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Capivara, uma nova opção econômica

A capivara é roedor típico da América do Sul, muito procurado pelos caçadores, sendo muito tímido e dócil. Excelente nadadora, tem pés com pequenas membrana e se reproduz na água, onde se esconde dos seis predadores. A capivara vive cerca de 12 anos, atingindo 60 quilos quando adulto. Se alimenta quase exclusivamente de capim e prefere grama curta, mas comem algas que crescem nas pedras

Mamífero, roedor, típico da América do Sul, a capivara é um animal silvestre muito procurado pelos caçadores, sendo muito tímido e dócil. O seu nome vem da palavra tupi-guarani, kapi-wara, que significa “comedor de capim”. As etnias indígenas usam o mamífero como animal doméstico e também para alimentação desde tempos imemoriais.

Esse animal é conhecido cientificamente por hydrochoerus hydrochoerism, mas no Brasil e no Paraguai ele se chama capivara; na Argentina é carpincho e chiguiro na Colômbia e Venezuela, e chama-se capybara nos paises de língua Inglêsa.

Ele vive cerca de 10 a 12 anos, nascendo com dois quilos aproximadamente e atinge 60 quilos quando adulto, com cerca de 1,15m de comprimento e 0,50m de altura.

Os dentes incisivos crescem sem parar e podem medir até 7cm se não forem desgastados, coisa que a capivara consegue mordiscando pedras e troncos de árvores. Tem olhos, orelhas e narinas em linha. Sua pelagem é de aparência escassa, grosseira e acastanhada, com reflexos escuro e avermelhado. Possui quatro dedos nas patas dianteiras e três nas traseiras, todos unidos por uma membrana, o que faz dela uma ótima nadadora. Quando nada mantém apenas essa parte da cabeça acima d’água e possui muito fôlego, sendo capaz de ficar sem respirar por cinco minutos ou mais.

Habita em florestas úmidas e secas, em pastagens próximas à água (região dos lhanos e pantanal), vive em manadas e tem hábitos noturnos. De manhã descansa à sombra, a tarde gosta de nadar e à noite sai para alimentar-se. O grupo anda sempre em trilhas fixas, caminhando em fila, com a cabeça sobre a anca do outro. Parada, adota uma postura incomum entre os mamíferos: fica sentada, como o cão. Em terra é lenta, por isso, nunca se afasta dos rios ou lagos, onde convive bem com bois, cavalos ou mesmo jacarés (perigosos apenas para os filhotes).

A capivara se alimenta quase exclusivamente de capim e prefere grama curta porque seus dentes permitem cortar folhas e talos bem rentes ao solo. Na água, gosta de mergulhar e comer algas que crescem nas pedras. Sempre que seu habitat natural sofre alguma alteração, costuma invadir plantações, principalmente milharais e canaviais. Mas não se aventura a afastar-se por mais de três quilômetros do habitat. Em cativeiro, pode ser alimentada só de capim, mas é importante complementar com outros alimentos, como rações balanceadas que podem fazer a capivara ganhar até 150g de peso ao dia, enquanto na natureza ganha apenas 50g. Ela aceita também raízes, frutas, milho, cana-de-açúcar, talo de bananeira, coquinhos, aguapés e resíduos de peixe. A ração deve conter, entre outras substâncias alimentares, proteínas, hidratos de carbono, vitaminas e sais minerais, de modo a favorecer-lhe o crescimento. Seus filhotes podem ser criados com a mesma alimentação, mas a ração pode ser enriquecida com leite de vaca, pão e raízes.

A capivara sempre foi muito procurada como animal de caça, por causa da carne, do couro e do óleo. Com o início de sua criação em cativeiro, passou a se oferecer o abate manejado, carne que tem 24% de proteína bruta, maior que a do porco e do boi. A carne seca parece lombo de porco, mas tem sabor bem característico e agradável. Pode ser consumida “verde” (cozida, assada ou frita), seca ao sol (charque), em forma de embutidos (presunto, salsichas) ou ainda defumada (frios). O couro estica num só sentido e dá ótimas luvas antitérmica e é usado também para canos de botas e calçados ou qualquer outro produto industrial, sendo comercializado clandestinamente na Amazônia e no Mato Grosso. Apesar de magra, a gordura também forma toucinho, sendo tradicionalmente usada para o preparo de óleo medicinal para cicatrização e até contra reumatismo e bronquite (friccionado), além de ser procurado para tratamento de pele e rejuvenescimento.

Seus pêlos são mais compridos e grossos que os de porco e podem ser usados para a fabricação de pincéis. O esterco serve para a preparação de adubo orgânico, pois a mesma elimina 20 gramas de excremento por dia para cada quilo de seu próprio corpo.

A diferença sexual é muito difícil de ser percebida à primeira vista, porque todos têm os órgãos genitais bem próximos do ânus e encobertos, formando uma espécie de coacla, semelhante ao coelho. É mais fácil perceber a diferença pelo calombo que o macho tem entre o focinho e a testa, uma glândula de odor forte e característico que ele esfrega nas fêmeas conquistadas, nos filhotes e nas árvores, para marcar seu território.

Por volta de 14 meses, a fêmea já pode procriar e sua vida útil como matriz vai até os quatro anos. O macho também inicia o seu interesse pela fêmea aos 14 meses, mas se torna maduro apenas aos 18 meses. Serve como reprodutor até cerca de cinco anos de idade. O cio se repete entre 14 e 121 dias e dura de 20 a 26 horas. O período de gestação varia de 119 a 125 dias, a fêmea tem de 4 a 6 filhotes por ano, podendo chegar a 8, com duas crias por ano. Na época do acasalamento, a capivara prefere namorar em águas não muito profundas. E o macho chega a cobrir as fêmeas quinze vezes seguidas, em menos de cinco minutos. Embora a reprodução aconteça o ano todo, há maior concentração de fêmeas prenhas nos primeiros meses da estação chuvosa. As manadas, geralmente de trinta animais, quando vivem em liberdade, são compostas por adultos e filhotes de ambos os sexos, mas sempre existe um macho que domina a tropa e conquista as fêmeas. Os demais podem tornar-se submissos e chegam até a ajudar na criação.

As fêmeas são dóceis, companheiras e ótimas mães, fazem o ninho apenas perto do momento de parir, quando buscam um local isolado e abrigado, onde possam juntar capins e folhas secas. Dão de mamar de pé, com seus cinco pares de tetas, amamentam sem nenhum problema, os filhos de outras mães, que podem ser ou não parentes. Em estado selvagem, assim que os filhotes nascem, a fêmea procura manter distância dos machos. Eles costumam ficar agressivo com os recém-nascidos, podem até matá-los. Os filhotes, em liberdade, mamam até os quatro meses de idade e, durante esse tempo, seguirão a mãe por toda parte, sempre em fila indiana. Eles nascem de olhos abertos, pêlos formados, a dentição completa. Espertos, em três dias já se alimentam de forrageiras e acompanham os pais no descanso e nos passeios. Querem nadar logo na primeira semana de vida, mas a mãe só permite se a água não for funda. Mamam noventa dias e se tornam independentes, podem até formar novas manadas.

Nas criações costuma-se desmamar com 60 dias para que a mãe acasale novamente. Nesta idade, aproveita-se para formar novos grupos, quando é possível a troca de machos-irmãos por outros não parentes.

As fêmeas, muito cuidadosas, ensinam a descobrir novos alimentos, a nadar e até a vencer obstáculos. E os filhotes prestam muita atenção; se algum, por acaso, se perder do grupo, pede logo socorro, com gritos fortes e agudos, ouvidos de longe.

A principal enfermidade desse animal, seja em cativeiro ou em liberdade, é “durinha” ou “mal-dos-quartos”, provocada por um protozoário, que é descoberto por meio de exame de sangue. Alguns parasitos internos podem ser transmitidos entre as capivaras e demais espécies de animais, especialmente felinos e suínos. As parasitoses internas (ou endoparasitoses) podem levar a uma série de manifestações clínicas, que variam desde a interrupção da alimentação até à morte subida. As doenças mais freqüentes são: pneumonia, disenteria, ferimentos e verminoses. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 77)

 
Apolonildo Brito

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