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Pirarucu, um peixe pré-histórico

Conhecido como “bacalhau-da-amazônia”, o pirarucu é um dos maiores peixes de água doce do Planeta. Nativo da Amazônia, ele pode alcançar 2,5m de comprimento e 150 quilos de peso, porém, chegam a afirmar que há ocorrência do pescado com 4,5m e 250kg. É um peixe que não se modifica há cem milhões de anos e agrada os mais diferentes paladares pele textura e sabor da sua carne

Verdadeiro fóssil vivo, o peixe existe sem modificações há mais de cem milhões de anos, o pirarucu, peixe que no período em que não há proibição da sua captura é bastante comum de se ver em locais de comercialização de pescado nas cidades da Amazônia, capitais ou não, carrega consigo a distinção de ser uma relíquia biológica. Ele é um peixe que não se modifica há cem milhões de anos, a idade dos seus fósseis mais antigos, e mesmo assim ainda vive sem a ameaça de extinção, estigma hoje em dia carregado por uma imensa variedade de animais.

O conhecido “bacalhau-da-amazônia”, que satisfaz os mais diferentes paladares pelo sabor da sua carne, entre as curiosidades que o cercam está a de ser um eminente glutão. O pirarucu, pode-se dizer, é capaz de comer qualquer coisa. Não é raro encontrar no estômago dele, quando fisgado, caramujos, tartarugas, inúmeros peixes, gafanhotos, cobras, plantas, seixos, carvão, lodo, areia e outros inusitados “alimentos”.

O pirarucu é um dos maiores peixes de água doce. Ele pode alcançar 2,5m de comprimento e 150 quilos de peso. Nativos da Amazônia, porém, chegam a afirmar que há ocorrência de pirarucu com 4,5m e 250kg. O corpo do peixe é comprido e cilíndrico com a cabeça achatada e as mandíbulas salientes. O seu tempo de vida gira em torno de 20 anos. Atinge a fase adulta com cinco anos.

O arapaima (nome científico do pirarucu) possui dois aparelhos respiratórios: as brânquias para respiração aquática e a bexiga natatória para funcionar como pulmão. Por meio da bexiga o peixe faz a sua obrigatória respiração aérea. É que ele tem a necessidade fisiológica de emergir para captar o ar da atmosfera terrestre. Em época de seca é capaz de atravessar grandes distâncias em terra firme, procurando água.

Exclusivo da Bacia Amazônica, o famoso pirarucu apresenta uma cor esverdeada na parte da frente do corpo e a cauda vermelha. Na época do acasalamento a fêmea torna-se marrom e a cabeça do macho fica preta. Isto ocorre durante a seca, quando procuram ambientes calmos e preparam seus ninhos para reproduzir na enchente. O papel do macho é proteger a prole no tempo de seis meses, mais ou menos. Os filhotes ou bodecos têm o hábito de viver em bando. Durante as primeiras semanas de vida eles nadam em torno da cabeça do pai que os mantêm próximos à superfície, facilitando-lhes a respiração aérea.

Apesar de ser uma espécie resistente com as suas características biológicas e ecológicas, o que prova a sua longevidade de fóssil vivo, o pirarucu é bastante vulnerável à ação de pescadores. Os cuidados com os ninhos, após as desovas, expõem os reprodutores à fácil captura com malhadeiras ou à fisga com haste e harpão. No longo período de cuidados com os filhotes, a necessidade de emergir para conseguir ar ocorre em intervalos menores, ocasião em que são arpoados. O abate dos machos, após as desovas, expõe os filhotes à predação por peixes carnívoros, notadamente piranhas. A longa fase de imaturidade sexual, até aos cinco anos, propicia a captura de espécies juvenis de pirarucu.

A carne do arapaima é suave e usada em pratos típicos da Amazônia. É alimento tradicional entre as populações ribeirinhas. Pode ser preparada de várias maneiras. Quando beneficiada seca e salgada, em mantas, é substituta do bacalhau. Praticamente desprovida de espinhas, da carne do peixe são preparados diversos e saborosos pratos regionais, entre eles o famoso “pirarucu de casaca”. Se fresca ou seca, a carne é sempre uma delícia em qualquer receita e apreciada no mundo inteiro. Os ovos da fêmea também são consumidos.

As escamas do pirarucu são grandes e rígidas e por causa disto usadas como lixas de unha ou na confecção de ornamentos e souvenirs. A língua, óssea e áspera, é largamente utilizada para ralar guaraná em bastão. A pele, por sua vez, vem sendo estudada para uso na produção de sapatos, bolsas e vestimentas. Há hoje até sorvete com sabor de pirarucu.

O peixe é característico das águas calmas das várzeas amazônicas. Vive em lagos tributários de águas claras, brancas e pretas com temperaturas que variam de 24ºC a 37ºC. O arapaima não é encontrado em zonas de fortes correntezas e águas ricas em sedimentos. Ele procria bem em cativeiro. Desde 1991 são tomadas medidas legais de proteção à espécie. A principal delas é a proibição da pesca, anualmente, de dezembro a maio, que corresponde à desova e cuidados com os filhotes.

Há projetos de manejo sustentável do pirarucu nas reservas de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá e Fonte Boa, em Manaus (AM). No arquipélago de Marajó, situado na foz do rio Amazonas, mais precisamente na Ilha Mexiana, local conhecido como “O paraíso do pirarucu”, não existe pesca predatória, porém o peixe pode ser capturado para consumo de nativos. No Baixo-Amazonas e na calha do Juruá estão demandando projetos de manejo, podendo ser expandidos para outras localidades a partir do próximo ano. Esta é a expectativa de técnicos do Ibama, empolgados com a perspectiva do projeto alcançar o desejado. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 74)

 
Apolonildo Brito

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