a construção do Centro de Eventos, na Estação das Docas, para dar infra-estrutura maior ao empresariado, formatando seus produtos, anexando-os ao mercado e aumentando a permanência com qualidade e profissionalismo de prestação de serviços daqueles que nos visitam por um período maior.

 

 Amazon View –  Os produtos turísticos de Santarém deveriam estar mais presentes no elenco das ofertas do Pará, porque têm muitos atrativos e boa infra-estrutura hoteleira. Por que Santarém ainda não está incluída no pacote para aumentar a permanência do turista no Pará, visto que tem atrativos naturais mais requeridos pela demanda internacional, como sua paisagem exuberante e rica cultura tipicamente amazônica, além de ser eixo próximo dos sítios arqueológicos de Monte Alegre e Alenquer, da histórica Óbidos, das jazidas minerais de Oriximiná e Itaituba e dos parques indígenas de Altamira?

Adenauer – Primeiro é importante entendermos que não podemos atacar todas as frentes com a mesma intensidade. Trabalhamos com prioridades, dentro de uma concepção de metas. Na realidade, a estratégia do governo é primeiro fazer de Belém o Portão de Entrada da Amazônia; segundo, trabalhar para que o fluxo de pessoas que entram por Belém possa capilarizar para a própria Região e, conseqüentemente, para vários pontos do Estado. Neste sentido, o Oeste do Pará, que definimos como Pólo Tapajós, cujo portão de entrada é Santarém, será beneficiado, por ser a região mais preservada do Estado e que tem tudo para transformar este potencial em produto. Por outro lado, é necessário entender que isto é fruto de uma conjuntura, quer pela distância geográfica, quer pela distância da comunicação, falta de investimentos, pelo amadorismo da atividade turística ou pelo nosso certo provincianismo em ousadia e criatividade, em tomar iniciativas que significam diminuir distâncias dos mercados produtivos, aos quais incluo a parcela empresarial, porque é ela que formata e vende o produto. Do ponto de vista do governo, diria que houve clara decisão na gestão Almir Gabriel, quando tornou o Pólo Tapajós prioritário para o Estado, através do Proecotur, com investimentos em obras em Alter do Chão e Santarém, que foram retomadas, como o trapiche de Alter do Chão, o flutuante-pier de Santarém e outras. A diversificação da oferta turística é questão de paciência e entendemos que nenhum negócio acontece num determinado investimento, inclusive empresarial, da noite para o dia. (Apolonildo Britto - Revista Amazon View – Edição 52)

 
Apolonildo Brito

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