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Aves aquáticas abundam na Amazônia

A dinâmica dos rios amazônicos é diretamente responsável pela criação de uma grande variedade de hábitats, o que faz a região ter a maior diversidade de aves do mundo, o equivalente a 245 espécies em uma área de 100 hectares. A maioria dos biólogos acredita que existam cerca de 1.778 espécies de ave na parte brasileira da Floresta Amazônica, que detém 12% da avifauna do planeta, com mil delas catalogadas no Estado do Amazonas.

A Amazônia hoje é a bola da vez na pauta mundial, quer como o pretenso pulmão do mundo ou mesmo a grande vilã do desmatamento, considerado responsável maior pelo famigerado efeito estufa. Tudo porque o Brasil concentra cerca de 20% de toda biodiversidade mundial, 17% destes somente na Amazônia brasileira, além de um quinto da água potável total do planeta, inestimáveis tesouros ainda pouco estudados. Esta preocupação faz da região não apenas alvo da cobiça internacional como objeto de conspirações estratégicas e de apelos humanitários, que resultam em ameaças, projetos e recursos dos países ricos que nem sempre chegam a seu destino. 

A maioria dos sete milhões de quilômetros quadrados da Floresta Amazônica é composta por florestas de terra firme, que nunca se alagam e que se espraiam sobre uma grande planície formada a partir dos períodos Mioceno e Plioceno, entre 25 milhoes e 1,8 milhão de anos. Nela, a maioria dos rios que atualmente fazem parte da bacia hidrográfica cavaram o próprio leito e surgiram três tipos de florestas amazônicas: a montanhosa andina, a de terra firme e as fluviais alagadas, as duas últimas na parte brasileira.

As florestas que não estão ao alcance das enchentes anuais do Rio Amazonas e de seus tributários mais próximos são chamadas florestas de terra firme; enquanto aquelas que estão sujeitas aos níveis das águas dos períodos chuvosos são as florestas fluviais alagadas, fazendo com que os animais e plantas ali existentes se adaptem para sobreviver às enchentes. Por outro lado, as águas amazônicas possuem características diferentes, resultantes da geologia das suas bacias fluviais. Os rios de água branca (Solimões, Amazonas ou o Madeira), preta (Negro) e claras (Tapajós) são exemplos disso e determinam os componentes ecológicos dos hábitats e da distribuição das espécies nas áreas de interação.

As matas banhadas pelas águas brancas são chamadas de florestas de várzea e as de águas pretas e claras, florestas de igapó, sendo a primeira muito mais rica do que esta, devido à fertilidade das águas brancas e dos solos aluvionários trazidos pelas enchentes, abundando em mamíferos aquáticos e peixes, principalmente os frutívoros que evoluíram em estreita interação com as árvores e arbustos amazônicos, cujas frutas caem na água e são por eles engolidas, sendo as sementes resistentes às enzimas gástricas transportadas para longe. Há quem afirme que vivam em torno de 10 mil espécies de peixes na região, algumas delas ligadas aos tipos de florestas de inundação.

A avifauna, contudo, é relativamente pobre nas florestas de igapó, predominando as aquáticas nas várzeas, tais como as garças, biguás, jaçanãs, mucurungos, patos, etc. O zoólogo Sérgio Henrique Borges, do Museu Paraense Emílio Goeldi, diz que os cursos d’água são estratégicos para a conservação dessas espécies, pois exercem importante influência sobre a diversidade destas aves na Amazônia, tendo como hábitats as matas de várzea, igapós e vegetações flutuantes, que abrigam cerca de 15% da avifauna regional. A dinâmica dos rios amazônicos é diretamente responsável pela criação de uma grande variedade de hábitats, o que faz a região ter a maior diversidade de aves do mundo, o equivalente a 245 espécies de aves em uma área de 100 hectares (Peru), cerca de 30% de todas as aves da América do Norte.

A maioria dos biólogos acredita que existam cerca de 9.700 espécies de aves na Terra, 1.778 destas identificadas na parte brasileira da Floresta Amazônica, que detém 12% da avifauna do planeta, com mil delas catalogadas no Estado do Amazonas. O mapa de riqueza da biodiversidade de aves indica que elas estão principalmente em três ecorregiões: o Planalto das Guianas, ao norte da região, no oeste amazônico e ao sul do Rio Amazonas, com uma grande variedade de espécies também nas várzeas.

Certos biólogos afirmam que há entre 25 e 30 ordens de aves no mundo inteiro, contendo cerca de 148 famílias, sendo a ordem mais populosa a passeriforme, que inclui mais de 5.400 espécies, como o pintassilgo, o canário, o pardal, a cotovia, o sabiá e muitas outras aves conhecidas. Outras ordens importantes incluem os anseriformes (patos, cisnes e gansos); apodiformes (beija-flor); ciconiformes (cegonhas); columbiformes (pombos); coraciiformes (alcião); falconiformes (pássaros diurnos de caça); galliformes (aves como a galinha); pelecaniformes (pelicanos); psittaciformes (papagaios); sphenisciformes (pingüins); e strigiformes (corujas).

Os passerídeos, conhecidos popularmente como pássaros ou passarinhos, são aves da ordem passeriformes, grupo bastante numeroso e diversificado, contendo mais da metade do total de aves do mundo. São geralmente aves de pequena dimensão, canoras, com alimentação baseada em sementes, frutos e pequenos invertebrados. Algumas delas se alimentam de peixes, mariscos e outros seres vivos das águas, como os anseriformes. Esta ordem de aves aquáticas contém 161 espécies distribuídas por 48 gêneros e 4 famílias: anatidae; anhimidae; anseranatidae; e dendrocygnidae. A anatídeo inclui aves como o pato, o ganso e o cisne e têm distribuição cosmopolita, enquanto que os animídeos estão restritos à  América do Sul.

As aves anseriformes habitam zonas aquáticas continentais como lagos, pântanos, rios e estuários, sendo que, no entanto, algumas espécies se mudam para hábitats marinhos durante a época de reprodução. São aves de médio a grande porte que medem entre 30 a 180 centímetros de envergadura e pesam entre 200 gramas e 20 quilos. A plumagem destas aves é muito variada, sendo algumas espécies monocromáticas enquanto outras são bastante coloridas.

Os Estados do Pará, Amapá, Roraima e Amazonas são privilegiados para a observação da avifauna aquática amazônica, com grande exposição das espécies da ordem anseriformes nas várzeas, igapós e campos alagados. O município de Silves, localizado à margem esquerda do Rio Amazonas, a 200 quilômetros de Manaus, apresenta excelente oportunidade para se conhecer várias espécies de aves dessa ordem, em passeios realizados em canoa motorizada através das florestas alagadas de igapó, ou caminhado em trilhas para observação de aves.

Nesse inesquecível tour de interação com a natureza, o observador conhecerá muitas espécies de pássaros, entre eles a ariramba-de-cauda-verde (Galbula galbula); pica-pau-anão-da-várzea (Picumnus varzeae); corucão (Podager nacunda); ariramba-de-bico-amarelo (Galbula albirostris); pica-pau-barrado (Celeus undatus); arapaçu-ferrugem (Xiphorhynchus necopinus); papagaio-da-várzea (Amazona festiva); anambé-pintado (Cotinga cayana); pipira-azul (Cyanicterus cyanicterus); maracanã-guaçu (Ara severus); curutié (Certhiaxis cinnamomeus); e o bonito pica-pau-branco (Melanerpes candidus).

No Amazonas não faltam programações e embarcações de todos os tipos e tamanhos para proporcionam passeios pelas várzeas dos rios Amazonas, Solimões e Madeira, onde o visitante pode conhecer de perto comunidades ribeirinhas e belas aves aquáticas ornamentando as margens destes grandes rios.

Sua avifauna apresenta espetáculos coloridos maravilhosos, matizando o verde das várzeas e das florestas amazônicas, destacando-se as garças, piaçocas, marrecas, mergulhões e outras aves palustres. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 85)

 
Apolonildo Brito

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