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Sauim-de-coleira, uma luta de sobrevivência

O sauim-de-coleira, macaquinho que no mundo todo existe apenas na capital amazonense e arredores, é um dos ícones mais importantes da fauna manauense. Por estar ameaçado de extinção, esse animal goza da proteção oficial da Prefeitura de Manaus no Projeto Sauim Vivo, abrigado no Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras.

Philips da Amazônia e órgãos ambientais lutam pela preservação do macaquinho em extinção. O sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), macaquinho também conhecido como sauim-de-manaus, no mundo todo existe apenas na capital amazonense e arredores. Ele pertence à família callitrichidae, primata neotropical de tamanho pequeno, com peso de 125 a 583 gramas. O bicho é tão íntimo da convivência dos moradores da capital amazonense que muitos o têm em casa como animal de estimação.

A ocorrência do sauim-de-coleira, numa descrição mais exata, estende-se atualmente até ao Município de Rio Preto da Eva, a partir do leste de Manaus, e também à cerca de 40 quilômetros ao norte desta capital. O macaco, contudo, pode ser visto nas matas nativas ainda existentes na área urbana da capital, chamadas “ilhas verdes”,  onde na periferia crianças e até adultos chegam a abater o animal com uso de baladeiras (estilingue).

Por ser o sauim-de-coleira um dos ícones mais importantes da fauna manauense, inclusive também já batizado popularmente como sauim-de-manaus, a sociedade local reconhece que esforços têm de ser feitos para preservar a espécie que cientificamente consta como em estágio de extinção.

A Prefeitura Municipal de Manaus, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sedema), tem lançado o Projeto Sauim Vivo, um programa de preservação do bichinho que prevê a proteção de 50 fragmentos florestais com incidência deste tipo de macaco. O projeto também visa transformar os moradores de Manaus em agentes fiscalizadores contra a extinção do sauim.

Citam-se como fatores que podem contribuir para a preservação do macaco, a proteção de áreas verdes em Manaus e arredores; campanhas de educação ambiental, conscientizando a população quanto à sua importância como patrimônio da biodiversidade; melhor planejamento, manutenção e supervisão dos grandes projetos de desenvolvimento para a região; e mais estudos sobre a biologia e a ecologia.

Para marcar a responsabilidade sócio-ambiental na comunidade em que atua e ao mesmo tempo valorizar o sauim-de-coleira, a Philips da Amazônia criou um bosque ecológico na rodovia Torquato Tapajós, numa área em que o progresso urbano impõe a ausência do verde, mas que a empresa carinhosamente preserva no seu terreno.  A área do Bosque Ecológico Philips da Amazônia é de 70 mil metros quadrados. No local foi criada uma trilha denominada “Recanto dos Sauins”, onde o bicho, em bando, pode se alimentar de insetos, frutos e gomas de árvores, os componentes da sua dieta natural.

Além do Recanto dos Sauins, a Philips da Amazônia dividiu o seu bosque em oito trilhas. São elas: Preguiça Real, Capoeira, Castanheira da Amazônia, Nascentes, Terra Firme, Tucandeira, Igarapé do Francezinho e Passariformes. Uma ponte, chamada “Prypestsky”, também faz parte do local.

O bosque ainda abriga uma estação de tratamento de efluentes biológicos. A iniciativa da Philips visa também sensibilizar os visitantes, conscientizando-os sobre a importância da educação ambiental e da preservação da biodiversidade regional, além de estimular outras empresas instaladas no Pólo Industrial de Manaus, bem como a sociedade em geral, a ampliar seus esforços na defesa do meio ambiente da Amazônia, que é um dos maiores símbolos na luta pela preservação do planeta.

A criação do bosque teve início em 2003, quando a Philips da Amazônia iniciou a análise de viabilidade para transformar a área verde localizada em sua planta em um espaço totalmente preservado, seguindo rigorosos critérios ambientais. Feito o inventário biológico do espaço a Philips deu início ao projeto para garantir total conformidade com a legislação ambiental e o reconhecimento da Sedema, que além da fiscalização desempenhou importante papel de orientação no empreendimento, através da sua pesquisadora Rosana Subirá, coordenadora do Programa de Proteção ao Sauim-de-Coleira e Administradora do Refúgio da Vida Silvestre Sauim Castanheiras.

O acervo natural do bosque inclui uma fauna composta por bandos de aves migratórias que visitam os vários fragmentos florestais da cidade. Há também inúmeras espécies de peixes, além de mamíferos – em geral macacos – morcegos, marsupiais, répteis, anfíbios e vários artrópodes. Isto tudo em meio a árvores de sub-bosque, resquício de matas primária e secundária, vegetação de capoeira e baixio.

A área do Bosque Ecológico está localizada dentro da planta da Philips da Amazônia e faz limite com as áreas verdes dos conjuntos Rio Maracanã e Subtenentes. É caracterizada por grande extensão de capoeira alta, buritizais preservados (área tipicamente alagada dominada por buritizeiros e palmeiras), um igarapé e uma pequena área de baixio. O igarapé que corta a área faz parte da Bacia do Igarapé dos Franceses, um dos maiores e importantes da cidade de Manaus.

A fauna também é muito rica, principalmente em aves, com mais de 60 espécies. Existe ainda a presença de répteis (serpentes, jacarés e lagartos). Entre os mamíferos existentes no local, destaca-se o sauim-de-coleira, além de cotia, paca, cutiara, preguiça, bentinho, tamanduá-mirim e tamanduaí. O sauim-de-coleira tem importância primordial por ser uma espécie que vive apenas na cidade de Manaus ou arredores, não existindo grupos em nenhum outro lugar do mundo.

Inúmeras alterações foram feitas na Estação de Tratamento de Efluentes. Entre as mudanças, vale destacar a construção de um novo portal; o projeto de paisagismo; a rampa de acesso para deficientes; tratamento de água com a construção de um espelho d’água para abrigar espécies de peixes e a construção de passarelas de madeira com um mirante que serve de ponto de observação do local. Também foram criadas trilhas em terreno natural e um chapéu-de-palha como área de descanso.

A Philips da Amazônia Indústria Eletrônica Ltda. iniciou suas atividades no Pólo Industrial de Manaus em 1972 para a produção de aparelhos eletroeletrônicos. Desde sua instalação, sempre adotou práticas em respeito ao meio ambiente. Suas instalações físicas foram construídas e melhoradas continuamente, observando critérios e legislações em âmbito nacional, estadual e municipal.

Foi também a preocupação com a natureza que levou a companhia a introduzir um Sistema de Gestão Ambiental, implementado através da Norma NBR ISO 14001 e certificado pelo BVQI, desde julho de 1999. Outro ponto é a conscientização dos grupos interessados no negócio – funcionários, clientes, fornecedores e sociedade. A empresa conta também com um eficiente programa para a redução do consumo de recursos naturais não-renováveis, além da diminuição do consumo de água, energia elétrica e resíduos. Conta ainda com programas educacionais e de conscientização para despertar, na sociedade, a consciência ambiental amplamente difundida na cultura da empresa. São eles: “Aprendendo com a Natureza” e “Aprendendo com a Amazônia”, direcionados aos alunos do ensino fundamental; “Guias Ecológicos Philips”, que abordam a biodiversidade brasileira e são direcionados ao turismo. A empresa também disponibiliza, anualmente, para a sociedade, calendários e cartões de natal, cujas ilustrações prestigiam a cultura, a arte e os patrimônios históricos e ambientais brasileiros. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 72)

 
Apolonildo Brito

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