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Monte Alegre revela a origem do amazônida

A origem do homem americano começa a ser desvendado a partir de pesquisas feitas em Monte Alegre, no oeste do Pará, onde a arqueóloga Anna Roosevelt encontrou resquícios humanos e outros fosseis pré-históricos que evidenciam a presença de uma civilização organizada que ocupou a Amazônia há 12.000 anos, o que a torna mais antiga que os Incas e os Maias. Monte Alegre tem outros atrativos que vale a pena conhecer

Monte Alegre, no oeste do Pará, à margem esquerda do rio Amazonas, é a “Cidade dos Mirantes”. Localiza-se a 623 km, em linha reta, e 457 milhas da cidade de Belém. Ladeiras e paisagens compostas de serras, lagos e rios fazem de Monte Alegre uma região diferente em meio à imensidão verde da planície.

Outros atrativos estão nos arredores da sede municipal, como a Cachoeira do Açu das Pedras, uma belíssima queda d’água no meio da floresta. Na rodovia PA-255 encontra-se o Campo do Desterro, uma paisagem de riqueza cênica que impressiona pela característica da vegetação existente. Mas o seu maior destaque é o sítio arqueológico que fica na Serra do Paituna, onde existem várias cavernas e inúmeros painéis de pinturas rupestres. Na Serra do Ererê são encontradas pinturas com características místicas – representações do sol, da lua e de outros elementos ligados ao Cosmo.

Na Caverna da Pedra Pintada os arqueólogos encontraram resquícios humanos. Mais uma evidência de que as pinturas foram feitas por uma civilização organizada que ocupou a Amazônia há 12.000 anos, o que a torna mais antiga que os Incas e os Maias. É o que prova o descobrimento da arqueóloga Anna Roosevelt, revelando que o mais antigo habitante das Américas viveu no município paraense de Monte Alegre, há mais de 11 mil anos.

A descoberta é da equipe de arqueologistas do Field Museum de Chicago, chefiada pela notável arqueóloga Anna Roosevelt – bisneta do presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt e sobrinha-neta de outro presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt – que trouxe a lume o fato que revoluciona a pré-História da presença humana nos continentes americanos. Até o dia 19 de abril de 1995, quando a descoberta foi publicada na revista Times Science, pesquisas arqueológicas davam o sítio de Clovis, no Novo México (EUA), como a primeira morada do homem nas Américas.

A teoria até então predominante era que grupos primitivos provenientes da Sibéria teriam entrado na América do Norte através do estreito de Bering. E depois de a habitarem por milênios, ingressaram na América do Sul pelo Istmo do Panamá.

Descoberta – Entre 1991 e 1992, a equipe escavou a Caverna da Pedra Pintada e 14 sítios arqueológicos de Monte Alegre. A área dista 45 quilômetros da sede do município e é composta de cavernas formadas nas serras Ererê e Paytuna.

Nas escavações foram resgatadas 14 flechas e pontas-de-lança em pedra lascada, buriladas pelas tribos que habitavam o local. Levadas à Suíça para teste em carbono 14 (que avalia a idade do material), ficou comprovado que o achado pertenceu a grupos humanos que ali viveram há cerca de 11.200 anos, o mais antigo registro arqueológico até então descoberto nas Américas.

Segundo estudos de Anna Roosevelt, no decorrer de quatro séculos, entre 11.200 e 9.800 anos, os habitantes das serras do Ererê e Paytuna viviam da caça e da pesca, além da coleta de frutas e raízes. Outro dado importante é que eles eram hábeis pintores. Deixaram nas paredes das cavernas marcas de inteligência pré-histórica superior, manancial de aspectos da vida cotidiana que levavam. Tudo em tamanho suficiente para ser visto de longe.

Na Serra da Lua, por exemplo, há uma representação do Sol e da Lua. O desenho está a cem metros de altura: o Sol aparece de cabeça para baixo e a Lua, em pé. Até agora não foi descoberto o motivo destas colocações, mas presume-se que os artistas pré-históricos desejavam mostrar o antagonismo entre os dois astros celestes.

Anna Roosevelt descobriu, também, que os primeiros brasileiros apreciavam comer tartarugas e pirarucu, pois entre o farto material encontrado pela equipe do Field Museum, se amontoam fragmentos de espinhas de peixes, cacos (que comprovam serem hábeis cerâmicos), além de sementes carbonizadas de achuá, jutaí, pitomba, muruci, piranga e tarumã, com várias idades cronológicas. Ossos de ratos, sapos, morcegos, pássaros, antas e porcos-do-mato foram também encontrados no sítio arqueológico.

Histórico – A época precisa da fundação do núcleo que deu origem à cidade de Monte Alegre é desconhecida, sabendo-se que a catequese dos índios da margem esquerda do Amazonas cabia aos frades da Piedade que, com os índios da aldeia de Gurupatuba, criaram um núcleo, tendo sido construída a freguesia de São Francisco de Assis e, posteriormente, elevada à vila, com a denominação portuguesa de Monte Alegre, pelo capitão-general Francisco Xavier de Mendonça Furtado, em 27 de fevereiro de 1758. No último período da colonização, a vila retrocedeu um pouco, passando a Independência, nesta categoria. Em 15 de março de 1880, através da Lei nº 970, foi elevada à categoria de cidade.  (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 69)

 
Apolonildo Brito

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