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Garça: bela e elegante em todo o Planeta

As garças são aves de varias espécies, distribuídas pelo mundo inteiro. Elas habitam preferencialmente as zonas costeiras, ou perto de lagos, rios ou estuários. Possuem patas longas e pescoço comprido, além de forma do bico variada, de acordo com os hábitos alimentares. As asas são grandes e alongadas, com plumagem de cores variadas, de acordo com a espécie. Vivem em bandos, freqüentam rios, lagoas, charcos ou manguezais de pouca salinidade.

Das 9.700 espécies de aves existentes no mundo, cerca de 3.100 são encontradas na América do Sul, 1.677 destas no Brasil, cuja maioria se encontra na Amazônia. Pelo menos mil espécies de aves diferentes já foram catalogadas no Estado do Amazonas, que é uma das regiões mais ricas do mundo em ovíparos, destacando as do grupo Ciconiiformes, ordem de aves que tem seis famílias distribuidas mundialmente, dentre elas a Ardeidae, que inclui as garças e os socós.

As garças são aves de médio a grande porte, distribuídas pelo mundo inteiro. Da ordem Ciconiiformes, elas habitam preferencialmente as zonas costeiras, ou perto de lagos, rios ou estuários, mas inclui também aves terrestres. A cegonha, as garças e a íbis são exemplos da ordem, cujas espécies possuem habitualmente patas longas e pescoço comprido, além de forma do bico variada, de acordo com os hábitos alimentares, entre direito, encurvado ou espatulado. As patas terminam em quatro dedos, sendo três para frente e um para trás, desprovido de membrana interdigital. As asas são grandes e alongadas, com plumagem de cores variadas, em consonância à espécie.

Os ciconiiformes são aves gregárias, que se reproduzem em colônias, com pouca ou nenhuma vocalização. Alimentam-se à base de peixe, crustáceos ou insetos. Os ciconiiformes não se alimentam por filtração, nem mergulham na água, diferentes de outros grupos de aves aquáticas. Algumas espécies têm hábitos migratórios e a ordem, tradicionalmente, é separada em seis famílias. A Ardeidae é uma delas, a que inclui os socós e as garças (garza, em espanhol, e karkia, uma das formas pré-romanas).

As garças vivem em bandos, freqüentam rios, lagoas, charcos, praias marítimas ou manguezais de pouca salinidade. Algumas delas, como a garça-vaqueira, se alimentam de insetos e não possuem relação com ambientes aquáticos. A garça-branca (Egretta garzetta); garça-branca-grande (Egretta alba); garça-branca-intermédia (Egretta intermedia); garça-de-cabeça-preta (Ardea melanocephala); garça-dos-recifes (Egretta gularis); garça-gigante (Ardea goliath); garça-morena (Hydranassa caerulea); garça-preta (Hydranassa ardesiaca); garça-real (Ardea cinerea); garça-tricolor (Hydranassa tricolor); garça-vermelha (Ardea purpurea) são algumas das muitas espécies de garças.

A garça-branca-grande (Ardea alba), que também é conhecida apenas por garça-branca, tem uma vasta distribuição geográfica e pode ser encontrada em todo o Brasil. Completamente branca, a não ser pelo bico longo e amarelado e pelas pernas e dedos pretos, ela mede cerca de 90 centímetros e apresenta enormes egretes no dorso, penas delicadas que se eriçam durante o ritual nupcial, cuja beleza desperta a cobiça de comerciantes e provoca a matança de milhares de aves. Com a ajuda da unha do dedo médio do pé, transformada em pente, a garça promove a limpeza da plumagem. Elas voam com pescoço encolhido e as pernas estendidas. Essas aves possuem ninhos e ovos semelhantes a outras espécies do gênero, com os mesmos períodos de incubação e alimentação dos filhotes.

A garça-branca-pequena (Egretta thula) é outra espécie de garça que ocorre na América intertropical, com ampla distribuição no Brasil. Chega medir até 54 centímetros de comprimento e possui plumagem branca como a Ardea alba, bico e pernas negros e dedos amarelos. É ainda conhecida pelos nomes de garça-pequena ou garceta.

A garça-azul (Egretta caerulea) é uma ave encontrada do sul dos Estados Unidos ao sul do Brasil e do Uruguai e habita manguezais e lamaçais do litoral, os quais explora nos momentos de maré baixa, além de alagados, rios e lagos, mais comum nas áreas costeiras. Mede até 52 centímetros de comprimento e tem plumagem cinzento-azulada com cabeça e pescoço violáceos, bico, tarso e dedos escuros. Vive sozinha ou em grupos espaçados de dois ou  três. Seus ninhos são plataformas construídas de gravetos, geralmente em manguezais, localizados até 3 metros acima da linha d’água. No Pará, é conhecida também como garça-morena.

A garça-moura ou socó-grande (Ardea cocoi) é uma ave da ordem Ciconiiformes, da família Ardeidae, que mede aproximadamente 125 centímetros, é a maior garça do Brasil. Tem face branca e preta, com o loro azul-claro e o resto do corpo é coberto por penas azul-cinza e manchas pretas na altura do flanco e do abdome. Possui patas pretas e bico amarelo. Captura suas presas em lugares mais fundos, onde outras garças não conseguem alcançar. Vivem em casais ou em pequenos grupos à beira de rios e lagos e aninham em plataformas de galhos, ao lado de outras aves aquáticas.

A garça-real possui hábitos solitários, sendo encontrada no Paraná, Paraguai, Bolívia e em grande parte do Brasil. A espécie mede cerca de 59 centímetros de comprimento, com plumagem branco-amarelada, capuz negro e longas penas nucais brancas, região perioftálmica e base do bico azuis. Também é conhecida pelos nomes de acará, acaratimbó, acaratinga, garça-de-cabeça-preta, garça-morena e garcinha. A garça-real-européia, por sua vez, como o nome diz, é uma garça exclusiva da Europa, com dorso cinza e faixa superciliar negra que se estende até as longas penas nucais. Também é conhecida pelos nomes de galangundo ou simplesmente garça-real.

A garça-vaqueira (Bubulcus ibis) é uma ave campestre, insetívora, nativa da África e do sul da Europa, que vieram para a América do Norte no início do século XX, chegando ao Brasil nos anos 60. A espécie mede cerca de 49 centímetros, possui plumagem branca que no período reprodutivo adquire tonalidades castanho-avermelhada, íris, bico e tarso amarelos. É também conhecida por cunacoi, cupara e garça-boieira.

A garça-da-mata (Agamia agami) é a espécie brasileira com maior número de cores, presente na Amazônia e Mato Grosso, podendo também ser encontrada do México à Colômbia, Equador e Bolívia. Mede até 76 centímetros de comprimento, mas é uma espécie rara. Não tem o hábito de andar à beira de águas rasas em áreas abertas, como fazem as demais garças. Vive solitária, escondida à beira de córregos e lagos no interior da floresta, bem como em manguezais. Quando alarmada, voa ou procura esconder-se entre cipós ou em árvores. É também conhecida como socó-azul, socó-beija-flor, garça-da-guiana, garça-de-peito-castanho e garça-beija-flor.

A garça-vermelha é uma ave discreta, muitas vezes de difícil observação, pois se alimenta na vegetação densa, podendo ficar estática durante longos períodos, passando despercebida dos observadores. Chega até 80 centímetros de altura, com envergadura de 120 a 150 centímetros, sendo um pouco menor que a garça-real. Não existe dimorfismo sexual nessa espécie. O adulto apresenta a cabeça e o pescoço avermelhados, com uma coroa preta (plumagem), com penacho e duas riscas pretas em cada lado da cabeça (uma saindo da base do bico, continuando ao longo do pescoço, e outra que sai da zona sub-orbital e chega até a nuca), no período nupcial. As faces são brancas, bem como a garganta. Elas têm cauda cinzenta, dorso e coberturas acinzentadas, com as penas escapulares cor púrpura e mais longas na época de reprodução. Os ombros e peito são castanho-avermelhados, com flancos cinzentos. O bico é amarelo, com a extremidade escura; os olhos são amarelos e as patas castanhas. A plumagem do juvenil é de castanho mais escuro, diferentes dos padrões da cabeça e pescoço do adulto.

A população da garça-vermelha (estimada entre 49.000 e 100.000 casais) estende-se pela Europa, desde a Holanda e Polônia, ao norte, até Espanha, Portugal e Itália, ao sul, chegando à Turquia e Mar Cáspio. Na África, a espécie nidifica no Marrocos e na Argélia, chegando também à África Ocidental e do Sul.

A garça-papa-ratos (Ardeola ralloides) é uma ave migradora e de bela plumagem, sendo uma das mais raras do gênero, com maior ocorrência na Europa, principalmente em Portugal. Tem tamanho médio, plumagem branca no abdome e asas e pardacenta no dorso, que adquire coloração castanho-alaranjada no período de reprodução. Habita zonas inundadas de águas doce, pouco profundas e com vegetação densa, onde forma colônias mistas. A ave também apresenta distribuição dispersa na Europa Meridional, Sudoeste Asiático e no Norte e Centro da África. (Apolonildo Britto – Revista Amazon View – Edição 80)

 
Apolonildo Brito

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