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Corredor amapaense da biodiversidade

A criação do Corredor da Biodiversidade do Amapá está sendo discutida para implementar desenvolvimento econômico e combater as dificuldades da utilização dos recursos naturas de uma rede de áreas protegidas entremeadas por outras de variáveis graus de ocupação humana. A iniciativa busca resolver problemas do Estado, emperrado há décadas pelo paradoxo de possuir ricas terras, mas com a população ainda nos moldes da pobreza tradicional

Encontra-se em fase avançada de discussão a criação do Corredor da Biodiversidade do Amapá com a finalidade de implementar o desenvolvimento econômico e social sustentável do Estado com aproveitamento de uma rede de áreas protegidas entremeadas por áreas com variáveis graus de ocupação humana.

A iniciativa busca combater os problemas enfrentados pelo Estado, referentes ao seu desenvolvimento econômico emperrado há décadas pelo paradoxo do Amapá possuir ricas terras, mas a população ainda permanecer nos moldes da pobreza tradicional.

O secretário especial de desenvolvimento econômico do Estado do Amapá, Alberto Góes, em estudo que elaborou e com o qual colabora na discussão, conceitua o Corredor da Biodiversidade como uma rede de áreas protegidas entremeadas por áreas com variáveis graus de ocupação humana, na qual o manejo é integrado para garantir a sobrevivência de todas as espécies, a manutenção de processos ecológicos e evolutivos e o desenvolvimento de uma economia regional forte e com poder de recuperação baseada no uso sustentável dos recursos naturais.

Em virtude da sua grande biodiversidade, o Amapá vem se tornando uma alternativa para o desenvolvimento econômico sustentável de forma que agregue qualidade de vida das comunidades locais, gerações de emprego e renda, bem como agregação de valor aos recursos naturais da floresta.

Segundo o que já foi definido em várias reuniões de trabalho sobre o assunto, o cerne do Corredor da Biodiversidade é um conjunto de áreas protegidas que representam 54,8% da extensão do Estado do Amapá.

São 12 unidades de conservação, contando com dois parques nacionais, uma reserva de desenvolvimento sustentável, três estações ecológicas, três reservas biológicas, uma reserva extrativista, uma área de proteção ambiental e uma floresta nacional. Quatro áreas indígenas também estão inclusas no corredor.

“O Estado do Amapá, com a inserção de um Corredor da Biodiversidade pelas áreas de maior concentração de uso e ocupação do solo, por certo se delineará para um caminho em que se passará a gerenciar essas áreas de maneira mais integrada e compatibilizadas com as atividades produtivas para a conservação e preservação das terras que compõem um verdadeiro mosaico da beleza exuberante da natureza”, prevê o secretário Alberto Góes.

Parcerias – A proposta para a implementação do Corredor da Biodiversidade do Amapá busca, pelo menos neste primeiro momento, parcerias envolvendo segmentos locais, regionais, nacionais e internacionais, de forma que se possa avaliar e planejar as ações para o Estado do Amapá, fazendo conexões biológicas, sociais e econômicas entre as unidades de conservação. A iniciativa também busca a concepção de que tudo deve ser fundamentado em bases sociais, transversais às políticas públicas e transcendentes às mudanças de governo.

Como resultado concreto dos estudos para a criação do Corredor da Biodiversidade, já está garantida a contribuição inicial de 1,6 milhão de dólares da Conservation International, por meio do Fundo Mundial para a Conservação (GCF). Além disso, no orçamento e planejamento do Governo do Estado do Amapá há a previsão de investimento do equivalente a 15 milhões de dólares para os próximos quatro anos, a serem aplicados no suporte e gestão às áreas protegidas, no desenvolvimento de capacidade local para estudos em biodiversidade e na pesquisa de alternativas econômicas para as populações rurais que vivem no entorno das unidades de conservação. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 68)

 
Apolonildo Brito

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